A senadora Tereza Cristina avalia que o Brasil chegará a 2026 pressionado simultaneamente por fatores externos e por um cenário doméstico marcado pela polarização política. A análise foi apresentada em entrevista a um podcast, na qual a parlamentar descreveu um conjunto de elementos que, em sua opinião, tende a tornar o próximo ciclo eleitoral especialmente conturbado.
Para a senadora, o primeiro vetor de instabilidade é o conflito em curso no Oriente Médio. Ela destacou a relevância estratégica dos países envolvidos na região na produção mundial de petróleo e gás, lembrando que eventuais restrições de oferta já se refletem em preços mais elevados desses insumos. Segundo sua avaliação, esse encarecimento chega ao consumidor brasileiro por meio da cadeia de combustíveis e de energia elétrica, elevando custos de transporte, logística e, consequentemente, do setor produtivo.
Tereza Cristina considera que essa pressão inflacionária pode afetar diretamente o humor do eleitorado em 2026. Na visão dela, aumentos de preços tendem a influenciar a percepção de bem-estar econômico e, por extensão, o julgamento que os eleitores fazem do governo e das propostas apresentadas pelos candidatos. Por esse motivo, a guerra deixa de ser um assunto restrito à política externa e passa a ocupar lugar central no debate interno, com potencial de agravar disputas políticas já polarizadas.
A senadora acrescentou que o calendário do ano eleitoral terá uma particularidade: coincidirá com a Copa do Mundo de futebol e com um número elevado de feriados. Ela observou que esse acúmulo de eventos pode fragmentar a atenção pública, dificultando a consolidação de narrativas políticas e aumentando o volume de informações concorrentes. O resultado, na avaliação da parlamentar, será um ambiente mais ruidoso, em que temas econômicos, esportivos e eleitorais disputam espaço na agenda nacional.
No plano estritamente político, Tereza Cristina considera que a sociedade brasileira permanece dividida em polos opostos, e que a eleição presidencial tende a reproduzir o embate observado em pleitos recentes. Embora não pretenda concorrer a cargo majoritário em 2026, a senadora anunciou que pretende atuar de forma ativa no processo, especialmente por exercer a presidência estadual do Progressistas (PP) em Mato Grosso do Sul.
A dirigente partidária afirmou que o PP tem três metas principais no Estado: assegurar vagas na Câmara dos Deputados, ampliar a representação na Assembleia Legislativa e transformar a federação firmada com o União Brasil em uma base de poder efetiva. De acordo com ela, o desempenho nessas frentes será decisivo para a influência do partido nas negociações nacionais do próximo governo, qualquer que seja o resultado das urnas.
Ao explicar por que considera 2026 um ano delicado, Tereza Cristina enfatizou a combinação entre pressão externa — representada pela guerra e pelo encarecimento da energia — e tensão interna — simbolizada pela polarização política e pela disputa eleitoral. Na opinião da senadora, esses elementos podem se retroalimentar: a instabilidade internacional encarece custos, o aumento de preços aprofunda insatisfações internas, e o clima de divisão dificulta a construção de consensos para enfrentar os desafios econômicos.
Ela também chamou a atenção para possíveis impactos sobre cadeias produtivas importantes para o país. Segundo sua leitura, oscilações nos preços do petróleo e do gás podem atingir desde o agronegócio, dependente de combustíveis para escoamento da produção, até a indústria, que utiliza derivados como matéria-prima ou fonte de energia. Dessa forma, a guerra converte-se em variável concreta da política econômica brasileira, impondo ao próximo governo uma agenda de contenção de custos e de garantia de abastecimento.
Dentro desse quadro, a senadora avalia que a formulação de propostas eleitorais precisará considerar dois pontos fundamentais. O primeiro é a necessidade de amortecer a transmissão dos preços internacionais de energia para o mercado interno, seja por mecanismos de regulação, seja por políticas de subsídio focalizado. O segundo é a importância de preservar a segurança jurídica e a previsibilidade fiscal, fatores que, segundo ela, influenciam a disposição de investidores em incrementar a oferta de gás e de renováveis no país.
Por fim, Tereza Cristina reiterou que, embora a coincidência de eleições, Copa do Mundo e feriados não tenha o mesmo peso de uma crise geopolítica, esse conjunto de eventos amplia a sensação de volatilidade. Para a parlamentar, qualquer episódio que altere a expectativa de consumidores ou de agentes econômicos — de uma variação brusca no preço do combustível a resultados esportivos que afetem o ânimo popular — pode interferir na dinâmica de campanha, reforçando a imprevisibilidade do pleito.
Com a conjunção de guerra, custos de energia, intensa agenda de eventos e cenário político polarizado, a senadora concluiu que 2026 exigirá das forças partidárias capacidade de articulação interna e preparo para lidar com choques externos. Ela afirmou que o Progressistas pretende se posicionar como interlocutor relevante nesse contexto, condicionando sua estratégia eleitoral à busca de representação robusta em Brasília e ao fortalecimento das bases estaduais.









