A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) desenvolve, em Três Lagoas, uma pesquisa para medir como as mudanças climáticas afetam a saúde da população. O projeto, denominado Observatório do Clima e da Saúde da População de Três Lagoas, monitora alterações de temperatura e umidade do ar. O objetivo é auxiliar o município na preparação para emergências climáticas.
O trabalho é realizado no Laboratório de Biogeografia e Climatologia Geográfica da UFMS. A iniciativa conta com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.
Monitoramento de riscos
A pesquisa acompanha duas frentes principais: as mudanças climáticas registradas no município e os impactos dessas alterações na saúde dos moradores. A meta é criar uma plataforma capaz de auxiliar Três Lagoas na previsão, na prevenção e no enfrentamento de emergências climáticas.
Temperatura e umidade relativa do ar são os principais indicadores observados. Quando a umidade cai, o corpo sente os efeitos, com maior risco de problemas respiratórios e circulatórios. Pessoas idosas, crianças e bebês estão entre os mais vulneráveis a esses efeitos.
O professor doutor da UFMS Mauro Silva, especialista em climatologia e geografia da saúde, afirma que a relação entre clima e saúde já é estudada há bastante tempo. No entanto, o tema ganhou força diante das evidências mais recentes sobre o aquecimento global.
“Cada vez mais está sendo comprovado que temperaturas mais altas, por exemplo, a baixa umidade relativa do ar, afetam diretamente o aparelho respiratório e o aparelho circulatório, principalmente de pessoas mais velhas e também de crianças”, explicou o especialista.
Áreas de maior exposição
Para identificar onde os efeitos são mais intensos, a pesquisa combina sensores instalados em diferentes pontos da cidade com imagens de satélite. Essa leitura permite mapear regiões mais expostas ao calor, à baixa umidade e à falta de vegetação.
Mauro Silva citou áreas localizadas principalmente no sul da cidade, como Vila Haro, Vila São João e Nova Três Lagoas. Nesses locais, a pesquisa identifica deficiência de arborização. Superfícies sem vegetação tendem a superaquecer, o que agrava a sensação térmica e aumenta a pressão sobre os serviços de saúde.
O padrão de construção também entra na análise. Na região do Novo Oeste, a presença de construções verticalizadas e a falta de vegetação contribuem para um clima mais severo. O professor destaca que os trabalhos conseguem apontar quais regiões precisam de mais atenção.
“Os trabalhos conseguem apontar quais são as regiões que precisam de mais atenção, principalmente porque os postos de saúde e o sistema de saúde dessas regiões podem sofrer pressão com os impactos climáticos”, afirmou.
Crescimento de ondas de calor
O aumento da temperatura média do planeta já aparece como realidade sentida nas cidades. Três Lagoas acompanha esse cenário com o crescimento dos episódios de calor extremo. Conforme Mauro Silva, uma previsão associada ao aquecimento de 1,5 grau, antes projetada para 2050, começou a se manifestar agora.
No caso do município, os episódios de ondas de calor aumentaram principalmente desde 2010. O professor define onda de calor como uma sequência de dias em que a temperatura fica pelo menos 5 graus acima da média histórica.
Até 2010, Três Lagoas registrava poucas ondas de calor. Agora, o fenômeno se tornou mais comum, o que reforça a necessidade de estudar seus efeitos sobre a saúde pública.
A previsão é que o projeto seja concluído em aproximadamente três anos. Até lá, o Observatório do Clima e da Saúde da População de Três Lagoas deve reunir dados para orientar ações de prevenção e proteção da saúde dos moradores.








