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Executivos discutem investimentos de longo prazo e juros elevados em encontro do RCN em Ação

O Amcham CEO Dinner, realizado no Espaço Corpal, em Campo Grande, abriu o calendário empresarial de 2026 do RCN em Ação com a presença de mais de 80 executivos. Ao longo da noite, dirigentes de companhias ligadas a agronegócio, reflorestamento e bioenergia analisaram como preservar margens, garantir liquidez e sustentar a expansão diante do atual patamar de juros e de um cenário econômico considerado volátil.

Painel central reúne lideranças do setor produtivo

O ponto alto da programação foi o painel “Visão Executiva: Como equilibrar margem e crescimento”, mediado pelo jornalista especializado em agronegócio Fabiano Reis. Participaram da mesa Luiz Ramires Júnior, diretor-executivo da Ramires Reflorestamentos; Amaury Pekelman, presidente da Biosul; e Gilmar Meneghini, diretor-executivo da Girassol Agrícola. Cada dirigente descreveu desafios específicos de seus segmentos, mas convergiram na avaliação de que o custo do capital e o horizonte de retorno dos projetos são hoje fatores decisivos para a tomada de decisão.

Reflorestamento exige linhas compatíveis com ciclo de sete anos

Ao abordar o setor de florestas plantadas, Luiz Ramires Júnior lembrou que a primeira colheita de eucalipto só ocorre, em média, sete anos após o plantio. Segundo ele, obter financiamento de curto prazo para um negócio de maturação tão longa pode comprometer a viabilidade. O executivo acrescentou que a expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul — atualmente com três fábricas em operação em Três Lagoas e novas unidades em construção — ampliou a demanda por madeira, pressionando toda a cadeia a investir em capacidade. “A estrutura de capital correta é o que sustenta o resultado”, reforçou.

Bioenergia depende de eficiência de custos em ambiente de preços externos

Representando o segmento sucroenergético, Amaury Pekelman ressaltou que usinas de etanol, açúcar e energia movida a biomassa competem em mercados formados internacionalmente. Para ele, isso obriga as 22 unidades instaladas no estado a buscar ganhos contínuos de produtividade. “Quando o preço é determinado lá fora, o diferencial está no custo”, pontuou. A volatilidade das cotações do açúcar, negociado em bolsas globais, foi citada como variável adicional que afeta a remuneração das usinas e reforça a necessidade de disciplina financeira.

Juros altos ampliam cautela nas decisões de expansão agrícola

Gilmar Meneghini, da Girassol Agrícola, relatou que as atuais taxas de financiamento elevam o risco de projetos que exigem aportes iniciais intensivos. Ele estimou que o investimento em culturas de longa duração pode superar R$ 14 mil por hectare, com retorno somente após vários ciclos produtivos. Diante disso, companhias do setor vêm reavaliando cronogramas de ampliação de área e a abertura de novas frentes de cultivo, priorizando liquidez e segurança.

Empresários citam combinação de aperto monetário e incerteza econômica

Além dos debatedores do painel principal, outros participantes destacaram fatores macroeconômicos que influenciam o ritmo de crescimento no estado. Bruno Ziliotto, diretor da Zornimat, comentou que empresas de diferentes portes têm adiado planos de expansão ou instalação de filiais devido à percepção de risco. Segundo ele, compreender cenários de juros, câmbio e demanda externa tornou-se parte do cotidiano dos gestores, que hoje adotam postura mais conservadora antes de assinar novos contratos de investimento.

Resultados do encontro e próximos eventos

Para a coordenadora regional da Amcham MS, Kethyllen Garcia, o encontro cumpriu o objetivo de fomentar networking e troca de experiências sobre planejamento estratégico. Ela informou que o próximo compromisso da entidade será em 29 de maio, no CEO Forum, quando a execução da estratégia empresarial estará na pauta. Já o diretor-comercial do Grupo RCN, Rodrigo Lopes, avaliou que o público acima do esperado e o teor prático das discussões confirmam o êxito do formato adotado pelo RCN em Ação.

Criada pelo Grupo RCN, a iniciativa reúne empresários e executivos ao longo do ano para examinar tendências de economia, liderança corporativa e ambiente de negócios em Mato Grosso do Sul. Com foco nas cadeias que mais movimentam a economia local — como o agronegócio, a indústria de base florestal e a produção de energia a partir de biomassa —, a série de eventos busca fornecer subsídios para decisões que envolvem capital intensivo, ciclos longos e forte interferência de variáveis macroeconômicas.

Ao final da edição de abertura de 2026, a percepção comum entre os presentes foi de que o desafio central para empresas do estado reside em alinhar planejamento financeiro de longo prazo, controle de custos e flexibilidade para adaptar projetos a oscilações de mercado. Enquanto a expansão industrial cria novas oportunidades, o patamar elevado de juros reforça a necessidade de estruturas de capital adequadas e de rigor na gestão de riscos.

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