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SUS amplia teste do pezinho em Mato Grosso do Sul e passa a identificar mais de 40 doenças

Desde 1º de janeiro de 2026, recém-nascidos de Mato Grosso do Sul podem realizar gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o teste do pezinho em versão ampliada. A nova cobertura faz parte do Programa Estadual de Triagem Neonatal, ligado ao Projeto Bem Nascer MS, e eleva de sete para mais de 40 o número de doenças rastreadas nas primeiras semanas de vida.

Com a mudança, o exame passa a contemplar condições congênitas, genéticas e metabólicas que exigem intervenção rápida para evitar sequelas irreversíveis ou óbito. Entre elas estão atrofia muscular espinhal (AME), imunodeficiências primárias, galactosemias e diversos distúrbios de metabolismo. A oferta faz do estado um dos pioneiros na adoção do protocolo expandido previsto pela legislação federal.

O teste deve ser coletado preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia de vida, período considerado ideal para detectar alterações antes do aparecimento dos sintomas. A amostra de sangue é obtida por punção no calcanhar e enviada ao Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnósticos da APAE (IPED/APAE) de Campo Grande, laboratório de referência habilitado pelo Ministério da Saúde. Lá, as análises são realizadas com tecnologia de ponta e seguem diretrizes nacionais de qualidade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), aproximadamente 3 000 exames são processados por mês, abrangendo todos os 79 municípios sul-mato-grossenses. A coleta pode ser feita em unidades básicas de saúde, maternidades e hospitais de cada cidade. Na capital, há ainda a opção de atendimento direto nas unidades do IPED/APAE. Todo o procedimento, incluindo eventuais confirmações diagnósticas e acompanhamento, é custeado pelo SUS.

A expansão do painel de triagem integra uma estratégia estadual voltada à primeira infância. A Secretaria-Adjunta de Saúde explica que detectar um maior número de enfermidades logo após o nascimento reduz internações, limita danos neurológicos e melhora projeções de desenvolvimento. Quando o tratamento se inicia antes da manifestação clínica, as chances de complicações graves caem de forma significativa.

No IPED/APAE, crianças que recebem diagnóstico positivo são encaminhadas para acompanhamento multiprofissional. A instituição conta com equipes de genética, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, atuando em conjunto com a rede municipal e estadual de saúde. O objetivo é garantir o monitoramento contínuo do crescimento e a introdução rápida de terapias específicas, como medicamentos de alto custo ou dietas especiais.

A gerente de Atenção à Saúde da Criança da SES reforça que o teste ampliado contribui para diminuir a mortalidade infantil evitável, uma das metas do Plano Estadual de Saúde. Dados da pasta apontam que, nos últimos anos, condições metabólicas não diagnosticadas precocemente estiveram entre as causas de óbitos em menores de cinco anos. A expectativa é de que o novo protocolo reverta esse cenário.

Além do impacto na saúde, a medida representa alívio financeiro para as famílias. Antes de a expansão entrar em vigor, quem desejava rastreamento mais completo precisava recorrer à rede particular, onde o exame custa centenas de reais. Com a gratuidade, o acesso torna-se universal, reduzindo desigualdades regionais.

Profissionais de enfermagem e agentes de saúde passaram por capacitação para orientar pais e responsáveis sobre a importância da coleta dentro do prazo recomendado. Materiais informativos também foram distribuídos em hospitais e unidades básicas. A SES lembra que, embora o exame possa ser realizado até os 30 dias de vida, a janela ideal entre o terceiro e o quinto dia maximiza a sensibilidade dos testes.

O próximo passo do programa é ampliar a cobertura de contraprovas e de exames confirmatórios, assegurando que todos os casos suspeitos sejam acompanhados. Para isso, o estado mantém parceria com o Ministério da Saúde e avalia a aquisição de novos equipamentos de espectrometria de massa, técnica capaz de identificar dezenas de biomarcadores em uma única análise.

Segundo projeções da Vigilância em Saúde, a versão expandida do teste do pezinho deve evitar complicações graves em centenas de crianças ao ano, poupando custos subsequentes em internações e tratamentos prolongados. O investimento inicial no programa, justificam técnicos da secretaria, é compensado pela redução de gastos em média e alta complexidade.

Com a inclusão do teste ampliado na rotina do SUS, Mato Grosso do Sul reforça a política de triagem neonatal e se alinha às diretrizes nacionais que preveem, até 2026, a oferta do mesmo painel em todo o país. A orientação para os pais permanece a mesma: procurar a unidade de saúde mais próxima entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê e garantir a coleta, passo decisivo para um início de vida mais saudável.