A rápida expansão da cadeia de celulose em Mato Grosso do Sul tem impulsionado a procura por profissionais qualificados e reforçado a oferta de formação técnica no Estado. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) entrega, em média, 100 técnicos por ano ao segmento, suprindo parte da demanda de indústrias que, juntas, já empregam mais de 22,6 mil trabalhadores diretos em atividades florestais e industriais.
Segundo dados do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de janeiro de 2026, 15.947 postos formais pertencem à área florestal – responsável pelo cultivo de eucalipto e manejo de madeira usada como matéria-prima. A fabricação de celulose, por sua vez, mantém 6.683 vínculos formais, totalizando 22.630 empregos diretos. A mesma fonte projeta que, ao se somarem vagas terceirizadas em transporte, alimentação, segurança e limpeza, o contingente ultrapasse 40 mil trabalhadores.
A região denominada Costa Leste, que abrange Três Lagoas, Chapadão do Sul, Aparecida do Taboado e Ribas do Rio Pardo, concentra grande parte dos investimentos e responde por quantidade expressiva das contratações recentes. O gerente regional do Senai na localidade, Rodrigo Bastos, explica que o fortalecimento das áreas de silvicultura e beneficiamento de madeira estimula toda a cadeia produtiva. “Com novas linhas industriais em operação e áreas de plantio ampliadas, cresce a busca por mão de obra especializada”, resume ele.
Formação sem precisar sair do Estado
Até poucos anos atrás, jovens interessados em atuar em processos químicos ou na gestão de florestas comerciais costumavam buscar cursos fora de Mato Grosso do Sul. Atualmente, o cenário mudou: o Senai oferta capacitações específicas em território sul-mato-grossense, permitindo que os estudantes se formem perto de casa e ingressem rapidamente no mercado. Para atender a essa demanda, a instituição mantém grades curriculares focadas em Técnico em Celulose, Técnico em Química e Técnico em Florestas, considerados os mais procurados.
O aquecimento da economia local é percebido já durante o período letivo. Diversos alunos são contratados antes mesmo de concluir a formação, muitas vezes com remunerações superiores à média de outras áreas técnicas. A prática ocorre porque as fábricas necessitam de operadores, laboratoristas, controladores de processo e gestores de campo familiarizados com equipamentos modernos e protocolos de segurança específicos do setor.
Parcerias com grandes indústrias
Para ampliar o acesso ao ensino, o Senai firmou acordos com empresas instaladas no Estado. Entre elas estão Bracell, Arauco, Eldorado Brasil e Suzano, que oferecem bolsas de estudo ou programas de incentivo destinados a futuros colaboradores. A iniciativa diminui custos para o aluno e cria um fluxo contínuo de talentos alinhados às necessidades das plantas industriais.
A cooperação ainda envolve visitas técnicas, palestras e uso de laboratórios equipados com tecnologia semelhante à existente nas fábricas. Dessa forma, ao final do curso, o recém-formado já domina rotinas de preparação de cavacos, cozimento, recuperação química, tratamento de efluentes, controle de qualidade e certificações ambientais, entre outras competências exigidas pelo segmento.
Vagas abertas para 2026
Com perspectivas de novos projetos florestais e ampliações de capacidade produtiva anunciadas até a metade da década, o Senai mantém inscrições abertas para turmas que iniciarão em 2026. Interessados nos cursos técnicos podem efetuar matrícula pelo site meufuturoagora.com.br. Já os candidatos às graduações oferecidas pela faculdade da entidade devem acessar graduacaosenai.com.br para participar do Vestibular 2026.
As cargas horárias variam conforme a habilitação, mas todas incluem componentes práticos em laboratórios ou em campo experimental. Alunos aprovados no processo seletivo podem solicitar informações adicionais sobre financiamentos, bolsas e cronogramas letivos pelo telefone (67) 99263-9000, canal de atendimento centralizado.
A expectativa da Federação das Indústrias é de que a continuidade dos investimentos consolide Mato Grosso do Sul como um dos principais polos de celulose do país. Para sustentar esse avanço, a preparação de mão de obra local permanece como fator estratégico, e o fluxo anual de 100 novos técnicos formados pelo Senai representa parcela relevante desse esforço de qualificação profissional.








