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Variante Gripe K exige vigilância após primeiro caso confirmado em Três Lagoas

A circulação da Gripe K, nova mutação do vírus Influenza A (H3N2), mantém autoridades de saúde em alerta desde o fim de 2025. Apesar de não haver, até o momento, aumento relevante de internações ou casos graves no país, a velocidade de transmissão da variante preocupa órgãos de vigilância epidemiológica em vários municípios brasileiros.

Em Três Lagoas, interior de Mato Grosso do Sul, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou apenas um caso da nova cepa até a publicação desta reportagem. O número reduzido não diminui a atenção dedicada ao tema. A Vigilância Epidemiológica local monitora a evolução do vírus diariamente, avaliando possíveis impactos tanto na rede pública quanto nos serviços privados de atendimento.

Segundo a enfermeira Cleina Passalacqua, integrante da equipe de Vigilância Epidemiológica, o surgimento de variantes faz parte do ciclo natural dos vírus respiratórios. “Essas mutações representam uma estratégia de adaptação diante da imunidade pré-existente na população”, explica. No caso da Gripe K, a principal característica observada até agora é a capacidade de contágio superior à do H3N2 original, o que favorece a disseminação em curto espaço de tempo, mesmo sem indicação de aumento proporcional na gravidade clínica.

Essa alta transmissibilidade impõe um desafio operacional aos serviços de saúde. Quando muitas pessoas adoecem simultaneamente, mesmo que a maior parte apresente quadro leve, cresce a procura por consultas, exames e medicação, gerando sobrecarga nos estabelecimentos. A perspectiva de elevação repentina na demanda levou a Secretaria a reforçar protocolos de triagem, ampliar a análise de dados e ajustar a disponibilidade de insumos destinados ao tratamento de síndromes gripais.

Informações compiladas por centros de pesquisa internacionais apontam ainda outra particularidade da nova cepa: em parte dos infectados, os sintomas comuns de gripe — febre, dor de cabeça, coriza, tosse e mal-estar — podem persistir por período maior do que o habitual. Esse prolongamento amplia a janela de transmissão, além de elevar o risco de complicações em grupos vulneráveis. Idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e indivíduos imunossuprimidos merecem atenção redobrada, pois são mais suscetíveis a evoluir para quadros respiratórios graves quando o período sintomático se estende.

Para reduzir a propagação, a Vigilância Epidemiológica reafirma medidas preventivas recomendadas desde o início da pandemia de coronavírus e mantidas contra outros vírus respiratórios. Entre elas estão:

  • utilização de máscara por pessoas com sintomas gripais;
  • higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel;
  • distanciamento de indivíduos saudáveis enquanto durar o quadro clínico;
  • ventilação adequada de ambientes fechados.

A equipe municipal intensificou ações educativas em escolas, unidades básicas de saúde e meios de comunicação locais. O objetivo é esclarecer a população sobre a diferença entre o risco de transmissão — que se mostra alto — e a gravidade dos casos, que permanece estável em comparação às cepas anteriores do Influenza A. O monitoramento inclui coleta de amostras para análise laboratorial, mapeamento de contatos e acompanhamento de eventuais surtos, caso a variante se espalhe com mais intensidade pela cidade ou região.

Em nível nacional, o Ministério da Saúde mantém o fluxo rotineiro de vigilância de influenza, que envolve laboratórios de referência e uma rede sentinela distribuída por várias unidades da federação. Informes técnicos ressaltam que, embora a Gripe K seja recente, as vacinas sazonais contra influenza continuam oferecendo proteção parcial, reduzindo a probabilidade de complicações severas. A pasta recomenda que pessoas dos grupos prioritários atualizem a imunização conforme calendários estaduais e municipais.

Dados consolidados até o momento indicam que a maioria dos pacientes infectados se recupera em casa, sem necessidade de internação. Contudo, profissionais de saúde alertam para sinais de agravamento, como dificuldade respiratória, saturação de oxigênio abaixo de 95% ou febre persistente, que devem motivar busca imediata por atendimento.

Enquanto não há evidência de aumento de letalidade, a preocupação central permanece focada na rápida dispersão da variante e na eventual sobrecarga dos serviços de saúde. A Vigilância Epidemiológica de Três Lagoas seguirá divulgando boletins periódicos com dados atualizados sobre casos confirmados, suspeitos e descartados, além de orientações preventivas destinadas à população local.