O setor de Vigilância em Saúde de Três Lagoas contabilizou aumento de 42,86% nos diagnósticos de hanseníase entre 2024 e 2025. O município passou de 14 confirmações no ano passado para 20 novos registros até o início de dezembro de 2025, mantendo 24 pacientes em acompanhamento na rede pública. O cenário local reforça a necessidade de intensificar as estratégias de busca ativa e orientações ao longo do Janeiro Roxo, campanha nacional voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da doença.
A mobilização, que ocorre em todo o país durante o primeiro mês do ano, destaca a importância do diagnóstico precoce, da redução do estigma e do fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica. A hanseníase é uma doença infectocontagiosa que continua a representar desafio de saúde pública no Brasil, apesar dos avanços terapêuticos e da oferta de tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica, o agravo mantém caráter endêmico, exigindo acompanhamento permanente das autoridades sanitárias.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos. Em 2024, mais de 22 mil diagnósticos foram registrados em todo o território nacional, número considerado elevado mesmo diante da tendência histórica de redução observada nos últimos anos. As estatísticas consolidadas referentes a 2025 ainda não estavam disponíveis até o fechamento deste levantamento.
Um recorte do Datasus revela que, entre 2016 e agosto de 2025, o país notificou mais de 290 mil ocorrências de hanseníase. No mesmo intervalo, Mato Grosso do Sul contabilizou 4.376 registros, quantidade próxima à população de pequenos municípios do estado. O resultado evidencia que a transmissão persiste em ritmo significativo, exigindo ações coordenadas entre União, estados e municípios.
Em Três Lagoas, a alta de quase 43% nos registros em um ano acendeu o alerta das equipes municipais. Além dos 20 diagnósticos recentes, 24 pessoas permanecem em tratamento ativo. O atendimento inicial costuma ocorrer nas Unidades Básicas de Saúde, classificadas como estabelecimentos de atenção primária. Nessas unidades é feita a avaliação clínica, a coleta de informações epidemiológicas e o início da terapia padronizada, disponibilizada integralmente pelo SUS.
Quando necessário, a rede de atenção encaminha o usuário a serviços de média complexidade, onde especialistas — como cardiologistas ou outros profissionais — avaliam possíveis comorbidades ou complicações. Em situações de maior gravidade, os pacientes podem ser direcionados a centros de alta complexidade, que dispõem de suporte cirúrgico e recursos adicionais, garantindo continuidade do cuidado em todas as etapas.
A Secretaria Municipal de Saúde destaca que o tratamento, oferecido gratuitamente, interrompe a cadeia de transmissão desde a primeira dose, contribuindo para a redução de novos casos. Por essa razão, a identificação precoce permanece como estratégia central da campanha Janeiro Roxo. A pasta orienta a população a procurar a unidade de saúde mais próxima ao perceber sinais suspeitos, evitando a evolução do quadro clínico e a ocorrência de incapacidades físicas.
O Ministério da Saúde reforça que a manutenção de ações educativas e de vigilância ativa nos territórios de maior incidência é decisiva para alcançar metas de eliminação da doença. A pasta também mantém o monitoramento dos indicadores epidemiológicos, atualizando protocolos de manejo e fornecendo insumos terapêuticos a estados e municípios.
Enquanto aguarda a divulgação completa dos dados de 2025, Três Lagoas concentra esforços nas visitas domiciliares, nas capacitações de profissionais da atenção primária e na sensibilização comunitária. A articulada integração entre postos de saúde, centros especializados e hospitais tem o objetivo de garantir atendimento resolutivo, evitando abandono de tratamento e ampliando a cobertura de diagnóstico.
Com a intensificação das atividades do Janeiro Roxo, gestores locais esperam reduzir a detecção tardia e, consequentemente, o número de casos multibacilares — forma clínica associada a maior carga infecciosa. A continuidade das ações ao longo do ano, segundo a Secretaria, será indispensável para frear a progressão da hanseníase no município e contribuir para a meta nacional de controle da doença.









