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SENAI destinará R$ 1,3 bilhão ao Programa Mover para acelerar inovação e reduzir emissões na indústria automotiva

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) definiu o aporte de R$ 1,3 bilhão no setor automotivo entre 2025 e 2029 por meio do Programa Mover – Mobilidade Verde e Inovação. A iniciativa, que sucede as políticas Inovar-Auto e Rota 2030, busca descarbonizar processos produtivos, ampliar a produtividade das fábricas instaladas no país e incentivar a nacionalização de componentes estratégicos.

O financiamento virá, majoritariamente, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), responsável por R$ 1,25 bilhão. O SENAI acrescentará R$ 25 milhões, valor que será igualado pelas empresas participantes, totalizando a contrapartida privada de R$ 25 milhões. Os recursos serão distribuídos em cinco linhas de ação: formação profissional, consultorias técnicas, pesquisa e desenvolvimento (P&D), criação de centros de competência e parcerias internacionais.

Segundo o SENAI, a estratégia pretende conectar indústrias, startups e instituições de ciência e tecnologia (ICTs) para acelerar a adoção de soluções de baixo carbono e tecnologias digitais. A programação inclui a realização de 1.600 consultorias gratuitas voltadas a manufatura enxuta, digitalização de processos e medição de pegada de carbono. Essas atividades têm como objetivo reduzir desperdícios, otimizar fluxos produtivos e apoiar empresas na transição para práticas sustentáveis.

Outra frente contempla a formação de 700 especialistas em áreas relacionadas à mobilidade verde. Os cursos abordarão desde baterias de íon-lítio até sistemas de propulsão elétrica e gestão de dados industriais, fortalecendo competências técnicas em toda a cadeia automotiva nacional. Paralelamente, o programa pretende estimular 50 alianças entre companhias, startups e centros de pesquisa para desenvolver projetos conjuntos de inovação.

Entre 2019 e 2025, o SENAI já executou 1.435 consultorias nesses mesmos temas, registrando ganhos médios de 48% em produtividade na aplicação de princípios de manufatura enxuta e de 40% em iniciativas de digitalização. No mesmo período, mais de 4.500 alunos participaram de oficinas e cursos de curta duração vinculados à indústria avançada, enquanto 560 profissionais ingressaram em programas de Master in Business Innovation (MBI) focados em Indústria 4.0 e Mobilidade Elétrica.

No campo de pesquisa e desenvolvimento, o SENAI coordena atualmente 130 projetos contratados, que somam R$ 352,7 milhões. Desse montante, R$ 145,7 milhões são provenientes de empresas interessadas em acelerar soluções tecnológicas. Entre os temas priorizados estão baterias de íon-lítio, ímãs de terras raras e sistemas estruturantes para veículos eletrificados, considerados essenciais para aumentar o conteúdo local e reduzir a dependência de importações.

O plano de criar novos centros de competência prevê instalações equipadas para testes, prototipagem e validação de componentes, permitindo que fornecedores nacionais acompanhem as exigências dos fabricantes globais. Já as parcerias internacionais devem facilitar o intercâmbio de conhecimento, acesso a patentes e contratos de cooperação que fortaleçam a posição do Brasil em cadeias produtivas de baixo carbono.

No Mato Grosso do Sul, o Programa Mover é apontado como oportunidade para atrair investimentos e consolidar a região como polo de tecnologia automotiva. Empresas sediadas no estado poderão solicitar as consultorias gratuitas, inscrever profissionais em cursos de especialização e propor projetos de P&D em conjunto com universidades e startups locais. A expectativa é que a iniciativa amplie a competitividade da cadeia automotiva regional, gere empregos qualificados e estimule a instalação de novos negócios voltados à mobilidade sustentável.

Gustavo Leal, diretor-geral do SENAI, ressalta que a mobilização de recursos públicos e privados visa criar um ambiente favorável à inovação contínua, com impacto direto na competitividade da indústria automotiva brasileira e benefícios indiretos para a sociedade. A expectativa é de que as medidas programadas entre 2025 e 2029 contribuam para posicionar o país entre os centros de referência em tecnologias veiculares de baixo carbono.

Com a definição dos valores e das frentes de ação, o SENAI iniciará nos próximos meses a divulgação de editais e calendários de seleção para empresas, profissionais e instituições interessadas em participar da nova etapa do Programa Mover. O cronograma detalhado deverá estabelecer prazos para inscrição em consultorias, requisitos para adesão a cursos de capacitação e critérios de avaliação de projetos de pesquisa, assegurando a aplicação efetiva dos R$ 1,3 bilhão previstos.

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