Um morador de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, teve sua conta de WhatsApp invadida na tarde de quarta-feira (5) depois de atender a uma ligação de um homem que se apresentou como integrante do setor de segurança da OLX, plataforma de compra e venda on-line. O crime foi registrado como estelionato na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol) e é investigado pela Polícia Civil.
De acordo com o boletim de ocorrência, o contato ocorreu por volta das 17h30. O suposto funcionário afirmou que precisava confirmar um anúncio publicado no site e mencionou o nome de um amigo da vítima, identificado apenas como Jackson, para dar aparência de legitimidade à abordagem. Durante a conversa, o golpista informou que enviaria um código de seis dígitos ao celular do morador e solicitou que ele lesse a sequência para concluir a suposta verificação.
Sem desconfiar da fraude, a vítima informou o código recebido por mensagem. Imediatamente após o compartilhamento dos números, perdeu o acesso ao aplicativo. O criminoso utilizou a combinação para ativar o WhatsApp em outro aparelho, clonando o número do morador de Campo Grande. Após perceber o bloqueio, a vítima tentou recuperar a conta, mas já não possuía controle sobre o perfil.
Segundo relato prestado à polícia, até o momento do registro não havia indícios de prejuízo financeiro direto nem movimentações suspeitas em contas bancárias relacionadas. Ainda assim, o golpe deixou o morador sem acesso ao principal aplicativo de comunicação utilizado no cotidiano, situação que pode facilitar tentativas de extorsão, pedidos de empréstimo em nome da vítima ou a coleta de dados de terceiros.
A Polícia Civil abriu investigação para identificar o autor e verificar se outros moradores foram abordados com o mesmo método. Agentes da Depac/Cepol ressaltam que códigos de verificação enviados por SMS ou notificação no aplicativo servem exclusivamente para validar logins e não devem, em hipótese alguma, ser compartilhados com terceiros, mesmo que a pessoa alegue vínculo com empresas conhecidas.
Conforme o registro policial, o golpista utilizou um número de telefone comum, mas fez a ligação diretamente pelo WhatsApp, recurso que permite ocultar a origem real da chamada e dificulta o rastreamento imediato. O investigado também se aproveitou do nome da OLX, plataforma com grande número de usuários, para criar um ambiente de confiança e induzir a vítima ao erro. A menção ao amigo Jackson foi interpretada pelos policiais como estratégia para reforçar a falsa sensação de segurança.
O procedimento padrão adotado pela equipe de investigação inclui o contato com a operadora de telefonia responsável pela linha clonada e solicitação de dados técnicos ao WhatsApp. Esses elementos auxiliam na tentativa de rastrear o dispositivo em que a conta foi reativada e identificar o responsável pela fraude. Até a tarde desta quinta-feira (6), o andamento do inquérito não havia sido detalhado publicamente.
Casos semelhantes têm sido registrados em todo o país, geralmente com abordagem por telefone ou mensagem que se faz passar por empresas conhecidas. Os criminosos exploram a pressa das vítimas em resolver supostos problemas de cadastro ou em publicar anúncios, solicitando códigos de verificação ou links de segurança. Uma vez de posse dessas informações, transferem a conta de WhatsApp para outro aparelho e podem se passar pelo titular para aplicar novos golpes.
A orientação da Polícia Civil é não fornecer códigos de autenticação recebidos por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagem, bem como habilitar a verificação em duas etapas no WhatsApp. Esse recurso acrescenta uma senha adicional definida pelo usuário, que precisa ser digitada sempre que a conta for ativada em um novo celular, dificultando a ação de golpistas. A polícia também recomenda registrar boletim de ocorrência em caso de clonagem e informar parentes, amigos e contatos profissionais para que ignorem solicitações suspeitas.
No caso de Campo Grande, o morador aguarda a recuperação da conta pelo suporte do aplicativo. Ele relatou ter seguido as orientações de segurança apenas após o incidente, como cadastrar um PIN e atualizar senhas de e-mail e redes sociais. A investigação permanece em andamento na Depac/Cepol, que alerta para a importância de desconfiar de ligações ou mensagens que peçam qualquer tipo de código, ainda que em nome de plataformas populares como a OLX.









