A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) recebe, até 15 de março, inscrições para um programa de formação que combina residência tecnológica remunerada e curso de especialização em Engenharia de Software Inteligente. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS) e a Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec), pretende acelerar projetos de inteligência artificial e transformação digital nos órgãos públicos parceiros.
O processo seletivo oferece duas modalidades. A primeira, intitulada Residência Tecnológica, disponibiliza 20 vagas com bolsa mensal de R$ 5 mil. Os residentes terão carga de 30 horas semanais de atividades práticas desenvolvidas nas sedes do TJMS ou da PGE-MS. O período inicial é de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por mais seis, totalizando até 18 meses de atuação. Segundo o edital, o participante poderá manter outro vínculo remunerado, desde que consiga cumprir integralmente o cronograma previsto no curso.
A segunda modalidade corresponde à especialização acadêmica sem remuneração. Nessa categoria, foram abertas 40 vagas adicionais, incluindo reservas para ações afirmativas e para servidores efetivos do poder público. Todos os aprovados, remunerados ou não, receberão o certificado de especialista em Engenharia de Software Inteligente ao concluir as atividades previstas no plano pedagógico.
O programa foi desenhado para atrair profissionais graduados em computação, ciências exatas ou engenharias que desejem aplicar conhecimentos em algoritmos, análise de dados e automação a processos judiciais e administrativos. Ao concentrar parte da carga horária em ambientes reais de trabalho no TJMS e na PGE-MS, a UFMS pretende aproximar pesquisa acadêmica de demandas concretas da administração pública, buscando maior eficiência na prestação de serviços ao cidadão.
O processo de seleção será composto por análise documental e de currículo. A banca examinadora atribuirá pontuações à produção científica e à experiência profissional desenvolvidas nos últimos cinco anos. Publicações em periódicos especializados, participação em congressos e atuação em projetos de desenvolvimento de software terão peso relevante na classificação final.
O resultado da seleção está previsto para 30 de março, data em que a universidade divulgará a lista de aprovados nas duas modalidades. As aulas têm início marcado para 8 de abril e serão ministradas em formato híbrido. O modelo combina encontros presenciais em Campo Grande com atividades em ambiente virtual de aprendizagem e aulas remotas ao vivo, permitindo maior flexibilidade para alunos que já atuam no mercado de trabalho ou em órgãos públicos.
Durante a residência, os bolsistas participarão de equipes multidisciplinares responsáveis por desenhar, implementar e validar soluções baseadas em inteligência artificial. Entre os desafios previstos estão o desenvolvimento de sistemas para triagem automatizada de processos, recomendação de peças jurídicas, extração de dados de documentos e melhoria de fluxos internos por meio de aprendizado de máquina. Já os estudantes da especialização acompanharão as mesmas disciplinas teóricas e poderão integrar grupos de pesquisa e desenvolvimento, embora não recebam remuneração direta.
O financiamento das bolsas será viabilizado pela Fapec, enquanto a infraestrutura necessária para as atividades práticas ficará a cargo do TJMS e da PGE-MS. A UFMS responde pela coordenação acadêmica, elaboração do conteúdo programático e emissão de certificados.
Interessados devem submeter a documentação exigida através do sistema on-line da universidade. Os candidatos precisam apresentar diploma de graduação, curriculum vitae atualizado, comprovantes de experiência profissional e de produção científica, além de outros documentos listados no edital. Em caso de dúvidas, a UFMS disponibiliza canal de atendimento eletrônico e telefone institucional.
Com o programa, as instituições envolvidas pretendem fomentar a aplicação de tecnologias avançadas em procedimentos judiciais e administrativos, reduzir o tempo de tramitação de processos e fortalecer a adoção de métodos de trabalho orientados por dados nos órgãos públicos de Mato Grosso do Sul.









