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Safrinha de MS soma 150 mil toneladas e eleva produção nacional de milho

Safrinha de MS impulsionou a produção nacional de milho ao adicionar aproximadamente 150 mil toneladas ao balanço estadual - Foto: Divulgação/Governo de MS

O agronegócio de Mato Grosso do Sul encerrou o ciclo 2025/26 com resultados positivos que impactaram diretamente o balanço agrícola do país. As lavouras do estado apresentaram rendimento acima do previsto, adicionando aproximadamente 150 mil toneladas ao total estadual de milho.

Esse incremento local foi decisivo para elevar a estimativa final da segunda safra brasileira para 111 milhões de toneladas, conforme levantamento da consultoria StoneX. Com a colheita totalmente concluída, a atenção dos produtores sul-mato-grossenses se volta agora para a logística de escoamento e os preparativos da safra 2026/27.

A primeira projeção oficial para a próxima safrinha será divulgada pela consultoria em novembro. Segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o encerramento da colheita desloca o foco para o escoamento da produção e para os fundamentos da nova temporada. Ele destaca que a nova projeção permitirá uma avaliação mais precisa do balanço de oferta e demanda do próximo ano.

Logística e estoques

Apesar do saldo positivo dentro da porteira, o mercado enfrenta um ritmo mais lento nos terminais portuários. A menor velocidade nos embarques internacionais nos últimos meses levou a uma redução na projeção para as exportações brasileiras de milho no ciclo 2025/26, que agora é de 40 milhões de toneladas.

Esse recuo na demanda externa deve provocar um aumento nos estoques finais, elevando a relação estoque/uso para 20,85%. Na prática, o volume represado resultará em estoques iniciais mais robustos para 2026/27. Isso garante maior oferta do grão para o mercado interno durante o primeiro semestre e alivia os custos para as indústrias de ração animal e criadores da região.

No Norte e Nordeste, a terceira safra do cereal permaneceu projetada em 1,78 milhão de toneladas, reflexo de rendimentos historicamente mais baixos nessas áreas.

Soja e clima

Enquanto o milho define seus rumos comerciais, a safra 2026/27 de soja avança com perspectiva de novo recorde nacional, estimada em 183,36 milhões de toneladas. A recente atualização nos números decorreu de ajustes na área cultivada em Tocantins, mantendo o viés de ampla oferta para a oleaginosa.

Nas lavouras do Centro-Oeste e demais polos produtores, a semeadura ocorre dentro da normalidade. Esse cenário reduz os temores imediatos quanto ao cumprimento da janela de plantio da safrinha subsequente. Contudo, o regime de chuvas e as oscilações de temperatura no último trimestre do ano permanecem como pontos de vigilância, sobretudo diante da influência do fenômeno El Niño nas regiões mais ao norte do país.

Bulascoschi alerta que o desenvolvimento inicial da safra ocorre de maneira relativamente adequada, mas ainda há um longo caminho pela frente. As condições de precipitação e temperatura serão determinantes para a consolidação do potencial produtivo.

No panorama da primeira safra nacional de milho, a estimativa é de 29,3 milhões de toneladas, um avanço de 2,4% frente ao período 2025/26. O Rio Grande do Sul lidera essa expansão de área e produtividade, mas o comportamento do tempo em novembro será determinante para assegurar os rendimentos das lavouras gaúchas durante a fase crítica de desenvolvimento.

No front externo, a competitividade da soja brasileira segue sustentada pela forte demanda da China. A cúpula realizada em Washington entre representantes norte-americanos e chineses terminou sem novidades comerciais para o setor, preservando o Brasil como fornecedor prioritário. Diante desse quadro, analistas apontam que a oferta esperada será suficiente para abastecer o mercado doméstico e as exportações, mantendo o produtor sul-mato-grossense atento apenas à consolidação climática e às movimentações logísticas.

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