A Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul divulgou, nesta sexta-feira (13), boletim epidemiológico que confirma três mortes provocadas por febre chikungunya em Dourados. Os óbitos ocorreram entre 26 de fevereiro e 11 de março e envolveram moradores de aldeias locais. Com as novas informações, o município soma 206 casos confirmados da doença.
Detalhamento dos óbitos
De acordo com o boletim, a vítima mais recente é um bebê de três meses que faleceu na terça-feira (10). A confirmação laboratorial do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) foi emitida no dia seguinte. Outro registro é o de um homem de 73 anos, sem comorbidades relatadas, que apresentou sintomas e morreu em 9 de março.
A primeira morte constatada no período foi a de uma mulher de 69 anos, residente na aldeia Jaguapiru. Portadora de hipertensão arterial e diabetes, ela morreu em 25 de fevereiro em decorrência de complicações associadas à infecção pelo vírus chikungunya.
Situação epidemiológica em Dourados
Além dos três óbitos, o boletim contabiliza 206 casos confirmados de febre chikungunya no município. O número reforça o alerta das autoridades sanitárias sobre a necessidade de intensificar medidas de controle do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão do vírus. A maior incidência de casos concentra-se em áreas da Reserva Indígena de Dourados, onde vivem as vítimas fatais reportadas pelo documento estadual.
Mutirão nas aldeias
Para conter o avanço da doença, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou, na segunda-feira (9), um mutirão específico na Reserva Indígena de Dourados. A mobilização tem como foco a eliminação de criadouros do Aedes e a orientação dos moradores sobre práticas de prevenção. Em três dias de atividade – de 9 a 11 de março – foram vistoriadas 2.255 residências.
Durante essas inspeções, as equipes identificaram 589 focos de larvas do mosquito. Os dados, divulgados no balanço do terceiro dia de operação, evidenciam a elevada presença de potenciais criadouros em domicílios e terrenos da região. Recipientes descartáveis, caixas d’água desprotegidas e acúmulo de lixo figuram entre os principais pontos de armazenamento de água parada encontrados pelos agentes.
Força-tarefa interinstitucional
O trabalho de campo reúne profissionais das secretarias municipais de Saúde e de Serviços Urbanos de Dourados, com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Itaporã, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). A força-tarefa inclui ações de visita domiciliar, recolhimento de materiais descartáveis, aplicação de larvicidas e distribuição de orientações educativas aos moradores.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o objetivo é reduzir rapidamente a densidade do vetor na reserva indígena, considerada área de maior vulnerabilidade no momento. A pasta ressalta que as equipes continuarão mobilizadas enquanto houver identificação de focos e que novas etapas do mutirão podem ser estendidas a outros bairros caso o cenário epidemiológico exija.
Engajamento comunitário
As autoridades de saúde reforçam que a população desempenha papel decisivo na contenção da epidemia. A eliminação de recipientes que acumulem água parada, a manutenção adequada de calhas, o armazenamento de pneus em locais cobertos e o descarte correto de lixo doméstico são medidas recomendadas de forma contínua. Sem a colaboração dos moradores, alertam os gestores, os esforços institucionais perdem eficácia e o risco de transmissão se mantém elevado.
Próximos passos
A Secretaria Estadual de Saúde informou que continuará monitorando a evolução dos casos em Dourados e em outros municípios do estado. Novas atualizações do boletim epidemiológico estão previstas para as próximas semanas, período em que serão avaliados os resultados do mutirão e o impacto das ações de controle sobre a curva de notificações.
Enquanto isso, equipes técnicas permanecem em campo para intensificar bloqueios mecânicos e químicos ao mosquito, além de acompanhar pacientes com suspeita ou confirmação da doença. A orientação é de que qualquer pessoa que apresente sintomas compatíveis busque imediatamente atendimento médico para diagnóstico e tratamento adequados.
Com os três óbitos confirmados e o total de 206 casos, Dourados mantém o estado de alerta máximo. A coordenação conjunta entre município, estado e órgãos federais busca acelerar a interrupção da cadeia de transmissão do vírus, sobretudo nas aldeias, onde a vulnerabilidade social e a alta densidade populacional exigem respostas rápidas e articuladas.









