A proximidade da Semana Santa, período em que o consumo de peixes tradicionalmente aumenta, levou a Vigilância Sanitária de Campo Grande a reforçar uma série de recomendações dirigidas a comerciantes e consumidores. O órgão chama a atenção para cuidados simples, porém decisivos, que podem evitar contaminações e outros problemas de saúde associados a alimentos de origem animal.
Segundo a Vigilância, a primeira etapa de prevenção começa ainda no ponto de venda. O comprador deve avaliar se o estabelecimento mantém condições adequadas de higiene, organização e temperatura. Bancadas limpas, câmaras frigoríficas em funcionamento e ausência de odores fortes servem como indicadores básicos de boas práticas. Caso haja exposição de pescado fresco, o gelo deve cobrir completamente o produto, sem água acumulada ou peças parcialmente descongeladas.
Também é fundamental observar a temperatura de conservação. Pescados refrigerados devem permanecer entre 0 °C e 4 °C; já os congelados precisam estar abaixo de –18 °C. A manutenção do frio constante impede o desenvolvimento de microrganismos patogênicos e preserva as características naturais do alimento. Pontos de venda que alternam repetidamente entre descongelamento e recongelamento oferecem risco elevado de deterioração e perda nutricional.
Aspectos sensoriais fornecem pistas adicionais sobre a qualidade. O odor, quando fresco, lembra o próprio ambiente marinho e não apresenta notas ácidas ou de amônia. A carne deve exibir textura firme e elástica, retornando ao formato original após leve pressão do dedo. Nos peixes inteiros, as guelras precisam estar avermelhadas ou rosadas, enquanto os olhos permanecem brilhantes e salientes. Coloração opaca, manchas escuras ou mucosidade excessiva sinalizam que o alimento já não se encontra em condições ideais.
A procedência merece igual atenção. Embalagens de produtos industrializados devem apresentar rótulo legível, com nome científico e popular da espécie, data de fabricação, prazo de validade, peso líquido e número de registro no Serviço de Inspeção competente. Qualquer rasura ou etiqueta sobreposta é motivo para desconfiança. O consumidor deve verificar se o prazo de validade está dentro do período indicado pelo fabricante e se o lote não possui sinais externos de alteração, como poças de líquido ou cristais de gelo por toda a superfície.
A Vigilância Sanitária alerta que nem sempre um alimento impróprio revela sinais visíveis de deterioração. Bactérias ou parasitas podem se multiplicar mesmo quando o aspecto parece normal. Por essa razão, recomenda-se adotar critérios técnicos durante a seleção, armazenar o pescado no ponto mais frio da geladeira e mantê-lo separado de outros alimentos crus. O cozimento completo, com temperatura interna mínima de 70 °C, contribui para a destruição de possíveis agentes patogênicos.
Renata Sanches, gerente da Vigilância Sanitária, destaca que a escolha consciente do consumidor representa barreira importante contra doenças transmitidas por alimentos. De acordo com a gestora, práticas aparentemente rotineiras, como transportar o peixe sem embalagem térmica ou deixá-lo sob a temperatura ambiente em casa, ampliam o risco de contaminação. A recomendação é utilizar caixas isotérmicas ou bolsas térmicas durante o trajeto e inserir o produto imediatamente no refrigerador ao chegar.
Qualquer irregularidade constatada em estabelecimentos comerciais pode ser denunciada de forma gratuita pelo telefone 0800 314 9955, número da Ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). As informações repassadas pelos consumidores auxiliam as equipes de fiscalização, que atuam durante todo o ano em supermercados, feiras livres, peixarias e restaurantes. Na Semana Santa, período de maior demanda, a Vigilância intensifica as inspeções para verificar condições de armazenamento, higiene, documentação sanitária e procedência dos itens comercializados.
O órgão ressalta que o conjunto dessas medidas — fiscalização oficial, cuidado do comerciante e atenção do comprador — compõe uma estratégia coletiva de segurança alimentar. Seguir as orientações de temperatura, higiene e rotulagem garante que o peixe chegue à mesa em boas condições e contribui para a prevenção de enfermidades de origem alimentar.








