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Suspeito de aplicar mais de 30 golpes na venda de veículos é preso em Campo Grande

Um homem investigado por fraudar a venda de automóveis e causar prejuízo a dezenas de proprietários foi preso nesta quarta-feira (29) em Campo Grande, após a Justiça determinar sua prisão preventiva. De acordo com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o suspeito é apontado como responsável por pelo menos 30 golpes cometidos em um período de pouco mais de dois meses.

As primeiras denúncias chegaram à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários no início de janeiro. Na ocasião, vendedores que haviam entregue seus carros relataram que não receberam o pagamento combinado. A partir desses relatos, os investigadores passaram a coletar documentos, ouvir testemunhas e rastrear o caminho dos veículos envolvidos.

Segundo o inquérito, o investigado se apresentava como proprietário de três garagens de revenda na capital sul-mato-grossense. Com esse argumento, abordava pessoas interessadas em comercializar seus automóveis, prometendo compradores já definidos e a conclusão rápida da transação. Para ganhar a confiança das vítimas, alegava que os veículos precisariam passar por vistorias relacionadas à liberação de financiamento ou de cartas de crédito.

O procedimento descrito pelos investigadores consistia em solicitar que o automóvel fosse deixado nas supostas lojas, sob a justificativa de agilizar a vistoria e, em seguida, finalizar a venda. Depois que o carro era entregue, o pagamento ao verdadeiro proprietário era sucessivamente adiado. Em alguns casos, o suspeito apresentava comprovantes bancários agendados ou outros documentos que indicavam transferência em andamento, mas o dinheiro jamais era creditado.

Com o veículo já em poder do investigado, o passo seguinte era repassar o bem a terceiros. Os valores obtidos nessas revendas não eram repassados aos donos originais, que ficavam sem o automóvel e sem o dinheiro. Até o momento, mais de trinta vítimas já foram formalmente identificadas, mas a Polícia Civil não descarta a possibilidade de novos registros à medida que outras pessoas reconheçam o modus operandi descrito no inquérito.

A investigação reuniu elementos como contratos de compra e venda, mensagens trocadas entre o suspeito e as vítimas, registros de transferência de propriedade junto aos órgãos de trânsito e depoimentos de pessoas que adquiriram os veículos posteriormente. Com base nesse material, o Ministério Público opinou pela necessidade da prisão preventiva, argumentando risco de continuidade delitiva e possibilidade de prejudicar a coleta de provas. A Justiça acatou o pedido e expediu o mandado.

O cumprimento da ordem judicial ocorreu quando o investigado se apresentou voluntariamente na delegacia especializada, acompanhado de advogados. Após as formalidades, ele foi encaminhado a uma unidade de custódia, onde permanece à disposição do Judiciário. A defesa, segundo a polícia, foi informada sobre o andamento do processo e sobre a possibilidade de apresentar requerimentos para eventuais medidas alternativas, o que dependerá de avaliação do magistrado responsável.

Os trabalhos da delegacia prosseguem em três frentes: identificar eventuais cúmplices, rastrear o destino dos valores obtidos e localizar os veículos transferidos a terceiros. Segundo os investigadores, parte dos automóveis já foi localizada em outras cidades, e há diligências em curso para recuperar os bens e devolvê-los aos proprietários originais ou, ao menos, ressarcir parte dos prejuízos. A Polícia Civil orienta pessoas que tenham realizado transações semelhantes com o acusado a procurarem a unidade especializada para prestar depoimento e apresentar documentos que sustentem eventuais reclamações.

Em paralelo, a autoridade policial trabalha em conjunto com o Ministério Público para avaliar se as condutas configuram apenas estelionato ou se há outros delitos conexos, como falsidade ideológica ou lavagem de dinheiro, já que os valores recebidos pelo investigado teriam sido movimentados em contas de terceiros. O inquérito segue sob sigilo parcial enquanto são analisados dados bancários e documentos fiscais apreendidos no curso das buscas.

Não há prazo definido para a conclusão das investigações. A Polícia Civil reforça que, após o término do inquérito, o relatório será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia. Enquanto isso, as vítimas reconhecidas já podem ingressar com ações cíveis para tentar reaver os prejuízos, paralelamente ao processo criminal em andamento.

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