A Secretaria Municipal de Saúde de Três Lagoas promoveu na manhã de ontem uma blitz educativa na Praça Ramez Tebet com o objetivo de reforçar medidas de prevenção contra escorpiões e reduzir o número de acidentes. A mobilização incluiu distribuição de panfletos e atendimento direto ao público, conduzidos por profissionais da Vigilância em Saúde, equipes de Endemias, setor de Entomologia e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
De janeiro até o momento, o município já contabilizou 157 ocorrências de picadas, enquanto em 2023 foram registrados 942 atendimentos relacionados ao animal peçonhento. A Secretaria alerta que o período de clima quente e chuvoso favorece a proliferação do aracnídeo, exigindo maior atenção da população.
Orientações baseadas nos “4 As”
Durante a ação, a coordenadora de Promoção da Saúde, Aline Martins, reiterou que a estratégia de prevenção passa pela eliminação de acesso, alimento, água e abrigo para o escorpião. Ela detalhou as recomendações em quatro eixos:
Acesso: vedar portas e frestas, além de instalar telas ou tampas nos ralos.
Alimentação: controlar a presença de baratas, principal fonte de alimento do animal.
Água: evitar acúmulo de umidade ou reservatórios descobertos.
Abrigo: manter quintais sem entulho, restos de madeira ou materiais de construção.
Os técnicos lembram que barreiras físicas simples, como a popular “cobrinha” de porta, são eficazes para impedir a entrada do aracnídeo nas residências. Também foi reforçada a importância de retirar resíduos que possam servir de esconderijo, em especial em locais pouco movimentados.
Atendimento em caso de picada
O principal sinal de envenenamento é dor intensa no local afetado. A orientação é buscar assistência médica imediata. De segunda a sexta-feira, durante o expediente, o paciente deve dirigir-se à unidade básica de saúde mais próxima. Fora desse horário ou aos fins de semana, o atendimento é feito na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Após receber medicação para controle da dor, o paciente permanece em observação por pelo menos seis horas.
Crianças merecem cuidado redobrado, pois são mais suscetíveis à ação do veneno. Responsáveis devem ficar atentos a choro contínuo ou irritação sem causa aparente e levar a criança rapidamente a um serviço de saúde, mesmo que a marca da picada não seja evidente.
Controle químico não é solução isolada
O coordenador do CCZ, Christovam Bazan, esclareceu que não existe produto químico comercial capaz de eliminar escorpiões de forma eficaz se aplicado apenas no ambiente. Segundo ele, os inseticidas comuns só atingem o animal caso o produto caia diretamente sobre o escorpião no momento da passagem. Por isso, o foco deve estar no controle de baratas e na adoção de barreiras físicas.
Bazan orienta que, ao encontrar escorpiões dentro da residência, o morador acione o CCZ. O órgão presta instruções por telefone e, quando necessário, envia equipe para vistoriar o imóvel e realizar busca ativa na vizinhança, visando localizar a origem da infestação.
Números reforçam necessidade de prevenção
Os 157 acidentes registrados em 2024 indicam tendência de alta no início do período chuvoso. Embora o total anual de 2023 seja expressivamente superior, a Secretaria de Saúde avalia que a repetição de casos no primeiro trimestre exige mobilização constante. A blitz educativa de ontem faz parte de um calendário de ações programadas para os próximos meses, que incluirá visitas domiciliares, palestras em escolas e campanhas nas redes sociais oficiais do município.
As autoridades sanitárias reforçam que a soma de limpeza regular, vedação de espaços e controle de baratas constitui a forma mais efetiva de proteção. Moradores que identificarem focos do aracnídeo ou necessitarem de orientação adicional podem entrar em contato com o CCZ para receber suporte especializado.









