Três Lagoas manteve a primeira posição entre os municípios exportadores de Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre de 2026. De janeiro a março, o município embarcou US$ 477 milhões em produtos, valor correspondente a cerca de R$ 2,49 bilhões pela cotação média do dólar de R$ 5,23 registrada em março. Apesar da liderança, a receita apresentou retração de 21,89% em comparação com o mesmo intervalo de 2025, quando atingiu US$ 610,7 milhões (aproximadamente R$ 3,51 bilhões, considerando o câmbio médio de R$ 5,75 naquele ano).
Em volume, o desempenho permaneceu praticamente estável: foram 1,21 milhão de toneladas exportadas no primeiro trimestre, contra 1,22 milhão de toneladas 12 meses antes. A pauta de Três Lagoas segue concentrada em celulose, além de carnes e derivados, combinação que sustenta a posição de destaque do município na balança comercial estadual.
Ribas do Rio Pardo mantém segunda colocação
Logo atrás aparece Ribas do Rio Pardo, que respondeu por vendas externas de US$ 302,5 milhões, o equivalente a R$ 1,58 bilhão na mesma conversão cambial. O valor representa queda de 18,64% diante dos US$ 371,8 milhões (cerca de R$ 2,14 bilhões) apurados no primeiro trimestre de 2025. Diferentemente de Três Lagoas, o município registrou também redução no volume exportado, que passou de 727 mil toneladas para 647 mil toneladas.
A celulose domina a pauta de Ribas do Rio Pardo, setor que já faz o município representar aproximadamente 40% do total de embarques desse produto em Mato Grosso do Sul. Ainda assim, a retração de preços no mercado internacional contribuiu para o recuo na receita, mesmo com a manutenção de patamares elevados de volume.
Demais polos exportadores
Entre os principais municípios exportadores do Estado, Dourados ocupou a terceira posição no trimestre, com US$ 248,7 milhões (cerca de R$ 1,30 bilhão). Em seguida aparece Campo Grande, responsável por US$ 191,2 milhões em vendas externas, montante próximo de R$ 1 bilhão.
Considerando os quatro maiores exportadores, Três Lagoas respondeu por 18,94% do total estadual no período. Ribas do Rio Pardo concentrou 12,01%, Dourados 9,87% e Campo Grande 7,59%, evidenciando a forte concentração geográfica do comércio exterior sul-mato-grossense.
Cenário estadual
No agregado, Mato Grosso do Sul exportou US$ 2,51 bilhões entre janeiro e março de 2026, indicando ligeira queda de 1,66% frente ao resultado de igual período do ano anterior. O volume fisicamente embarcado, porém, avançou 11,83%, alcançando 6,82 milhões de toneladas. Os dados constam na Carta de Conjuntura do Setor Externo, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação.
O levantamento aponta que as importações somaram US$ 751,58 milhões, alta de 10,10% na comparação anual. Mesmo com esse aumento, o saldo da balança comercial permaneceu positivo em US$ 1,76 bilhão, embora 5,93% inferior ao registrado no primeiro trimestre de 2025.
A pauta estadual continua concentrada em commodities. Soja, celulose e carne bovina reuniram a maior parte dos embarques no período, reforçando a dependência do Estado de produtos primários. A variação negativa na receita de celulose, item fortemente representado por Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, foi determinante para o recuo financeiro observado, ainda que os volumes permaneçam robustos.
Mercados compradores
A China manteve a liderança entre os destinos das exportações sul-mato-grossenses, com participação de 44,84% no trimestre. Em seguida aparecem os Estados Unidos, responsáveis por 8,58% dos embarques, os Países Baixos, com 4,35%, e a Itália, com 3,0%. A prevalência chinesa reflete a contínua demanda por soja e celulose, principais itens da pauta estadual.
O desempenho do primeiro trimestre mostra que quedas nos preços internacionais e a variação cambial impactaram o valor exportado, mesmo quando o volume físico cresceu ou se manteve estável. As informações reforçam a importância dos municípios celulósicos na dinâmica comercial de Mato Grosso do Sul e indicam que eventuais oscilações de mercado nesse segmento tendem a repercutir diretamente nos resultados gerais do Estado.








