Três Lagoas encerrou 2022 com rendimento domiciliar per capita médio de R$ 1.674,66, segundo informações do Censo Demográfico divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse valor, o município ocupa a 14ª posição entre as maiores rendas de Mato Grosso do Sul e permanece abaixo da média estadual, fixada em R$ 1.710.
O rendimento domiciliar per capita corresponde à soma das receitas de todos os residentes em uma mesma moradia dividida pela quantidade de moradores. O índice é utilizado para mensurar a renda disponível por indivíduo e costuma servir de termômetro para as desigualdades socioeconômicas regionais.
No comparativo entre municípios sul-mato-grossenses, Chapadão do Sul registrou o maior resultado, com R$ 2.090,92, seguido de Campo Grande (R$ 2.088,31) e São Gabriel do Oeste (R$ 2.084,65). Essas três localidades lideram o Estado tanto em renda per capita quanto em nível de ocupação, já que, de acordo com o IBGE, mais de 68% de seus moradores com 14 anos ou mais estavam ocupados em 2022. A correlação entre emprego e remuneração é apontada pelo instituto como um dos principais fatores para o desempenho dessas cidades.
Na extremidade oposta do ranking, Mundo Novo (R$ 1.531,14) e Glória de Dourados (R$ 1.559,86) apresentaram os menores rendimentos. A diferença de cerca de 36% entre o maior e o menor valor estadual evidencia o grau de disparidade de renda dentro de Mato Grosso do Sul.
O levantamento mostra ainda que 8,8% dos habitantes do Estado viviam com rendimento mensal domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo em 2022. Por outro lado, 43,9% da população dispunham de valor superior a um salário mínimo. Entre as 27 unidades da Federação, Mato Grosso do Sul aparece entre as seis com maior peso do rendimento do trabalho na composição da renda total dos domicílios: 79,6% do montante recebido tem origem em atividades laborais.
No recorte específico sobre remuneração do trabalho, o rendimento nominal médio mensal de todas as ocupações foi calculado em R$ 2.929,74, oitavo maior do país. Campo Grande concentrou o melhor resultado (R$ 3.450,86), seguida de Chapadão do Sul (R$ 3.362,40) e São Gabriel do Oeste (R$ 3.362,33). O IBGE ressalta que o indicador reflete a qualidade da inserção dos trabalhadores no mercado e está relacionado à estrutura produtiva estadual, caracterizada por agropecuária intensiva, indústria diversificada e setor de serviços em expansão.
Desempenho de Três Lagoas
Embora se mantenha abaixo da média sul-mato-grossense, Três Lagoas supera municípios como Nova Andradina (R$ 1.656,18) e Água Clara (R$ 1.627,25). A posição intermediária decorre de um cenário de industrialização e abertura de vagas formais na região leste do Estado, onde estão instalados complexos de celulose, fábricas de papel e empreendimentos logísticos. Esses investimentos impulsionam o mercado de trabalho local, mas ainda não foram suficientes para elevar o rendimento médio ao patamar das cidades líderes.
O Censo indica que o rendimento do trabalho continua sendo o componente decisivo na renda dos moradores de Três Lagoas, assim como no restante do Estado. Todavia, diferenças na qualificação profissional, na oferta de postos de emprego com carteira assinada e na densidade de atividades de alto valor agregado influenciam diretamente o resultado municipal.
Desigualdade regional
A distância entre os extremos estaduais evidencia a heterogeneidade de oportunidades econômicas em Mato Grosso do Sul. Municípios com base agroindustrial consolidada e parques fabris mais robustos tendem a apresentar rendimento per capita elevado. Já localidades dependentes de atividades primárias de menor produtividade ou com menor nível de formalização do emprego permanecem com indicadores inferiores.
A leitura dos dados do IBGE reforça a necessidade de políticas públicas que estimulem a diversificação produtiva e a qualificação da mão de obra nos municípios de menor renda. Segundo o instituto, ações direcionadas à geração de emprego formal e ao fortalecimento de setores com maior valor agregado podem contribuir para reduzir as disparidades observadas.
Com a divulgação completa dos resultados do Censo 2022, gestores estaduais e municipais poderão utilizar as informações para orientar programas de desenvolvimento econômico e social, estabelecer prioridades orçamentárias e monitorar o impacto de iniciativas já implementadas. No caso de Três Lagoas, os números ajudam a dimensionar desafios e avanços em um contexto de expansão industrial que, embora relevante, ainda não se refletiu plenamente na renda média de seus habitantes.









