A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) inaugura na próxima segunda-feira, 9 de março, às 10h, um Banco Vermelho na Cidade Universitária, em Campo Grande. O objeto, que integra campanha nacional de conscientização sobre violência contra a mulher, também prestará homenagem à jornalista e ex-aluna Vanessa Ricarte, assassinada em fevereiro de 2025.
A solenidade será conduzida pela Pró-Reitoria de Cidadania e Sustentabilidade em parceria com o Instituto Banco Vermelho e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Durante o ato, representantes das entidades envolvidas apresentarão o propósito do memorial e ações previstas para difundir informações sobre prevenção, denúncia e acolhimento de vítimas de agressões de gênero.
O Banco Vermelho é reconhecido em diferentes cidades brasileiras como um marco visual que alerta para o feminicídio. Pintado na cor que simboliza urgência e atenção, o objeto exibe mensagens curtas sobre a importância de romper o ciclo de violência e de acionar mecanismos oficiais de proteção. Em 2024, a iniciativa ganhou status de política pública federal com a sanção da Lei nº 14.942, que prevê a ampliação da campanha em espaços públicos, escolares e universitários.
Na UFMS, a instalação do banco faz parte da programação do “Eu Respeito”, campanha institucional que, neste mês de março, aborda o tema “Renovação”. Como complemento visual, o Monumento Símbolo da universidade receberá iluminação vermelha em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
Paralelamente, a instituição mantém o programa “Sou Mulher UFMS”, criado para promover debates, projetos acadêmicos e atividades de extensão voltadas à participação feminina em ambientes científicos, culturais e administrativos. Levantamento do próprio programa aponta que, em 2024, 52,4% dos projetos de ensino, pesquisa e extensão da universidade foram coordenados por mulheres. No mesmo período, elas ocuparam 44,6% dos cargos de direção.
A homenagem à jornalista Vanessa Ricarte reforça o compromisso da universidade com o enfrentamento à violência de gênero. Formada na turma de Jornalismo de 2005, a profissional foi vítima de feminicídio em fevereiro de 2025, em crime atribuído ao ex-noivo. Segundo a UFMS, a memória da ex-aluna será preservada como símbolo de resistência e de mobilização permanente contra agressões que vitimam milhares de brasileiras todos os anos.
Dados do Instituto Banco Vermelho indicam que o Brasil ocupa a quinta posição entre 196 países com maiores índices de assassinatos de mulheres. Ainda de acordo com o levantamento, uma mulher é morta por razões decorrentes de gênero a cada seis horas no território nacional. Os números reforçam a importância de iniciativas de alerta, como a instalação do banco, para ampliar o debate público e incentivar denúncias.
O Banco Vermelho ficará em local de grande circulação dentro da Cidade Universitária, permitindo que estudantes, servidores e visitantes tenham contato diário com a mensagem. Placas informativas trarão orientações sobre como identificar situações de risco e quais canais institucionais e governamentais podem ser acionados para registrar ocorrências ou buscar apoio.
Além da cerimônia de inauguração, a programação inclui rodas de conversa, oficinas educativas e distribuição de materiais informativos ao longo da semana. As atividades serão coordenadas por docentes, técnicos e representantes do movimento estudantil, com objetivo de integrar diferentes setores da comunidade acadêmica na construção de um ambiente seguro e igualitário.
A partir da implantação do Banco Vermelho, a UFMS pretende intensificar campanhas permanentes de sensibilização, incorporando o tema da violência de gênero em disciplinas, projetos de extensão e ações de pesquisa. A administração central avalia que a presença física do memorial dentro do campus funcionará como lembrete constante da responsabilidade coletiva na prevenção de agressões e na promoção do respeito às mulheres.
Com a iniciativa, a universidade se alinha a uma rede de instituições de ensino superior que adotam o Banco Vermelho como ferramenta educativa. A expectativa é que a visibilidade gerada pelo ato contribua para a redução de casos de violência, fortaleça políticas de proteção interna e estimule parcerias com órgãos de segurança, saúde e assistência social.
O evento da próxima segunda-feira é aberto ao público e não requer inscrição prévia. A UFMS recomenda que participantes cheguem com antecedência ao local para acompanhar a apresentação das autoridades e a inauguração oficial do memorial dedicado à memória de Vanessa Ricarte e à luta pelo fim da violência contra a mulher.








