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Mato Grosso do Sul registra média de 58 casos diários de violência doméstica nos primeiros seis dias de 2026

Mato Grosso do Sul abriu o ano de 2026 com 346 ocorrências de violência doméstica contra mulheres, conforme dados do Monitor da Violência Contra as Mulheres. O total corresponde a uma média de quase 58 casos por dia nos primeiros seis dias do ano, indicador que equivale a mais de duas notificações por hora em todo o território sul-mato-grossense.

O levantamento reúne boletins registrados em delegacias e demais órgãos de segurança de todos os municípios do Estado. O painel aponta que Campo Grande concentra o maior volume absoluto de notificações, com 107 registros no período analisado, representando aproximadamente um terço de todos os casos contabilizados em Mato Grosso do Sul até o momento.

Na sequência aparecem Dourados, com 40 ocorrências, Três Lagoas, com 19, Corumbá, com 17 e Aquidauana, com 9 registros. Esses cinco municípios respondem conjuntamente por 192 notificações, mais da metade do total estadual. Ainda assim, o monitoramento indica que a violência doméstica não se restringe a centros urbanos específicos: praticamente todas as cidades sul-mato-grossenses reportaram ao menos um caso desde o início do ano.

O Monitor da Violência Contra as Mulheres utiliza informações extraídas do Sistema Integrado de Gestão Operacional (SIGO), base que reúne dados de polícia judiciária, polícia militar e sistema penitenciário. As referências são tratadas por ferramentas de Business Intelligence para consolidar estatísticas relativas a violência doméstica, feminicídio, estupro e outras formas de agressão contra mulheres, abrangendo tanto delitos consumados quanto tentativas.

O painel é mantido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em parceria com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Segundo o tribunal, o objetivo central da iniciativa é dar visibilidade a uma realidade historicamente subnotificada e fornecer subsídios que favoreçam o aprimoramento das políticas de prevenção e das ações de proteção às mulheres em situação de risco.

Embora Campo Grande apresente o maior número absoluto de ocorrências, a distribuição proporcional em relação à população de cada município ainda não foi detalhada no painel. O TJMS ressalta que a divulgação dos dados brutos permite que gestores públicos, organizações da sociedade civil e pesquisadores façam análises complementares sobre fatores associados, como densidade populacional, presença de serviços de atendimento à mulher e distância de delegacias especializadas.

Em muitos municípios de menor porte, a presença de unidades especializadas é limitada, circunstância que pode influenciar tanto o registro quanto o encaminhamento das vítimas. Ainda assim, o monitoramento aponta registros em diferentes regiões do Estado, demonstrando que a violência doméstica não está circunscrita a contextos urbanos de maior porte.

Além de quantificar ocorrências, o sistema classifica os casos por natureza da violência, faixa etária da vítima, vínculo com o autor e circunstâncias da agressão. Essas variáveis não foram detalhadas na divulgação inicial de 2026, mas integram o banco de dados e podem ser consultadas por órgãos de segurança e entidades que atuam na rede de enfrentamento.

O painel do TJMS também contempla indicadores de reincidência, permitindo identificar se vítimas ou autores já haviam sido envolvidos em ocorrências anteriores. Segundo o tribunal, esse recurso auxilia na definição de prioridades para concessão de medidas protetivas e no acompanhamento judicial dos processos.

Os dados de 2026 ainda são parciais e correspondem apenas aos seis primeiros dias do ano. Mesmo assim, o volume de notificações chama a atenção de autoridades estaduais, que destacam a importância de reforçar canais de denúncia, ampliar campanhas educativas e fortalecer serviços de acolhimento. O TJMS informa que os números serão atualizados periodicamente, oferecendo uma fotografia contínua da incidência de violência contra mulheres no Estado.

Em síntese, o balanço inicial indica que Mato Grosso do Sul registra um caso de violência doméstica contra mulheres a aproximadamente cada 25 minutos em 2026. O dado reforça a necessidade de manter estratégias integradas entre Judiciário, órgãos de segurança e sociedade civil para reduzir a incidência e oferecer proteção efetiva às vítimas em todos os municípios sul-mato-grossenses.