A senadora Tereza Cristina afirmou que a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, enfrenta um volume de cobranças superior ao que seria proporcional aos problemas da cidade. Em entrevista ao PodCast RCN67, a parlamentar reconheceu dificuldades em áreas como infraestrutura viária e saúde pública, mas atribuiu grande parte do desgaste político a questões herdadas de administrações anteriores e a um processo interno de reorganização ainda em curso na prefeitura.
Ao comentar o cenário da Capital sul-mato-grossense, a senadora disse que a chefe do Executivo municipal assumiu uma máquina “em andamento” e precisou promover mudanças sem interromper serviços essenciais. Segundo Tereza Cristina, a continuidade administrativa exigiu ajustes em estruturas consideradas antigas, o que, na avaliação dela, ampliou a complexidade da gestão e contribuiu para críticas mais intensas.
Entre os problemas destacados, a presença de buracos nas ruas é apontada como fator que afeta diretamente o cotidiano dos moradores e alimenta a insatisfação popular. A senadora reconheceu que a situação causa desgaste político, mas ressaltou que a malha asfáltica de Campo Grande é “muito envelhecida” e que o período de chuvas agravou um passivo acumulado ao longo de anos. Para ela, as ações de tapa-buraco são indispensáveis no curto prazo, porém não solucionam de forma definitiva a deterioração do pavimento.
De acordo com a parlamentar, será necessário avançar para um programa de recuperação mais profunda da infraestrutura viária, inclusive com recapeamentos de grande escala. Ela argumentou que tal iniciativa exige recursos significativos e planejamento de longo prazo, condições que, na visão dela, extrapolam a responsabilidade única da administração atual.
Outro ponto central mencionado na entrevista foi a pressão sobre a rede municipal de saúde. Tereza Cristina lembrou que Campo Grande atende pacientes vindos de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, o que, segundo ela, pressiona a capacidade orçamentária do município além do previsto. Esse fluxo, acrescentou, explica por que a prefeitura destina ao setor percentual acima do mínimo constitucional exigido dos cofres locais.
Para aliviar as filas, especialmente de cirurgias eletivas, a senadora relatou o envio de emendas parlamentares direcionadas à área e destacou a previsão de novos repasses. A expectativa é reduzir o tempo de espera dos pacientes e melhorar a oferta de procedimentos que ficaram represados, considerando o aumento da demanda regional.
Ainda que tenha feito defesa enfática da prefeita, Tereza Cristina admitiu pontos de fragilidade na gestão. Ela avaliou que a comunicação institucional precisa ser aprimorada a fim de que a população tenha clareza sobre ações em andamento e projetos futuros. Na opinião da senadora, a ausência de informação detalhada amplia o desgaste político e facilita a propagação de críticas, muitas vezes sem o devido contexto.
Tereza Cristina também introduziu o debate sobre gênero, ao afirmar que mulheres na política continuam enfrentando cobranças mais duras e manifestações de preconceito em determinados ambientes. Para ela, esse fator contribui para o aumento da pressão sobre Adriane Lopes e pode influenciar o tom dos questionamentos dirigidos à administração municipal.
Durante a entrevista, a parlamentar reforçou que não ignora os problemas enfrentados pela Capital, mas considera necessário situá-los em um quadro de dificuldades estruturais herdadas. Ela classificou o momento como um “teste importante” tanto para a prefeitura quanto para a cidade, argumentando que a reorganização interna exige tempo e colaboração entre diferentes esferas de governo.
A senadora ressaltou que a busca por soluções, especialmente nas áreas de infraestrutura e saúde, depende do engajamento de parlamentares e de parcerias com o governo estadual e federal. Nesse sentido, apontou o envio de emendas como parte de um esforço maior para atrair recursos e destravar projetos que possam melhorar a qualidade de vida dos moradores.
Ao concluir a exposição, Tereza Cristina reiterou que as críticas são legítimas, porém devem levar em conta o contexto de transição vivido pela gestão de Adriane Lopes. Segundo ela, o debate público precisa considerar a extensão dos desafios estruturais de Campo Grande, a necessidade de investimentos de longo prazo e a importância de uma comunicação mais eficiente para que resultados alcançados ou planejados se tornem visíveis à sociedade.









