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Sicredi aposta em votação por aplicativo e divisão de lucros para ampliar participação de cooperados em Mato Grosso do Sul

O sistema de cooperativas de crédito tem buscado novas estratégias para envolver os associados nas decisões internas. Em Mato Grosso do Sul, o Sicredi deu início ao ciclo de assembleias de 2026 apresentando uma combinação de votação digital, prestação de contas e proposta de distribuição de resultados financeiros. A iniciativa pretende reforçar o princípio de gestão compartilhada e, ao mesmo tempo, enfrentar a baixa adesão histórica às reuniões deliberativas do setor.

Diferentemente das instituições bancárias tradicionais, nas cooperativas o cliente também é proprietário. Esse formato confere direito de voto e poder de influência sobre temas como eleição de representantes, definição de prioridades operacionais e destino dos recursos gerados. Segundo o gerente de relacionamento Gabriel Moro, entrevistado pela rádio Massa FM, “é na assembleia que o associado exerce, de fato, o papel de dono”.

Entre os assuntos colocados em pauta neste início de ciclo estão a prestação de contas do exercício mais recente, a divisão proporcional dos lucros e o calendário de investimentos para o próximo período. A regra de divisão prevê que o montante obtido retorne aos cooperados de acordo com o volume de produtos e serviços utilizados por cada um. Assim, quem movimenta mais tende a receber parcela maior do resultado. Outro ponto destacado pela administração é que o recurso permanece no município onde foi gerado, evitando o envio de excedentes a centros financeiros distantes.

Apesar do formato participativo previsto no estatuto, a presença efetiva dos associados continua sendo um desafio operacional. Para reduzir as barreiras de acesso, a cooperativa disponibilizou um sistema de votação totalmente digital. Pelo aplicativo oficial, o cooperado registra presença, acompanha as apresentações de números e vota nos itens da ordem do dia. Algumas agências ainda mantêm assembleias presenciais, mas o canal on-line passou a ser apresentado como a forma mais simples de exercer o direito de voto.

De acordo com Gabriel Moro, a expectativa é que o engajamento aumente à medida que os associados percebam vantagens diretas na participação. A distribuição dos resultados, por exemplo, depende da aprovação coletiva. Caso a maioria opte pela destinação integral ao rateio, o crédito entra na conta individual de cada cooperado, reforçando o benefício financeiro de comparecer — presencial ou virtualmente — às sessões deliberativas.

Além dos números contábeis, a diretoria tem reforçado o impacto social obtido com recursos do próprio quadro de associados. Projetos em saúde, educação e infraestrutura comunitária vêm sendo usados como argumento adicional para atrair participantes. Um exemplo é a contribuição da instituição para a ampliação de leitos de UTI no Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande. A direção sustenta que iniciativas desse tipo só são viáveis porque a política de reinvestimento local mantém capital circulando nas regiões atendidas.

O cooperativismo de crédito segue em ascensão no Brasil, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, onde o acesso tradicional a serviços bancários costuma ser mais limitado. Para produtores rurais e pequenos empreendedores, a estrutura cooperativa representa alternativa a linhas de financiamento convencionais. Nas estatísticas internas do Sicredi, a atuação em municípios de menor porte tem impulsionado tanto o saldo de depósitos quanto a carteira de crédito, reforçando a lógica de que o capital permanece próximo da origem.

Ainda assim, especialistas apontam que o modelo cooperativo só alcança pleno potencial quando o quadro social participa ativamente das definições estratégicas. Assembleias esvaziadas reduzem a diversidade de opiniões e podem concentrar poder decisório em grupos restritos. Para contornar esse risco, a adoção de ferramentas digitais tornou-se prioridade. A expectativa é que a eliminação de deslocamentos físicos, a flexibilidade de horários e a possibilidade de votar pelo celular aumentem a representação dos cooperados nas votações.

Outro elemento considerado crucial é a transparência. Durante o período assemblear, relatórios detalhados de desempenho ficam disponíveis no aplicativo. Nesse ambiente, os associados encontram indicadores de rentabilidade, inadimplência, despesas operacionais e projeções de investimento. A diretoria argumenta que o acesso prévio às informações facilita o debate e fortalece o controle social, um dos pilares do setor.

No plano prático, o cronograma de encontros — presenciais ou híbridos — percorre as principais cidades sul-matogrossenses até o encerramento do primeiro semestre. Cada agência define datas específicas, sempre com abertura para perguntas e manifestações dos participantes. O quórum mínimo exigido para validar as deliberações varia de acordo com o estatuto, mas, na prática, quanto maior a adesão, mais representativa se torna a decisão coletiva.

Com a combinação de prestação de contas, promessa de rateio de lucros e facilidades tecnológicas, o Sicredi procura demonstrar que a participação não se resume a um rito formal. A gestão afirma que as escolhas feitas agora influenciam linhas de crédito futuras, expansão de agências e novos projetos comunitários. A campanha pelo engajamento, portanto, mira não apenas o presente exercício, mas o posicionamento estratégico da cooperativa nos próximos anos.

Para o quadro social, a mensagem central é clara: quanto maior a interação, maiores as chances de retorno financeiro direto e de benefício local. Resta saber se o modelo digital, somado aos incentivos econômicos e sociais, será suficiente para transformar o comparecimento às assembleias em hábito consolidado entre os mais de 120 mil cooperados atendidos pela instituição em Mato Grosso do Sul.

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