O Procon de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, divulgou novo levantamento de preços da cesta básica e identificou diferenças expressivas entre os supermercados locais. A pesquisa, realizada na última semana, avaliou alimentos essenciais, produtos de higiene e itens de limpeza, revelando variações que ultrapassam 60% em alguns casos. O estudo reforça a orientação para que o consumidor compare valores antes de efetuar a compra, sobretudo em um cenário de encarecimento de itens populares.
Entre os produtos pesquisados, o café permanece como o principal fator de pressão sobre o orçamento doméstico. Consumidores ouvidos durante o levantamento relataram elevação acentuada no preço do pó de café em 2023 e início de 2024. Para a administradora Vanilda Queiroz, que se mudou do Espírito Santo para Três Lagoas, o valor praticado no município está acima da realidade observada em outros estados. A percepção é semelhante à da fisioterapeuta Jaqueline Borges, vinda de São Paulo, que considera o café claramente mais caro do que outros itens já reconhecidos pela alta, como arroz, feijão e legumes. Outro consumidor, o administrador Wellington Ribeiro, acrescentou que café, leite e carne foram os produtos com maiores reajustes nos últimos seis meses.
Os dados confirmam essa percepção. A pesquisa registrou oscilações expressivas em diversos produtos, com destaque para:
- Arroz tipo 1 (pacote de 5 kg) sendo vendido entre R$ 12,89 e R$ 21,90;
- Frango resfriado variando de R$ 8,99 a R$ 18,90 o quilo;
- Açúcar cristal (pacote de 5 kg) custando de R$ 15,87 a R$ 25,99.
Essas diferenças ilustram a amplitude de preços identificada pelo Procon. Dependendo do estabelecimento, o consumidor pode desembolsar quase o dobro pelo mesmo produto. A tendência, segundo o órgão, é que tais disparidades se acentuem quando não há acompanhamento sistemático por parte dos compradores e quando o processo de escolha do ponto de compra ocorre por conveniência, e não por análise de custo.
A pesquisa incluiu ainda feijão, leite, pão francês, óleo de soja e cortes de carne bovina, além de sabão em pó, detergente e papel higiênico. O levantamento mostrou que, embora a maior variação percentual esteja concentrada no café, categorias como proteínas animais e derivados lácteos também registram aumentos relevantes. Isso corrobora a avaliação do administrador Wellington Ribeiro de que leite e carne seguem trajetória de elevação contínua.
Para o economista e educador financeiro Marçal Rizzo, o resultado reforça a necessidade de planejamento nas compras. Ele lembra que cada centavo economizado faz diferença no orçamento mensal, sobretudo para famílias que têm renda comprometida pelo aumento no custo dos alimentos. O especialista destaca três práticas: pesquisar preços antes de ir ao supermercado, aproveitar promoções programadas e montar um orçamento doméstico com itens prioritários. Ao adotar essas medidas, o consumidor diminui a exposição a variações inesperadas de valores.
O Procon de Três Lagoas informa que continuará realizando levantamentos periódicos para monitorar o comportamento dos preços e disponibilizar informações atualizadas à população. De acordo com o órgão, a divulgação regular de pesquisas incentiva a concorrência entre os supermercados e funciona como ferramenta de proteção ao consumidor, ao oferecer base confiável para comparação. Além disso, o monitoramento contínuo permite identificar rapidamente tendências de alta, como a verificada no café, e alertar sobre a necessidade de ajuste no planejamento de compra.
Em meio a um quadro de inflação dos alimentos ainda presente no país, iniciativas semelhantes seguem relevantes para que o consumidor encontre alternativas viáveis de consumo. A recomendação final do Procon é que, sempre que possível, o comprador visite mais de um ponto de venda, observe encartes de promoções, avalie marcas diferentes e verifique unidades de medida para garantir que a comparação seja justa. Segundo o órgão, uma rotina de pesquisa pode reduzir significativamente a conta do supermercado, especialmente quando as variações chegam a 60% entre o menor e o maior preço.









