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Exportações brasileiras de café recuam 23,5% em fevereiro e reduzem receita do setor

As remessas externas de café do Brasil registraram queda expressiva em fevereiro de 2026. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam embarque de 2,62 milhões de sacas de 60 kg, volume 23,5% inferior ao observado no mesmo mês do ano anterior. A retração impactou a receita cambial, que encolheu 14,7% e somou 1,06 bilhão de dólares.

O desempenho negativo concentrou-se, sobretudo, no segmento de café arábica. A variedade enfrenta desvalorização na Bolsa de Nova York, movimento associado à expectativa de maior oferta a partir da próxima colheita. A perspectiva de safra mais ampla levou fundos de investimento a reduzir posições compradas, pressionando ainda mais as cotações. Paralelamente, a apreciação do real perante o dólar e estoques internos ajustados reduziram a competitividade do produto brasileiro frente a outras origens.

De acordo com o Cecafé, a tendência de retração deve persistir até a entrada efetiva da nova safra, o que pode provocar perda de espaço para concorrentes internacionais. O cenário permanece sensível a possíveis tensões geopolíticas no Oriente Médio e a gargalos logísticos que afetam o comércio global, fatores capazes de ampliar a volatilidade dos embarques.

No acumulado da safra 2025/26, que vai de julho de 2025 a fevereiro de 2026, o Brasil exportou 26,04 milhões de sacas. O volume é 22,6% menor na comparação com o mesmo intervalo da temporada anterior. Apesar da queda física, a receita avançou 5,3%, alcançando 10,3 bilhões de dólares, reflexo de preços médios ainda superiores aos praticados um ano antes.

Na distribuição por tipos, o arábica respondeu por 81,8% dos embarques do período, com 4,42 milhões de sacas e retração de 28,9% frente ao ciclo anterior. O café solúvel representou 10,6%, totalizando 573,3 mil sacas, redução de 11,5%. Entre os canéforas – conilon e robusta – foram remetidas 408,45 mil sacas, queda de 27,7%. O segmento de café torrado e moído manteve participação marginal, com 5,57 mil sacas, recuo de 38,7%. Já os cafés especiais ou diferenciados somaram 1,07 milhão de sacas, desempenho 40,7% inferior ao do mesmo intervalo da temporada passada.

No recorte geográfico, a Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro no primeiro bimestre de 2026. O país europeu adquiriu 786,59 mil sacas, volume 20,1% menor que o registrado um ano antes. Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição, com 656 mil sacas e retração de 45,8%. Nos embarques de cafés diferenciados, a liderança também coube aos alemães, seguidos pelo mercado norte-americano.

A organização setorial trabalha com a possibilidade de retomada gradativa das exportações a partir do segundo trimestre. Para o café conilon, a oferta deve crescer a partir de maio, enquanto o arábica tende a reforçar os estoques exportáveis em junho, com o avanço da colheita nas principais regiões produtoras. A expectativa é que esse incremento de disponibilidade contribua para reequilibrar o mercado e, possivelmente, recompor parte da participação perdida.

Mesmo com o recuo recente, o Brasil mantém posição de destaque no comércio global de café. A continuidade da competitividade, contudo, depende de fatores como estabilidade cambial, custos logísticos e comportamento das cotações internacionais. O setor acompanha, ainda, os desdobramentos de conflitos regionais e possíveis restrições de transporte marítimo, variáveis que podem interferir nos prazos de entrega e na formação de preços.

Até a entrada da nova safra, agentes de mercado avaliam que estratégias de hedge, gestão de estoques e diversificação de destinos podem mitigar parte dos impactos da atual conjuntura. O desempenho efetivo, entretanto, será determinado pelo ritmo de colheita, pela qualidade do grão e pela reação da demanda global nos próximos meses.

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