Nos últimos 12 meses, o estado de Mato Grosso do Sul registrou queda de 47% nas contratações de seguro agrícola, segundo o economista e diretor de negócios da Agricon Consultoria, Hudson Garcia, em entrevista ao programa Agro é Massa da Rádio Massa FM Campo Grande.
Garcia explicou que a diminuição da cobertura faz com que o risco financeiro, antes distribuído com as seguradoras, passe a ficar integralmente dentro das propriedades rurais, sobretudo em um período em que se espera a intensificação de eventos climáticos provocados pelo El Niño no fim deste ano e no início de 2027.
O economista relacionou a retração à redução do apoio federal à subvenção do prêmio do seguro agrícola; o orçamento destinado ao programa chegou a R$ 565 milhões, o que representa uma diminuição de 50% no número de produtores beneficiados, elevando o custo dos prêmios justamente quando os custos com fertilizantes, adubos, combustível e plantio já são elevados.
“Essa diminuição no apoio acabou aumentando esse custo do seguro e consequentemente impactou diretamente nesses números que a gente tá refletindo agora”, afirmou Hudson Garcia.
Garcia alertou que a queda nas indenizações não indica melhora nas condições climáticas, mas sim que o produtor está assumindo uma parcela maior do risco de perdas e precisa ter estrutura financeira para absorvê‑las.
Ele recomendou que a escolha da apólice considere a capacidade financeira da fazenda e o nível de exposição a perdas, destacando que propriedades com maior endividamento ou financiamento podem necessitar de coberturas mais amplas.
“O que a gente tá fazendo é transferência de gestão de risco financeiro. O que antes estaria dentro da probabilidade da fazenda e o que não vai estar”, explicou o economista.
O especialista observou que o mercado já incorpora a possibilidade de ocorrência do El Niño, embora a previsão climática não signifique necessariamente quebra de safra, mas aumenta a necessidade de planejamento.
Sobre os preços das commodities, Hudson Garcia disse que a valorização da soja, milho e carne bovina reflete expectativas de redução dos estoques mundiais devido aos efeitos climáticos, mas que alta nos preços não compensa automaticamente queda expressiva na produtividade.
“Eu posso ter preço, mas se eu não tiver produtividade eu não consigo pagar a conta aí no final da safra”, declarou.
Ele concluiu que, com a janela de plantio se aproximando, os produtores devem elaborar um planejamento integrado das próximas colheitas, considerando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático e o seguro rural para proteger a margem da fazenda, já que poucas propriedades têm capacidade de absorver perdas de 10% a 30% da produção.
“O seguro tem uma função de trazer essa transferência de risco, principalmente de risco de produtividade e que garante pelo menos que você empate no final da safra”, ressaltou.








