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Justiça mantém prisão e autor de disparo em barbearia de Dourados é levado para a Penitenciária Estadual

Matheus de Souza Gaúna, de 26 anos, permanece detido após decisão proferida em audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (19) em Dourados, Mato Grosso do Sul. O juiz converteu a prisão em flagrante em preventiva e determinou a transferência imediata do investigado para a Penitenciária Estadual de Dourados (PED), onde ele aguardará o andamento processual.

O caso envolve o assassinato de Leandro Cáceres Quintana, de 22 anos, morto por um tiro na última sexta-feira (16) dentro de uma barbearia localizada no bairro Jardim Márcia. Segundo o Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil, o autor e a vítima eram amigos e se conheciam há anos, já que Matheus frequentava o estabelecimento administrado pela família de Leandro.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Lucas Albe, o disparo ocorreu durante um desentendimento que começou minutos antes do crime. Matheus discutia com um terceiro frequentador da barbearia. A divergência teria como pano de fundo um conflito anterior: o irmão de Matheus foi preso em 2025, apontado como mandante do homicídio do primo do homem que participava da discussão na última sexta-feira.

A polícia relata que, no auge do atrito verbal, Matheus sacou um revólver que estava em sua cintura, se aproximou do alvo pretendido e engatilhou a arma. No entanto, o tiro não atingiu o homem com quem mantinha o desentendimento. O projétil acertou Leandro Cáceres Quintana no peito, causando sua morte ainda no local. O delegado enfatiza que a vítima fatal não era o objetivo inicial do disparo.

Com o crime consumado, agentes da Polícia Militar foram acionados e prenderam Matheus em flagrante nas proximidades da barbearia. O revólver utilizado foi apreendido e enviado para perícia, que deverá identificar calibre, número de disparos e possível origem da arma. A versão apresentada pelo suspeito está sendo confrontada com depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras de segurança instaladas nas redondezas.

Na audiência de custódia, o Ministério Público estadual opinou pela manutenção da detenção, argumentando que a liberdade do investigado poderia dificultar a coleta de provas e representar risco para a ordem pública. O juiz concordou com a tese ministerial e converteu a prisão em flagrante em preventiva, medida que não possui prazo determinado e pode ser revista ao longo do processo.

Com a formalização da prisão preventiva, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública providenciou a transferência do investigado para a Penitenciária Estadual de Dourados. A unidade prisional abriga detentos provisórios e condenados, contando com setores específicos para cada regime e perfil de custodiado. Matheus permanece à disposição do Poder Judiciário enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito.

O delegado Lucas Albe informou que as investigações prosseguem para esclarecer todos os detalhes do homicídio, inclusive o contexto da discussão que antecedeu o disparo e possíveis agravantes. O SIG pretende ouvir novamente as testemunhas que estavam na barbearia, além de requisitar laudos periciais complementares. A autoridade policial não descarta novas diligências para esclarecer a motivação completa do crime.

A família de Leandro Cáceres Quintana foi informada sobre a tramitação do caso e aguarda a conclusão dos trabalhos policiais. Não há, até o momento, pedidos de medidas protetivas ou de segurança adicionais para os envolvidos. O corpo do jovem foi sepultado no sábado (17) em Dourados.

Em relação à arma apreendida, o Instituto de Criminalística deverá emitir laudo nos próximos dias, o que permitirá anexar novo elemento probatório ao inquérito. Caso confirmado que a arma estava regularizada, o delegado adotará os procedimentos cabíveis. Se for identificada origem ilícita, Matheus poderá responder também por porte ilegal.

Conforme o Código Penal, o crime de homicídio simples prevê pena que varia de seis a vinte anos de reclusão. A eventual elevação da pena dependerá de qualificadoras que possam ser identificadas durante a investigação, como motivo fútil ou recurso que dificultou a defesa da vítima. Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público decidirá se oferece denúncia e quais qualificações serão atribuídas.

O prazo inicial para conclusão do inquérito, quando o investigado está preso, é de dez dias, mas pode ser prorrogado mediante decisão judicial. Durante esse período, a Polícia Civil continuará reunindo provas documentais, testemunhais e periciais. A defesa de Matheus poderá apresentar versões e requerer diligências próprias para contribuir com o esclarecimento dos fatos.

Até que a Justiça analise a denúncia e defina a data de uma possível audiência de instrução, Matheus de Souza Gaúna permanecerá custodiado na Penitenciária Estadual de Dourados. As autoridades acompanham o andamento do caso para garantir o cumprimento dos prazos legais e a preservação dos direitos de todas as partes envolvidas.

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