Autoridades estaduais, especialistas em meteorologia e representantes do setor elétrico participaram, nesta terça-feira (16), do 1º Seminário Sul-Mato-Grossense do Clima, realizado na sede da Energisa, em Campo Grande. O encontro, organizado em parceria pela Energisa, Defesa Civil, Cemtec/MS e Agência Estadual de Regulação (Agems), concentrou-se na apresentação de dados recentes sobre a instabilidade climática no Estado e na definição de estratégias conjuntas para prevenir e mitigar impactos de emergências relacionadas ao tempo.
Oscilações climáticas intensas
A meteorologista Valesca Fernandes, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS), detalhou projeções para os próximos meses. Segundo a especialista, o território sul-mato-grossense enfrenta chuvas volumosas no verão, seguidas por períodos prolongados de estiagem no inverno. Esse cenário de extremos afeta diretamente abastecimento de água, produção agropecuária, infraestrutura urbana e rural, além de aumentar o risco de queimadas e alagamentos.
Fernandes observou que a combinação entre episódios de precipitação acima da média e secas prolongadas exige monitoramento constante. “A variabilidade é cada vez mais evidente, e a preparação precisa considerar tanto inundações repentinas quanto estresses hídricos prolongados”, afirmou durante sua apresentação técnica, que incluiu séries históricas de temperatura, previsões de curto e médio prazo e mapas de risco.
Planejamento de resposta e prevenção
Representando a Defesa Civil de Mato Grosso do Sul, o chefe da Seção de Monitoramentos e Alertas, Sandoval Leonardo Junior, destacou que áreas urbanas densamente povoadas, regiões ribeirinhas e zonas de encosta concentram maior vulnerabilidade a deslizamentos e inundações. Ele reforçou a necessidade de integração entre órgãos estaduais, municipais e concessionárias de serviços básicos para reduzir danos à população.
“Prevenir é o principal foco”, ressaltou Leonardo Junior ao abordar ações que vão desde a elaboração de planos de contingência municipais até campanhas de orientação às comunidades. O representante mencionou a importância de rotas de evacuação claramente sinalizadas, sistemas de sirenes e programas de capacitação para agentes locais.
Setor elétrico e continuidade dos serviços
O gerente de Operações da Energisa, Helier Fioravante, apresentou o plano de contingência da concessionária, estruturado em três frentes: antecipação, recuperação e aprendizado. A primeira etapa foca no acompanhamento de boletins meteorológicos e no reforço preventivo de equipes de campo. A segunda envolve mobilização rápida após ocorrências, priorizando restabelecimento de energia em unidades de saúde, redes de água e telecomunicações. Por fim, o aprendizado pós-evento subsidia investimentos em equipamentos mais resistentes, poda preventiva de vegetação e atualização de rotinas operacionais.
Fioravante explicou que a concessionária mapeia regiões críticas suscetíveis a vendavais e descargas atmosféricas, empregando tecnologia para isolar trechos afetados e restabelecer o fornecimento gradualmente. “Nosso trabalho começa muito antes da tempestade”, reiterou, apontando que o compartilhamento de informações com o Cemtec/MS e a Defesa Civil agiliza tomadas de decisão.
Comunicação de risco
Encerrando a programação, o business partner da Energisa MS, Alexandre Melo, enfatizou a responsabilidade da imprensa na difusão de alertas oficiais. Ele defendeu linguagem clara, precisão nos dados e repasse de orientações verificadas, a fim de evitar alarmismo e garantir que a população receba instruções corretas sobre como proceder durante episódios de tempo severo.
Melo salientou que a sinergia entre veículos de comunicação, órgãos de monitoramento e agentes de resposta é decisiva para reduzir o número de pessoas expostas a situações de perigo. Segundo ele, informações divulgadas sem checagem podem gerar deslocamentos desnecessários ou atrasar medidas de autoproteção.
Colaboração técnica permanente
Os organizadores avaliaram que o seminário inaugura um calendário permanente de encontros técnicos no Estado. A proposta é revisar protocolos de atuação, ampliar redes de sensores meteorológicos e estruturar programas de treinamento contínuo para equipes de campo e gestores públicos.
A Agems, representada na abertura do evento, destacou que a atualização de normas regulatórias pode facilitar investimentos em tecnologias de rede elétrica resiliente e em sistemas de alerta precoce. Já os meteorologistas reforçaram que a troca de informações em tempo real entre centros de pesquisa e órgãos de defesa civil potencializa a tomada de decisões nos níveis municipal e estadual.
Próximos passos
Ao término do seminário, as instituições envolvidas anunciaram a criação de um grupo de trabalho para compilar as recomendações apresentadas e definir um cronograma de implementação. Entre as medidas prioritárias estão:
- Ampliação de pontos de medição pluviométrica em regiões sem cobertura adequada;
- Atualização das cartas de risco municipais, com foco em áreas propensas a inundações e deslizamentos;
- Integração de plataformas de comunicação entre concessionárias de serviços essenciais e a Defesa Civil;
- Realização de simulados periódicos de emergência com participação comunitária;
- Aperfeiçoamento do fluxo de informações à imprensa antes, durante e após eventos extremos.
Para os participantes, a articulação entre pesquisa, gestão de serviços e comunicação social representa a principal ferramenta de adaptação às mudanças climáticas que intensificam fenômenos como tempestades severas, ondas de calor e secas. O seminário será anual e, a partir de 2025, deve percorrer outros municípios sul-mato-grossenses, envolvendo representantes de diferentes setores produtivos e comunidades locais.









