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Salário mínimo subirá para R$ 1.621 em janeiro de 2026, aponta publicação oficial

O salário mínimo nacional foi reajustado para R$ 1.621 e entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026. O novo piso, definido em edição do Diário Oficial da União desta quarta-feira (24), representa acréscimo de 6,8 % em relação ao valor atual de R$ 1.518, o que corresponde a pouco mais de R$ 100 de aumento nominal.

A correção segue a regra retomada pelo Poder Executivo em 2023, que combina a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses encerrados em novembro com a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, limitada a 2,5 % ao ano em observância ao teto de gastos. Dessa forma, o resultado incorpora ganho real de renda sempre que a economia registra crescimento.

Segundo o governo, o modelo difere do aplicado entre 2017 e 2022, quando a remuneração mínima era reajustada apenas pela inflação. Na avaliação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a reposição inflacionária isolada reduziu a capacidade de compra do salário mínimo em um período marcado por altas consideráveis de preços, especialmente de alimentos, que afetaram mais severamente as famílias de menor renda.

O salário mínimo constitui a menor remuneração que pode ser paga a trabalhadores formais no país e serve de referência para benefícios previdenciários, assistenciais e programas de transferência de renda. Além disso, seu valor impacta pisos salariais de categorias, contratos no setor público e obrigações como pensões e abono salarial.

Estimativas do Dieese indicam que aproximadamente 62 milhões de brasileiros têm rendimentos vinculados direta ou indiretamente ao mínimo. Com o reajuste para R$ 1.621, a instituição calcula injeção de R$ 81,7 bilhões na economia ao longo de 2026, montante que reflete aumento de massa salarial, arrecadação tributária sobre consumo e contribuição previdenciária.

Embora o novo piso eleve a renda formal, o Dieese aponta que o valor permanece distante do patamar necessário para suprir despesas consideradas essenciais. Com base em preços coletados em novembro de 2025, o órgão apurou que uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 7.067,18 por mês para cobrir gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência. Essa quantia corresponde a 4,3 vezes o salário mínimo que vigora a partir de 2026.

O reajuste também interfere na composição do orçamento público. Benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como aposentadorias, pensões e auxílio-doença, são corrigidos pelo mesmo índice. Programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o seguro-desemprego utilizam o piso como referência, o que eleva as despesas obrigatórias da União, de estados e municípios.

Do ponto de vista fiscal, o acréscimo de R$ 103 no salário mínimo impacta os cofres públicos, mas o governo argumenta que o incremento de receita proveniente do aumento de consumo e da arrecadação previdenciária compensa parcialmente o desembolso maior com benefícios. A equipe econômica prevê efeito neutro sobre a meta de resultado primário para 2026, ainda que o impacto líquido dependa do comportamento da atividade econômica e da arrecadação.

O piso nacional também orienta negociações salariais em setores que utilizam a remuneração mínima como base para pisos profissionais. Com o reajuste, empresas terão de adequar folhas de pagamento, enquanto sindicatos poderão usar o novo valor como referência em acordos coletivos.

Com a publicação no Diário Oficial, o valor de R$ 1.621 passa a ser obrigatório para contratos de trabalho formais assinados a partir de 1º de janeiro de 2026 e para benefícios com competência no mesmo mês. A atualização anual seguirá a fórmula que combina INPC e crescimento econômico, mantida pela legislação vigente.