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Semana Lixo Zero reforça coleta seletiva e combate descarte irregular em Três Lagoas

A Semana Lixo Zero começou nesta segunda‑feira em Três Lagoas, com foco na conscientização sobre coleta seletiva, reaproveitamento de materiais e descarte correto de resíduos. A iniciativa foi apresentada pela secretária municipal de Meio Ambiente e Agronegócio, Mariana Amaral, em entrevista ao programa RCN Notícias, da TVC HD Canal 13.1, e tem como principal objetivo elevar a qualidade do material encaminhado à Cooperativa Arara Azul.

Durante a semana, a programação inclui oficinas, visitas ao viveiro municipal, atividades lúdicas com crianças e palestras sobre a separação adequada dos resíduos. O evento também prevê a presença da Secretaria na Feira das Profissões do Dom Aquino, onde serão realizadas dinâmicas de orientação ambiental, além do encerramento na Lagoa Maior, durante a Corrida Nascer, com estande da equipe da CMEA, distribuição de cartilhas e outras ações de educação ambiental.

Mariana Amaral informou que a coleta seletiva já cobre todo o município e que parte da população adotou o hábito de separar os recicláveis em sacos verdes, colocando‑os para recolhimento no dia correto de cada região. Contudo, a secretária destacou que ainda há descarte inadequado, sobretudo por falta de conhecimento sobre a forma correta de separar e destinar os materiais.

“Muitas pessoas ainda fazem de maneira errada, e é por falta de conhecimento. Se a pessoa faz essa separação, tem essa disposição em fazer esse descarte, é porque ela quer fazer o certo”, afirmou Amaral, reforçando a necessidade de informação clara e acessível para a comunidade.

Ações Educativas

As atividades voltadas para crianças incluem visitas guiadas ao viveiro municipal, piqueniques e oficinas práticas sobre coleta seletiva. Segundo a secretária, o trabalho com estudantes tem efeito direto nas casas, pois as crianças repassam o aprendizado aos familiares, ampliando o alcance da campanha.

Além das oficinas, a Secretaria participará da Feira das Profissões com dinâmicas que abordam a importância da separação correta dos resíduos. O encerramento da Semana Lixo Zero será realizado na Lagoa Maior, durante a Corrida Nascer, onde a equipe da CMEA distribuirá cartilhas e promoverá atividades de educação ambiental para o público presente.

O viveiro municipal permanecerá aberto ao público ao longo da semana, oferecendo passeios pelo espaço, piqueniques e oficinas temáticas sobre coleta seletiva, reforçando o convite à população para conhecer e participar ativamente das ações.

Desafios e Soluções

Mariana Amaral ressaltou que Três Lagoas conta com um aterro sanitário licenciado e que a segunda célula está em construção, com previsão de inauguração até o fim do ano. A nova estrutura possui sistema de controle ambiental, mas a secretária alertou que não pode ser vista como solução única para o volume crescente de resíduos.

A separação correta dos recicláveis reduz a quantidade de material enviado ao aterro, enquanto os resíduos orgânicos podem ser reaproveitados como adubo. “Nosso planeta Terra é único. Não podemos simplesmente produzir, produzir, produzir e achar que, colocando em aterros sanitários, está resolvido”, declarou a secretária, enfatizando a necessidade de mudar hábitos de consumo e descarte.

Até o momento, a Prefeitura instalou mais de 52 contêineres pela cidade e recebeu outros 36 para distribuição em pontos estratégicos, como saídas para ranchos e áreas de maior fluxo. Mesmo com a ampliação da infraestrutura, ainda ocorrem descartes irregulares, como lixo jogado pela janela de veículos, que muitas vezes não alcança o contêiner e acaba espalhado nas vias.

A Secretaria trabalha em parceria com o setor de trânsito para rastrear placas e aplicar multas a motoristas identificados em práticas de descarte irregular. Caminhões, carretinhas e veículos leves já foram flagrados e autuados, segundo relatado por Amaral, que também mencionou a existência de vídeos que documentam essas infrações, embora não sejam divulgados por questões legais.

No bairro Novo Oeste, a Prefeitura está preparando um ponto de coleta cercado, equipado com contêineres e caçambas, destinado principalmente ao descarte de volumosos e galhadas. A retirada será feita inicialmente uma vez por semana, com possibilidade de ampliação da frequência conforme a demanda da comunidade.

O Buracão do Jupiá recebe resíduos de podas, galhadas, madeira e materiais da construção civil, mas não deve ser usado para lixo doméstico, plástico ou eletrônicos. O uso inadequado contamina o espaço e compromete a destinação correta dos materiais, alerta a secretária.

O serviço de coleta é gratuito, funciona sem interrupção ao meio‑dia e também abre nas manhãs de sábado. “Não há cobrança nenhuma. É só ir lá”, afirmou Amaral, reforçando que a disponibilidade do ponto elimina a justificativa para descarte em terrenos baldios, ruas ou áreas afastadas.

Recentemente, moradores da Vila Piloto reclamaram de acúmulo de lixo próximo ao posto de saúde. A secretária esteve no local acompanhada do prefeito Cassiano Maia, presenciou a limpeza da pracinha, mas observou que o problema retornou poucos dias depois, indicando a necessidade de monitoramento contínuo.

O descarte irregular não gera apenas sujeira visual; o acúmulo de resíduos favorece a proliferação de escorpiões, mosquitos e outros vetores de doenças, além de causar entupimentos em dias de chuva. A secretária citou a Lagoa Maior e a segunda lagoa como exemplos de locais impactados por resíduos carregados pelas enxurradas, ressaltando a remoção de lixo com cestos durante chuvas recentes.

Na segunda lagoa, um cesto foi instalado na saída da drenagem para reter parte da sujeira antes que ela entre na água, mas a secretária apontou que a estrutura precisa ser ampliada. “Essa sujeira é pet, sacolinha, é o que você imaginar. Porque as pessoas jogam nas ruas, e as chuvas levam”, explicou.

Amaral concluiu que a maioria da população faz o descarte corretamente, mas uma parcela pequena ainda causa grande impacto na cidade. Ela incentivou os moradores a conversar com vizinhos ao identificar descarte inadequado e a acionar a Secretaria em situações graves ou quando houver falha na coleta. O programa “eco guardiões”, formado por crianças que cuidam do lixo nas escolas, foi citado como exemplo para que os moradores assumam papel semelhante nas ruas. “Vamos usar o exemplo das crianças e ser os nossos fiscais da rua”, concluiu, pedindo que todos retirem resíduos das embalagens antes de colocar na coleta seletiva e destinem embalagens muito contaminadas, como caixas de pizza com queijo grudado, ao lixo comum. “Vamos cuidar do nosso município. Ele é nosso”, finalizou.