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Trabalhador é baleado em marcenaria e suspeita de engano é investigada em Campo Grande

Um marceneiro de 46 anos foi atingido por disparos de arma de fogo enquanto exercia suas atividades em uma oficina da Vila São Jorge da Lagoa, em Campo Grande, na noite de terça-feira (6). Segundo registro policial, o ataque foi executado por um homem que usava capacete, entrou sozinho no local e atirou diversas vezes, possivelmente com uma pistola calibre .380. A vítima, ferida no tórax e no braço esquerdo, foi socorrida em estado grave, mas consciente, e transferida para a Santa Casa da capital.

O estabelecimento fica na Rua Polônia e, no momento do crime, somente o funcionário baleado estava presente. Conforme o relato prestado à Polícia Civil, o atirador chegou, mirou em direção ao trabalhador e iniciou a sequência de disparos. O homem tentou se proteger correndo para os fundos da marcenaria, porém acabou alvejado antes de alcançar um ponto seguro. Mesmo após a tentativa de fuga, os tiros continuaram, indicando a intenção de feri-lo ou matá-lo.

Testemunhas contaram que o autor deixou o imóvel imediatamente após a ação e subiu na garupa de uma motocicleta vermelha, conduzida por um segundo indivíduo que o aguardava do lado de fora. Ambos fugiram sem levar qualquer objeto ou valor, e ainda não foram identificados. Nenhum equipamento da oficina foi danificado além de marcas de projéteis em portas e móveis.

Ferido, o trabalhador conseguiu retornar à parte frontal do prédio, onde um vizinho prestou os primeiros socorros e o conduziu ao posto de saúde da Coophavilla. Avaliado pela equipe médica, apresentava perfuração próxima ao peito, saída lateral e lesão no braço, além de queixar-se de dores intensas e dificuldade para respirar. Diante da gravidade, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para realizar a transferência à Santa Casa de Campo Grande.

Durante o deslocamento, o paciente permaneceu consciente e orientado. Na unidade de referência, passou por avaliação de urgência, exames de imagem e procedimentos para contenção de hemorragia. A instituição hospitalar não divulgou boletim detalhado, mas informou que o estado de saúde inspira cuidados, embora o quadro seja considerado estável após atendimento inicial.

Depoimento aponta possível erro de alvo

Em declaração à polícia ainda no posto de saúde, a vítima afirmou não ter inimigos, dívidas pendentes nem histórico de envolvimento em conflitos judiciais ou criminais. Ele disse acreditar que os disparos não se destinavam a ele, mas, possivelmente, a outra pessoa ligada ao estabelecimento. O trabalhador relatou possuir semelhança física com o proprietário da marcenaria e com o irmão do dono, que também atua no negócio. No momento do ataque, ambos estavam ausentes: o proprietário viajava para Santa Catarina e o irmão não havia comparecido ao expediente.

A hipótese de engano ganhou relevância durante as primeiras conversas com investigadores, mas ainda não há elementos conclusivos sobre motivação ou autoria. As características informadas, como o uso de capacete pelo atirador e a fuga rápida em motocicleta, dificultam a identificação. As autoridades pretendem analisar câmeras de segurança instaladas em residências vizinhas a fim de localizar imagens dos suspeitos antes ou depois da ação.

Equipes da Polícia Militar isolaram a área logo após o crime para preservação de vestígios. A perícia científica recolheu cápsulas deflagradas, mediu trajetórias dos projéteis e registrou marcas nas superfícies internas da marcenaria. Os materiais coletados serão encaminhados ao laboratório responsável, que deverá indicar o calibre exato da arma e, se possível, relacionar os cartuchos a eventuais casos anteriores.

O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Cepol como tentativa de homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima. O inquérito ficará sob responsabilidade da Polícia Civil, que abriu diligências para localizar testemunhas, reunir imagens e ouvir os demais funcionários do estabelecimento.

A corporação também pretende apurar se o proprietário ou familiares receberam ameaças recentes. Até o momento, não há confirmação de vingança, cobrança de dívidas ou outro tipo de motivação econômica. Agentes buscam informações em hospitais, oficinas mecânicas e locais de comércio de peças para motocicletas, na tentativa de rastrear a dupla envolvida.

Os investigadores destacam que, embora nenhum suspeito tenha sido preso ou identificado, o depoimento da vítima e de moradores deve auxiliar na elaboração de um retrato-falado do atirador. A cor e o modelo aproximado da moto também serão comparados com registros de furtos, roubos e abordagens realizadas pela Polícia Militar nas últimas semanas.

Moradores da Vila São Jorge da Lagoa afirmam que o bairro costuma ser tranquilo, com ocorrências mais frequentes de furtos a residências do que de crimes violentos. O ataque, no entanto, repercutiu entre comerciantes locais, que demonstraram preocupação e solicitaram rondas ostensivas no período noturno.

Até a conclusão desta reportagem, o trabalhador permanecia internado e recebia acompanhamento de equipe multiprofissional. A Polícia Civil reforça que qualquer informação sobre os suspeitos pode ser encaminhada de forma anônima pelos canais de denúncia, contribuindo para o avanço das investigações.

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