Três Lagoas obteve a liberação de R$ 53 milhões em recursos federais destinados a intervenções de macrodrenagem e ampliação do sistema de contenção de águas pluviais. Os valores integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e foram confirmados após apresentação dos projetos pela administração municipal ao Governo Federal.
Do montante total, R$ 28 milhões serão aplicados na canalização e reestruturação do Córrego da Onça, enquanto R$ 25 milhões cobrirão a construção de uma nova galeria pluvial no Jardim Brasília. As obras buscam reduzir os alagamentos recorrentes em períodos de chuva intensa, fenômeno que se tornou mais frequente segundo a União, em razão das mudanças climáticas.
O Córrego da Onça corta áreas densamente povoadas do município, incluindo um trecho sob a BR-262, e integra a bacia hidrográfica que dá nome à cidade. De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Osmar Dias, a verba liberada cobre a etapa inicial do projeto, priorizando o ponto classificado como mais crítico. Um estudo adicional está em fase final de elaboração para expandir a intervenção a outros segmentos do curso d’água.
No Jardim Brasília, o investimento aprovado pretende concluir a galeria pluvial e reestruturar o sistema de drenagem do bairro. Mesmo após a execução de obras anteriores, como implantação de piscinões, a água da chuva ainda enfrenta dificuldades de escoamento em determinadas vias. A adequação proposta aumentará a capacidade de vazão até o córrego receptor, reduzindo a formação de bolsões de alagamento que afetam residências e vias de circulação.
Além das intervenções lineares, a prefeitura planeja ampliar a rede de reservatórios de amortecimento. Atualmente, dois piscinões operam com sistema inteligente de monitoramento e controle de nível, tecnologia que permite a abertura ou o fechamento de comportas conforme o volume pluviométrico. Outros dez reservatórios deverão receber o mesmo mecanismo, medida que, segundo o Executivo municipal, otimiza a retenção temporária da água e diminui a sobrecarga nas galerias durante picos de precipitação.
O tema voltou ao plenário da Câmara Municipal na sessão de terça-feira, um dia após a chuva que se estendeu da noite de segunda-feira até a madrugada, acumulando mais de 100 milímetros no pluviômetro da prefeitura. Vereadores relataram ocorrências de alagamento em pontos como a baixada do Jardim Alvorada, o bairro São Jorge e o entorno da Lagoa Maior, áreas historicamente vulneráveis.
Durante o debate legislativo, o vereador Adriano César Rodrigues, conhecido como Sargento Rodrigues, reconheceu investimentos já executados, mas apontou a necessidade de ampliar soluções estruturais e aperfeiçoar o sistema de bombeamento para enfrentar eventos de chuva volumosa. O parlamentar cobrou celeridade na aplicação dos recursos recém-aprovados.
Nas mesmas horas de precipitação intensa, equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais realizaram 18 atendimentos, dos quais 10 preventivos, envolvendo apoio a famílias atingidas, limpeza emergencial de galerias e desobstrução de bueiros. Segundo a administração, não houve registro de vítimas, mas algumas residências sofreram infiltrações e danos em móveis.
O prefeito e o secretário de Infraestrutura acompanharam, in loco, a limpeza de galerias pluviais logo após as chuvas. Em nota, o Executivo informou que conclui os trâmites técnicos e documentais para lançar as licitações das obras financiadas pelo PAC. A expectativa é iniciar as intervenções ainda neste semestre, respeitados os prazos legais de contratação.
Conforme os planos do município, a combinação de canalização de córregos, instalação de novas galerias, ampliação dos piscinões e adoção de sistemas inteligentes de monitoramento deve elevar a capacidade de drenagem urbana e reduzir a frequência de alagamentos em bairros críticos. Enquanto as obras não começam, a prefeitura mantém ações de manutenção preventiva, como limpeza periódica de bocas de lobo e conscientização sobre descarte adequado de resíduos, medidas apontadas como complementares para minimizar os impactos das chuvas.
A gestão municipal avalia que o conjunto de investimentos estruturais, aliado ao reforço operacional dos reservatórios de retenção, representa passo decisivo para mitigar riscos de inundações, proteger áreas residenciais e assegurar maior segurança à população durante eventos climáticos extremos.









