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Telemedicina reduz filas e amplia atendimento especializado no SUS de Mato Grosso do Sul

A adoção estruturada de soluções de saúde digital em Mato Grosso do Sul tem remodelado o acesso a serviços especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao longo de 2025, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) expandiu modalidades como tele-eletrocardiograma (tele-ECG), teledermatologia, teleoftalmologia, teleconsultas, teleinterconsultas e teleconsultorias, aumentando a resolutividade do atendimento nas Unidades Básicas e diminuindo a necessidade de deslocamento de pacientes para centros de referência.

Expansão do tele-ECG consolida atendimento descentralizado

Principal iniciativa do pacote digital, o tele-ECG registrou 84.880 exames entre janeiro e dezembro de 2025. O procedimento é realizado nas unidades municipais, onde o traçado do eletrocardiograma é captado e transmitido on-line a cardiologistas vinculados ao Núcleo de Telessaúde. O laudo retornado em curto prazo permite diagnóstico imediato de arritmias, isquemias e outras alterações, além de orientar o início precoce do tratamento. Com essa dinâmica, a demanda por encaminhamentos presenciais diminuiu de forma significativa, contribuindo para aliviar as filas de regulação.

Segundo monitoramento do Ministério da Saúde, todos os 79 municípios sul-mato-grossenses já dispõem de alguma oferta de telessaúde. Dessas cidades, 60 utilizam rotineiramente o tele-ECG, número que coloca a ferramenta entre as mais disseminadas da rede pública estadual.

Outras frentes de telediagnóstico

A política de saúde digital também inclui a teledermatologia, presente em 28 municípios. Por meio desse serviço, lesões cutâneas são fotografadas com câmeras de alta resolução e analisadas remotamente por dermatologistas, alcançando diagnóstico em tempo médio inferior a 72 horas. Na oftalmologia, oito municípios participaram de campanha itinerante que possibilitou 954 exames, voltados principalmente à detecção de retinopatia diabética e glaucoma.

No campo das teleinterconsultas, que conectam profissionais da Atenção Primária a especialistas para discussão de casos clínicos, foram contabilizados 18.630 atendimentos em 2025. Essa modalidade fornece suporte em áreas como cardiologia, endocrinologia, pneumologia, neurologia, pediatria, psiquiatria, nefrologia, infectologia e obstetrícia de alto risco, reduzindo incertezas diagnósticas e otimizando a linha de cuidado.

Resultados na regulação e na atenção básica

O impacto das ferramentas digitais é perceptível nos indicadores de regulação estadual. Quatorze municípios registraram elevado índice de resolutividade local, com queda expressiva — em alguns casos, eliminação — da demanda reprimida por consultas presenciais em especialidades. Integram esse grupo Caracol, Aquidauana, Pedro Gomes, Brasilândia, Coxim, Fátima do Sul, Angélica, Anastácio, Deodápolis, Rio Negro, Sidrolândia, Selvíria, Vicentina e Bandeirantes.

Para a vice-titular da SES, Crhistinne Maymone, o desafio nos próximos meses é consolidar o uso permanente das plataformas digitais, incorporando protocolos específicos aos fluxos de trabalho. A superintendente de Saúde Digital, Marcia Tomasi, acrescenta que a prioridade atual é qualificar o aproveitamento da infraestrutura já instalada, ao mesmo tempo em que se busca manter equipes treinadas e engajadas.

Estrutura e integração de dados

A implantação segue os eixos do Programa SUS Digital, que compreendem cultura de inovação e educação permanente, desenvolvimento de soluções tecnológicas e interoperabilidade das informações clínicas. O objetivo é evitar sistemas isolados, garantindo que os dados coletados nas unidades municipais alimentem prontuários eletrônicos com padrão nacional de segurança e privacidade.

Nesse contexto, o Núcleo de Telessaúde estadual atua como central técnica. Além de emitir laudos e orientar condutas, o núcleo mantém agenda de capacitações para profissionais da atenção básica, reforçando o uso correto dos equipamentos, a padronização de registros e o cumprimento das diretrizes de proteção de dados dos pacientes.

Modalidades de atendimento direto ao paciente

As teleconsultas, modalidade em que o especialista conversa virtualmente com o usuário, complementam a estratégia. A ligação em vídeo ou telefone, mediada por plataforma segura, amplia o alcance de áreas de difícil provimento de mão de obra, como psiquiatria e endocrinologia. Esse formato também contribui para seguimento clínico de usuários crônicos, diminuindo interrupções de tratamento motivadas por barreiras geográficas.

Perspectivas para 2026

Com a base de infraestrutura instalada e a cobertura já superior a 75% nas principais modalidades de telediagnóstico, a SES planeja para 2026 ampliar a teleoftalmologia de forma continuada, inserir exames de espirometria digital em unidades que atuam no controle da asma e reforçar a integração com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para troca imediata de informações em casos cardiológicos.

A experiência sul-mato-grossense reforça a diretriz federal de expansão da telessaúde como ferramenta para reduzir desigualdades no acesso e otimizar recursos. Ao manter a estrutura operacional e investir em qualificação, o estado busca consolidar ganhos obtidos em 2025, garantindo atendimento ágil, descentralizado e tecnicamente respaldado à população usuária do SUS.

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