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Adolescente é apreendida com cocaína e crack em operação no Jardim Nhanhá, em Campo Grande

Uma adolescente de 16 anos foi apreendida na tarde desta quinta-feira, 12 de outubro, sob suspeita de tráfico de drogas no bairro Jardim Nhanhá, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A ação foi conduzida pelo Grupo de Operações e Investigações (GOI) da Polícia Civil, que chegou ao endereço após receber denúncias sobre a utilização de uma kitnet, localizada nos fundos de um imóvel na Rua Antônio Bittencourt Filho, para armazenamento e comércio de entorpecentes.

De acordo com a corporação, as informações repassadas ao serviço de inteligência indicavam intensa movimentação de usuários na residência. Diante dos relatos, equipes foram destacadas para monitorar o local. Durante o período de observação, os investigadores presenciaram diversas pessoas que se aproximavam da kitnet, permaneciam por curto espaço de tempo e deixavam a área com rapidez — comportamento considerado típico de pontos de venda de drogas.

Com portas e janelas abertas, o imóvel permitia visualização parcial de seu interior. Segundo o boletim policial, no momento em que a equipe se aproximou, foi possível avistar, sobre um armário da cozinha, porções de substância semelhante à cocaína, caracterizando situação de flagrante delito. Diante dessa evidência, os agentes ingressaram na kitnet para uma busca minuciosa, conforme prevê a legislação em casos de flagrância.

Na vistoria, os policiais localizaram 25 porções de cocaína, divididas entre apresentação em pó e pasta base, conhecida popularmente como crack. Duas unidades de maior tamanho estavam escondidas no forro do telhado da cozinha, enquanto as demais permaneciam distribuídas em recipientes sobre a pia e dentro de gavetas.

Ao todo, foram apreendidos 168 gramas de entorpecentes. Junto às drogas, a equipe recolheu R$ 290 em notas miúdas, duas balanças de precisão e um aparelho celular. Esses itens, segundo a Polícia Civil, costumam ser utilizados para pesagem, fracionamento e registro das transações ilícitas.

Questionada sobre o material encontrado, a adolescente admitiu ser proprietária da droga, mas se recusou a informar a procedência do entorpecente ou o destino da venda. Conforme o relatório, ela apresentou versões contraditórias sobre a rotina no imóvel e não apontou a participação de outras pessoas no esquema.

Após a apreensão, a menor foi conduzida à Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (DEAIJ), onde foram adotadas as providências cabíveis previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. O procedimento inclui comunicação ao Ministério Público, representação ao Juizado da Infância e eventual aplicação de medida socioeducativa.

Todo o material recolhido seguiu para a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (DENAR). No local, peritos realizaram exame toxicológico preliminar para confirmar a natureza das substâncias. Os laudos devem integrar o inquérito policial que apura a responsabilidade da jovem e a possível participação de terceiros.

A operação foi articulada pelo GOI com apoio do setor de inteligência da DENAR. Segundo a Polícia Civil, o cruzamento de denúncias anônimas e dados de monitoramento apontou a kitnet como ponto de distribuição que abastecia usuários em diferentes áreas do Jardim Nhanhá. A corporação informou que as investigações continuam para identificar fornecedores e eventuais integrantes da rede de tráfico.

O Jardim Nhanhá, localizado na região sul de Campo Grande, tem sido alvo de ações policiais frequentes voltadas ao combate ao comércio ilegal de drogas. Moradores relatam preocupação com a circulação de usuários e ocorrências de violência associadas ao tráfico. Em nota, a Polícia Civil reforçou a importância das denúncias da comunidade para o sucesso de operações como a realizada nesta quinta-feira.

Embora a adolescente tenha assumido a posse dos entorpecentes, investigadores apuram se a residência era utilizada exclusivamente por ela ou se servia de depósito para outros envolvidos. A análise do conteúdo do telefone celular apreendido poderá esclarecer contatos, movimentação financeira e a extensão da atividade criminosa.

O dinheiro encontrado em cédulas de pequeno valor será periciado para determinar eventual procedência de venda direta aos usuários monitorados pelos policiais. Já as balanças de precisão, comuns em pontos de distribuição, serão avaliadas como prova material da prática de fracionamento e preparo de porções.

Com a conclusão dos laudos e o encaminhamento do inquérito, o caso deverá ser remetido ao Ministério Público para as medidas judiciais cabíveis. A adolescente permanece à disposição da Justiça até a definição de eventual medida socioeducativa, que pode variar de advertência a internação, conforme a gravidade do ato infracional e o histórico da infratora.

A Polícia Civil prossegue com diligências complementares, incluindo oitivas de testemunhas e análise de câmeras de segurança da região. O objetivo é mapear rotas de entrada e saída de entorpecentes no bairro e impedir a reativação de pontos de venda após a operação.

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