O custo dos produtos mais tradicionais das festas de fim de ano pode variar até três vezes em Campo Grande. É o que mostra um levantamento do Procon de Mato Grosso do Sul, realizado em oito supermercados da capital, que identificou diferença de preços de até 220% entre estabelecimentos. A disparidade atinge itens tanto da ceia de Natal quanto da de Ano Novo, comprometendo o orçamento de consumidores que deixam as compras para a última hora ou não pesquisam valores.
A maior discrepância foi verificada no quilo da castanha-do-pará com casca, encontrado por preços que vão de R$ 29,95 a R$ 95,90. Nessas condições, o consumidor que optar pela oferta mais cara pode desembolsar pouco mais do triplo em relação ao valor mínimo. A uva Niágara, vendida em embalagem de 500 gramas, também apresentou forte oscilação: de R$ 5,99 a R$ 16,69, o que corresponde a 178% de diferença. Entre os embutidos, o salame tipo italiano da marca Seara variou 88,99%, com valores entre R$ 66,90 e R$ 126,40 o quilo.
Alguns dos itens mais procurados no período natalino exibiram médias de preço já consolidadas. O panetone de frutas cristalizadas da marca Bauducco ficou em torno de R$ 28,14, enquanto o quilo do peru da Sadia alcançou média de R$ 32,48. O chester da Perdigão, por sua vez, foi comercializado na média de R$ 36,73. Mesmo dentro de uma faixa de preço considerada aceitável, a variação entre lojas pode impactar o valor final da cesta de compras, especialmente se o consumidor adquirir vários produtos sem comparação prévia.
Para a virada do ano, a lentilha – tradicionalmente associada à prosperidade – também registrou diferenças significativas. A embalagem de 500 gramas da marca Donana foi encontrada de R$ 15,25 a R$ 21,99, variação de 44,20%. A sidra Cereser de 660 ml, bebida comum no brinde de Ano Novo, teve preço médio de R$ 21,45, mas oscilou 56,46% nos estabelecimentos pesquisados.
Nem todos os produtos, porém, apresentaram discrepâncias tão grandes. O peru da marca Perdigão e o chocotone da marca Tommy foram apontados como exemplos de preços mais estáveis. A variação média observada nesses itens ficou em 6,41%, percentual considerado moderado se comparado às oscilações superiores a 50% verificadas em outros artigos festivos.
O Procon/MS avaliou itens como carnes, bebidas, frutas secas, panetones e enlatados, compondo um retrato geral do gasto necessário para organizar as comemorações de fim de ano. A amostra incluiu supermercados de diferentes regiões da cidade, abrangendo redes de grande porte e estabelecimentos de médio porte. Segundo o órgão, a pesquisa tem caráter informativo e visa orientar a população sobre a importância da comparação de preços antes de efetivar a compra.
Além de verificar as diferenças de preço, o Procon recomenda atenção ao peso líquido exibido nas embalagens, à data de validade e às condições de armazenamento, especialmente em produtos resfriados ou congelados. A leitura de rótulos também é apontada como essencial para evitar confusão entre itens semelhantes, mas de qualidades ou pesos distintos.
Para o secretário-executivo do Procon/MS, Angelo Motti, o planejamento prévio das compras reduz o risco de extrapolar o orçamento familiar e ainda contribui para evitar desperdício de alimentos. Ele observa que adquirir itens não perecíveis com antecedência, acompanhando promoções em diferentes semanas, pode representar economia significativa quando comparado à compra de última hora.
O levantamento, disponibilizado em tabelas separadas para Natal e Ano Novo, reforça a orientação de que nenhum estabelecimento apresenta sempre o menor preço em todas as categorias. Dessa forma, o consumidor interessado em poupar deve consultar folhetos promocionais, aplicativos e sites de comparação, além de visitar mais de uma loja quando possível.
Com cenário econômico ainda pressionado pela inflação de alimentos, a pesquisa serve de alerta para quem pretende manter os gastos das festas sob controle. Planejamento, atenção às etiquetas e busca ativa por promoções continuam sendo as principais ferramentas do consumidor para equilibrar qualidade da ceia e orçamento doméstico.









