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Técnicos administrativos da UFGD paralisam atividades por tempo indeterminado em adesão à greve nacional

Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) cruzaram os braços a partir desta segunda-feira, 2 de março, dando início a uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais (SINTEF) e acompanha o movimento coordenado pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA), que instalou, na mesma data, seu Comando Nacional de Greve.

De acordo com o SINTEF, a categoria manterá apenas os serviços considerados essenciais, conforme prevê a legislação, mas alerta que o funcionamento pleno da universidade depende da reabertura de negociações com o Governo Federal. A entidade sindical reivindica o cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve firmado em 2024 com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), alegando que pontos pactuados não foram respeitados.

Motivação e contexto

Entre os fatores que desencadearam o movimento está a tramitação do Projeto de Lei 6.170/2025, encaminhado pelo Executivo à Câmara dos Deputados. O texto foi apreciado em regime de urgência e, segundo os servidores, desconsidera as propostas técnicas elaboradas pela Comissão Nacional de Supervisão de Carreira (CNSC), violando a Cláusula Quarta do acordo de 2024. A proposição estabelece um modelo restrito de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e, após aprovação na Câmara, segue em análise no Senado sob a identificação PRLP 01.

O sindicato sustenta que a ausência de diálogo durante a formulação do projeto e o descumprimento de compromissos anteriores colocaram a categoria em rota de colisão com o governo. Para os trabalhadores, a greve tornou-se o último recurso diante do que classificam como intransigência na mesa de negociações.

Principais reivindicações

A pauta apresentada pelo Comando Nacional de Greve da FASUBRA e ratificada pelos servidores da UFGD inclui, entre outros pontos:

  • Jornada de 30 horas semanais sem redução salarial para todos os cargos, além da garantia do chamado Plantão 1.260;
  • Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) em formato amplo, contemplando aposentados, pensionistas e servidores com doutorado, conforme proposta inicial da CNSC;
  • Direitos para aposentados e pensionistas, com aceleração de processos administrativos e reposicionamento nas faixas da carreira;
  • Concursos públicos imediatos para tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais (TILSP) – nível E;
  • Manutenção da matriz única de carreira, preservando o nível E como referência e o step único e constante;
  • Combate à terceirização e retirada de dispositivos do PL 6.170/2025 que possibilitam substituir cargos do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE);
  • Democracia interna nas instituições federais, com eleições diretas e, no mínimo, paritárias para reitoria, fim da lista tríplice e permissão para que servidores técnico-administrativos ocupem cargos de direção, inclusive o de reitor.

Impacto na rotina universitária

Os técnico-administrativos atuam em áreas estratégicas da UFGD, como bibliotecas, laboratórios, setores administrativos e o hospital universitário. A suspensão das atividades atinge serviços essenciais ao cotidiano acadêmico, embora o sindicato afirme que equipes mínimas serão mantidas para não comprometer procedimentos que envolvam segurança, saúde e integridade de pessoas e instalações.

Com a paralisação, atendimentos administrativos, protocolos, suporte técnico, manutenção de laboratórios e operações de biblioteca devem sofrer redução significativa. Calendários de aulas e de pesquisa podem enfrentar ajustes, dependendo da duração do movimento e do avanço das negociações em Brasília.

Próximos passos

O Comando Local de Greve continuará a se reunir na sede do SINTEF para avaliar o andamento das tratativas com o governo federal e articular atividades de mobilização. Assembleias semanais estão previstas para atualizar a categoria sobre eventuais contrapropostas apresentadas pelos ministérios responsáveis.

Enquanto isso, o Comando Nacional de Greve da FASUBRA pretende intensificar contatos com parlamentares no Senado na tentativa de alterar o conteúdo do PRLP 01. A federação também busca agendar reuniões com o MGI para discutir a aplicação do acordo de 2024 e o futuro do Plano de Carreira dos técnico-administrativos.

Não há prazo definido para o encerramento da paralisação. Segundo o SINTEF, a greve somente será suspensa quando houver garantias formais de atendimento às reivindicações consideradas prioritárias pela categoria.

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