Um surto da doença mão, pé e boca foi confirmado em 24 crianças matriculadas no Centro de Educação Infantil Dona Diva Garcia de Souza, localizado no bairro Paranapungá, em Três Lagoas. O estabelecimento foi interditado temporariamente para receber uma higienização completa, medida adotada pelas autoridades de saúde local para conter a propagação do vírus.
A doença, causada por vírus da família Coxsackie, apresenta febre, irritação e pequenas lesões que surgem principalmente na boca, nas mãos e nos pés. Nos estágios iniciais, os sintomas podem ser confundidos com outras infecções infantis, inclusive quadros de febre alta, o que dificulta o diagnóstico precoce. O período de incubação costuma durar de três a sete dias, durante os quais a criança pode não apresentar sinais visíveis.
Segundo a pediatra e neonatologista Joicy Leal, a síndrome mão, pé e boca é frequente em crianças menores de cinco anos e possui alto potencial de transmissão, embora a maioria dos casos evolua de forma leve.
A equipe do CEI realizou a interdição imediatamente após a confirmação dos primeiros casos. Profissionais de limpeza foram acionados para aplicar desinfetantes em todas as áreas comuns, brinquedos, mesas e banheiros, seguindo protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
O vírus pode ser transmitido pela saliva e pelas fezes, e as crianças podem espalhá‑lo antes mesmo de apresentarem os primeiros sinais clínicos, o que aumenta o risco de contágio em ambientes coletivos.
Transmissão e sintomas
As lesões típicas aparecem na orofaringe, nas palmas das mãos, nas solas dos pés e, em alguns casos, também nas regiões genital, nas nádegas, nos joelhos e nos cotovelos. A presença de feridas na boca pode dificultar a alimentação, enquanto a irritação nas mãos e nos pés gera desconforto ao toque.
Prevenção e tratamento
A higiene rigorosa é a principal ferramenta de controle. Lavar as mãos com água e sabão, limpar superfícies e desinfetar objetos compartilhados, como brinquedos, copos e talheres, reduzem significativamente a transmissão. Atenção redobrada é recomendada durante a troca de fraldas e o uso do banheiro. Crianças diagnosticadas devem permanecer afastadas da escolinha até que todos os sintomas desapareçam. O tratamento consiste apenas no alívio dos desconfortos, com uso de antitérmicos e analgésicos; não há medicamento específico contra o vírus, e antibióticos não são indicados.
Os pais das crianças afetadas foram contactados pela secretaria municipal de saúde, que orientou a observação de sintomas por 14 dias e o retorno ao CEI somente após liberação médica. A vigilância epidemiológica continuará acompanhando possíveis novos casos nas próximas semanas.
O caso reforça a necessidade de vigilância constante em creches e escolas, bem como a importância de orientar pais e responsáveis sobre os sinais da doença e as medidas preventivas. As autoridades de saúde de Três Lagoas continuam monitorando a situação e deverão divulgar novas orientações caso novos casos sejam identificados.








