O serviço público de saúde de Campo Grande vem utilizando um teste rápido para hanseníase como estratégia para identificar, em até 15 minutos, a exposição de pessoas que convivem de forma próxima e prolongada com pacientes diagnosticados. Implantado no Sistema Único de Saúde (SUS) há três anos, o exame já foi aplicado em 93 contactantes na capital sul-mato-grossense e, segundo o monitoramento municipal, todos os resultados foram negativos até o momento.
A ampliação do rastreio ocorre durante o Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre a doença. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos, o que reforça a importância da detecção precoce e do acompanhamento de indivíduos expostos ao Mycobacterium leprae, agente causador da infecção.
Como funciona a triagem
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o teste é oferecido após avaliação clínica realizada na unidade básica. O procedimento é indicado quando não há lesões ou quando os sinais são insuficientes para concluir o diagnóstico. Nessa situação, a amostra sanguínea é coletada e analisada no próprio local, com liberação do resultado em menos de um quarto de hora.
Caso o exame aponte exposição à bactéria, o contactante passa a ser acompanhado por cinco anos. Durante esse período, a equipe de saúde verifica periodicamente a presença de manchas, alterações de sensibilidade ou outros indícios típicos, permitindo iniciar o tratamento antes da instalação de sequelas.
Dados locais da doença
No último ano, Campo Grande registrou 35 novos casos de hanseníase. Paralelamente, 68 pacientes permaneceram em acompanhamento; 54 apresentavam múltiplas lesões no momento do diagnóstico e 14 tinham apenas uma ou poucas manchas. Os números indicam que boa parte dos diagnósticos ainda ocorre em estágio avançado, quando existe maior risco de comprometimento neurológico e deformidades.
O município destaca que a transmissão se dá por via respiratória, por meio da fala, tosse ou espirro de pessoas doentes sem tratamento. No entanto, para que haja contágio é necessário contato próximo e prolongado, como residir na mesma casa ou dividir diariamente o ambiente de trabalho. Por isso, familiares, colegas de quarto e parceiros de longa data compõem o principal grupo de risco e devem ser avaliados de forma rotineira.
Tratamento e prevenção
O teste rápido, o diagnóstico completo e o tratamento são ofertados gratuitamente pelo SUS. Seguir corretamente o esquema terapêutico é fundamental, pois a transmissão costuma ser interrompida 24 horas após o início da medicação, desde que o paciente não abandone o ciclo indicado.
A Sesau orienta que o acompanhamento dos pacientes, bem como a investigação dos contactantes, aconteça na própria unidade de saúde de referência. Quando surge um novo caso confirmado, os profissionais buscam mapear quem manteve convivência diária com o doente, convidando essas pessoas para avaliação clínica e, se necessário, para a aplicação do teste rápido.
Sinais de alerta
Os especialistas recomendam procurar atendimento ao perceber qualquer um dos sinais a seguir, principalmente quando há histórico de convivência com casos confirmados:
- manchas avermelhadas, acastanhadas ou esbranquiçadas na pele;
- diminuição da sensibilidade ao calor, dor ou toque na região afetada;
- redução de pelos e suor sobre a mancha;
- perda de força muscular em face, mãos ou pés;
- aparecimento de nódulos que podem ser dolorosos e avermelhados.
Segundo a Sesau, a notificação oportuna desses sintomas possibilita confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento célebre, evitando incapacidades permanentes. Além disso, a identificação rápida contribui para a quebra da cadeia de transmissão dentro dos núcleos familiares e comunitários.
O teste rápido, aliado à vigilância clínica de longo prazo, vem se consolidando como instrumento essencial no controle local da hanseníase. A expectativa da rede municipal é manter a oferta do exame nas unidades básicas, reforçando a busca ativa de contactantes e intensificando, ao longo de 2024, as ações educativas voltadas à população mais exposta.









