Search

CTG Brasil solta 601 mil peixes nativos no reservatório da Usina Jupiá no primeiro trimestre

O reservatório da Usina Hidrelétrica Jupiá, no rio Paraná, recebeu 601 mil peixes nativos no primeiro trimestre de 2024. A ação integra o Programa de Manejo e Conservação da Ictiofauna, conduzido pela CTG Brasil com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

As solturas ocorreram em quatro etapas realizadas entre janeiro e março. Dois pontos foram utilizados: a Vila dos Operadores, no município de Castilho (SP), e a praia de Itapura, também em território paulista. As espécies introduzidas foram pacu (Piaractus mesopotamicus), curimba (Prochilodus lineatus), pintado (Pseudoplatystoma corruscans) e piapara (Megaleporinus obtusidens), todas típicas da bacia hidrográfica do rio Paraná.

Produção em cativeiro e pesquisa associada

Os peixes soltos são produzidos na piscicultura da CTG Brasil localizada em Salto Grande (SP). No local, a empresa mantém um laboratório destinado tanto à reprodução de espécies quanto ao desenvolvimento de pesquisas em parceria com universidades. O trabalho científico busca aprimorar técnicas de manejo, garantir a variabilidade genética dos lotes e avaliar o desempenho das espécies após a liberação no ambiente natural.

A criação em cativeiro segue protocolos definidos pelo Ibama e inclui controles de sanidade, rastreabilidade e monitoramento de qualidade da água. Segundo a companhia, o processo começa com a seleção de matrizes, passa pela indução reprodutiva, incubação e alevinagem, até chegar ao estágio juvenil, quando os peixes atingem tamanho adequado para a soltura. O transporte até o reservatório é feito em tanques apropriados para reduzir o estresse dos animais.

Objetivos do programa

O Programa de Manejo e Conservação da Ictiofauna foi criado para mitigar impactos associados à operação de empreendimentos hidrelétricos e para contribuir com a manutenção da diversidade biológica nos corpos d’água sob influência das usinas. O repovoamento busca equilibrar populações de peixes que podem ser afetadas por alterações em fluxo, qualidade da água e barreiras físicas impostas pelos barramentos.

A iniciativa também tem reflexos na pesca profissional e recreativa, ao reforçar estoques que sustentam a atividade econômica local. De acordo com a CTG Brasil, o repovoamento é planejado com base em estudos de ictiofauna que avaliam a adequação da densidade de peixes, a disponibilidade de alimento e as condições de hábitat no reservatório.

Números acumulados desde 2016

A CTG Brasil assumiu a gestão do programa de solturas em 2016. Desde então, mais de 35 milhões de peixes foram introduzidos nas bacias dos rios Paraná e Paranapanema. Os números incluem espécies consideradas estratégicas para a manutenção de cadeias alimentares e para a pesca local, como curimba, pacu, piapara, pintado e dourado.

As liberações seguem calendário anual definido em conjunto com órgãos ambientais. Cada evento é acompanhado por técnicos que registram quantidade, peso médio, espécie e condições de água no momento da soltura. Os dados geram relatórios encaminhados ao Ibama e servem de base para avaliações periódicas de eficiência do programa.

Monitoramento pós-soltura

Após cada etapa, a empresa executa campanhas de monitoramento no reservatório e em trechos a jusante da usina. O acompanhamento inclui captura científica, análise de crescimento, marcação de indivíduos e levantamento de variáveis ambientais. O objetivo é verificar a taxa de sobrevivência, o deslocamento e a integração dos peixes soltos às populações nativas.

Resultados anteriores indicam incremento na abundância relativa das espécies-alvo e presença de exemplares oriundos da piscicultura em fases reprodutivas, o que sugere sucesso na adaptação. As informações coletadas orientam ajustes nas próximas liberações, como quantidade de juvenis, época do ano e pontos de soltura mais adequados.

Usina Hidrelétrica Jupiá

Localizada entre os municípios de Castilho (SP) e Três Lagoas (MS), a Usina Hidrelétrica Jupiá possui capacidade instalada de 1.551 megawatts e opera no rio Paraná desde a década de 1960. O reservatório formado para viabilizar a geração de energia influencia ecossistemas aquáticos e áreas pesqueiras de relevância regional. Por isso, ações ambientais voltadas à conservação da ictiofauna são exigidas nos processos de licenciamento e inseridas na rotina operacional da hidrelétrica.

Além do programa de repovoamento, a CTG Brasil mantém projetos de educação ambiental, gestão de áreas de preservação permanente e monitoramento de qualidade da água na região. As iniciativas fazem parte do Plano de Controle Ambiental da companhia, que abrange as seis usinas sob sua concessão nas bacias do Paraná e do Paranapanema.

Com as quatro solturas realizadas entre janeiro e março, a empresa cumpre a primeira fase do cronograma anual de 2024 e planeja novas liberações até o fim do ano, seguindo as condições climáticas e hidrológicas do reservatório de Jupiá.

Isso vai fechar em 35 segundos