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Simone Tebet confirma candidatura ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), anunciou que deixará o cargo para concorrer a uma das vagas paulistas no Senado Federal em 2026. A decisão foi tomada após convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de articulação conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Tebet relatou que o primeiro contato sobre o tema ocorreu em 27 de janeiro, durante viagem oficial ao Panamá, quando Lula sugeriu que ela avaliaria a disputa por São Paulo. Na ocasião, ambos compartilharam uma agenda de aproximadamente quatro horas que incluiu discussões sobre o cenário político nacional. O convite foi formalizado em 3 de março, em reunião reservada na capital paulista, também acompanhada por Alckmin.

A ministra afirmou ter comunicado a aceitação somente depois de conversar com familiares. Segundo ela, o aval da mãe foi decisivo, pois a matriarca desejava que a filha residisse mais tempo próxima da família. Após receber essa autorização, Tebet confirmou a pré-candidatura.

Embora tenha construído carreira política em Mato Grosso do Sul, Tebet destacou vínculos pessoais e profissionais com São Paulo. Ela cursou mestrado no estado, mantém moradia na capital, onde vivem as filhas, e possui parte da família com origem no interior paulista. Além disso, observou que, na eleição presidencial de 2022, obteve mais de um terço dos votos paulistas, fato que interpreta como indicativo de receptividade a suas propostas.

Para viabilizar a candidatura, será necessário cumprir o prazo de desincompatibilização previsto pela legislação eleitoral. Tebet planeja entregar o ministério após concluir compromissos administrativos imediatos. Entre eles estão o relatório bimestral de execução orçamentária, previsto para o dia 22, e a organização interna relativa à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que precisa ser encaminhada ao Congresso Nacional em abril. A ministra estima deixar o cargo até o final do mês, garantindo a transição dos trabalhos da pasta.

Simone Tebet iniciou a carreira política em Mato Grosso do Sul, onde foi prefeita de Três Lagoas, deputada estadual, vice-governadora e senadora. Em 2022, disputou a Presidência da República e, posteriormente, aceitou chefiar o Ministério do Planejamento no terceiro mandato de Lula. Ela afirma que as experiências no estado de origem a impulsionaram para responsabilidades de alcance nacional, mas avalia que o novo desafio por São Paulo reflete a amplitude de sua atuação política.

A pré-candidatura foi recebida com otimismo dentro do MDB e de partidos aliados ao governo federal. Pesquisas do Instituto Datafolha apontam a ministra entre os nomes mais competitivos para o Senado paulista em 2026. Nos cenários testados, ela aparece com cerca de 25 % das intenções de voto, atrás apenas do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que registra 30 % e deverá disputar o governo estadual, não o Senado.

Nos bastidores, a movimentação de Tebet é vista como peça importante na estratégia eleitoral do Palácio do Planalto para ampliar a representação governista no Senado. O estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, terá duas cadeiras em disputa em 2026, e a participação da ministra é considerada fator de equilíbrio na composição de alianças regionais.

Ainda não há definição sobre quem substituirá Simone Tebet no Ministério do Planejamento. O presidente Lula e a Casa Civil avaliam nomes técnicos e políticos para evitar descontinuidade nos projetos em curso, especialmente os relacionados à elaboração do Plano Plurianual e à execução orçamentária de 2025. A expectativa é de que o sucessor seja anunciado antes da entrega oficial da LDO ao Legislativo.

Enquanto prepara a saída, Tebet pretende finalizar diretrizes que considera prioritárias, como a revisão de gastos públicos e a consolidação de parâmetros para o próximo ciclo orçamentário. Técnicos da pasta já elaboram relatórios de transição, garantindo que metas fiscais, indicadores de investimento e programas federais não sofram interrupções durante o período eleitoral.

Com a confirmação da candidatura, o quadro para 2026 em São Paulo ganha nova configuração. Além de Tebet e de eventuais nomes do PT, siglas do centro e da direita articulam possíveis chapas para o Senado, incluindo parlamentares com mandato na Câmara dos Deputados e figuras ligadas à administração estadual. A movimentação deverá intensificar negociações partidárias ao longo de 2024 e 2025.

Nos próximos meses, a ministra continuará participando de eventos oficiais até formalizar a desincompatibilização. Assessores preveem que, após deixar o governo, ela iniciará agenda de contatos regionais, priorizando cidades do interior paulista onde mantém laços familiares e eleitorado consolidado desde a campanha presidencial.

Ao anunciar a decisão, Simone Tebet declarou que encara a candidatura como “missão” alinhada à fase que o país atravessa. Segundo ela, o mandato no Senado, se conquistado, permitirá contribuir com reformas estruturais e com o desenvolvimento econômico, meta que diz compartilhar com o governo federal e com o eleitorado paulista.

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