O transporte ferroviário de cargas no Brasil alcançou 555,48 milhões de toneladas úteis (TU) em 2025, crescimento de 2,57% em relação ao volume apurado em 2024. Os dados, divulgados pelo Ministério dos Transportes, marcam o terceiro recorde consecutivo de movimentação pelo modal e reforçam a relevância estratégica da malha ferroviária para a logística interna e para o comércio exterior do país.
O desempenho manteve o minério de ferro como principal produto transportado sobre trilhos. Em 2025, o segmento registrou 401,35 milhões de TU, avanço de 2,72% frente ao ano anterior. A agricultura apresentou o maior ganho proporcional, com elevação de 4,62%, impulsionada, principalmente, pelo embarque de grãos provenientes de Mato Grosso com destino ao Sudeste e aos portos das regiões Sul e Sudeste. Outras mercadorias, agrupadas em categoria diversa, expandiram-se 3,43%, evidenciando a ampliação do mix de cargas atendidas pela malha nacional.
Para o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, os resultados confirmam o papel do setor como “infraestrutura crucial” para o crescimento econômico nos próximos anos. A avaliação da pasta é de que o ritmo de expansão observado desde 2023 reflete a combinação de investimentos públicos, melhorias operacionais promovidas pelas concessionárias e a busca de usuários por rotas mais eficientes, com menores custos de frete e impacto ambiental reduzido.
O governo federal projeta ampliar os aportes no segmento. Somente em 2026, a previsão oficial é de R$ 140 bilhões em investimentos, com a realização de oito leilões de concessões. Ao longo dos anos seguintes, os planos apontam para um total de até R$ 600 bilhões destinados a construção, modernização e manutenção de ferrovias, contemplando novas linhas e a revitalização de trechos ociosos ou subutilizados.
Entre as principais ações programadas está a implementação da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias. O instrumento definirá diretrizes de planejamento, governança e sustentabilidade, padronizando processos de concessão e estabelecendo métricas de desempenho socioambiental. A medida busca conferir maior previsibilidade regulatória e atrair investidores privados dispostos a financiar ativos de longo prazo.
A retomada da Ferrovia Transnordestina figura como outro ponto central da agenda. A obra, que interliga o interior do Nordeste a terminais portuários, alcançou 71% de avanço físico. O cronograma atual indica conclusão da fase 1 em 2027 e da fase 2 em 2028. A expectativa é de que o empreendimento aumente a capacidade de escoamento de grãos, minérios e combustíveis na região, além de reduzir a pressão sobre o modal rodoviário.
No Sudeste, o Ministério dos Transportes abriu chamamento público para utilização do Corredor MinasRio, linha atualmente ociosa. O objetivo é testar um modelo de concessão que possa servir de referência para futuros leilões de até 10 mil quilômetros da malha federal. A proposta inclui a oferta de capacidade compartilhada, permitindo que diferentes operadores disputem slots de circulação mediante tarifa previamente definida.
O volume de recursos já aplicado sinaliza mudança de patamar no setor. Entre 2023 e 2025, os investimentos somaram R$ 40 bilhões, valor 60% superior ao desembolsado no quadriênio 2019-2022. Os aportes contemplaram aquisição de material rodante, modernização de sinalização e expansão de pátios de carga, além de intervenções em pontes, túneis e ramais de acesso a portos.
Do ponto de vista logístico, a maior participação das ferrovias na matriz de transportes tem potencial para reduzir em larga escala a circulação de caminhões em rodovias, contribuir para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e aliviar gargalos em corredores críticos. Para o agronegócio, principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira, o modal ferroviário amplia a competitividade ao oferecer tarifa mais baixa e maior capacidade de carga por viagem. Já no setor mineral, a operação em blocos de longa distância garante regularidade no abastecimento de siderúrgicas e na exportação para mercados asiáticos e europeus.
O cenário para 2026 e anos subsequentes dependerá do ritmo de execução das concessões e da efetivação das fontes de financiamento, mas o governo sustenta que a combinação de recordes sucessivos e carteira robusta de projetos cria bases sólidas para que a ferrovia mantenha trajetória ascendente. Caso as metas de investimento se confirmem, a pasta estima que o modal poderá ampliar sua participação na matriz de transporte de cargas do país, hoje próxima de 21%, para patamar próximo de 30% em uma década.








