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Congresso Internacional debate autismo em Ponta Porã e reúne 1,7 mil participantes

Cerca de 1.700 pessoas participam, neste fim de semana, do Congresso Internacional Autismo Sem Fronteira, realizado em Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense localizada na fronteira com o Paraguai. A terceira edição do evento começou no sábado (14) e prossegue até domingo (15), oferecendo uma programação que inclui palestras, painéis e espaços de debate dedicados à ciência, à prática clínica, à educação e à inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A cerimônia de abertura contou com a presença do governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP). Na ocasião, ele ressaltou a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à população com TEA e citou ações já em andamento na administração estadual. Entre as iniciativas mencionadas estão a capacitação continuada de professores da rede pública, a expansão de estruturas de acolhimento para estudantes autistas e programas de sensibilização em equipamentos como o Bioparque Pantanal. O chefe do Executivo estadual também lembrou a edição de um decreto que assegura repasses permanentes a instituições parceiras que atuam com diferentes públicos, incluindo pessoas com autismo.

A programação concentra 18 palestrantes reconhecidos nacional e internacionalmente. Entre os nomes confirmados estão os pesquisadores Paulo Liberalesso, Talita Pazeto e Thiago Lopes, que abordam avanços científicos, estratégias terapêuticas e experiências exitosas de inclusão escolar. Segundo a organização, a escolha dos convidados priorizou a apresentação de estudos recentes e práticas baseadas em evidências, com o objetivo de apoiar profissionais, familiares e gestores públicos no desenvolvimento de políticas e serviços.

Representantes governamentais integram painéis que discutem a construção de redes de apoio em saúde, educação e assistência social. A secretária estadual de Cidadania, Viviane Luiza, divide uma mesa sobre políticas públicas com a primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, e com a secretária municipal de Governo de Ponta Porã, Paula Campos. O grupo apresenta experiências locais, resultados preliminares de programas de apoio a famílias e propostas para fortalecer a articulação entre municípios, Estado e União.

Idealizadora do Congresso Internacional Autismo Sem Fronteira, a empresária Chayene Marques Georges do Amaral explica que o projeto surgiu em 2021, após o diagnóstico de autismo da filha Ayla, atualmente com sete anos. De acordo com Chayene, a vivência pessoal trouxe a percepção de que a circulação de informações qualificadas poderia reduzir incertezas e auxiliar famílias na busca por atendimento adequado. O crescimento do encontro, que nas duas primeiras edições reuniu cerca de 1.500 participantes cada, reflete, segundo a organização, a demanda por capacitação e troca de experiências sobre o tema no país.

Além dos espaços de discussão, o congresso reserva áreas para exposição de materiais pedagógicos, tecnologias assistivas e publicações científicas relacionadas ao autismo. Profissionais de saúde apresentam protocolos de avaliação precoce, enquanto educadores demonstram recursos para adaptação curricular e inclusão nas salas de aula. Instituições que oferecem serviços especializados, como terapia ocupacional, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico, utilizam o evento para divulgar metodologias e firmar parcerias.

Famílias de pessoas com TEA compõem expressiva parcela do público, ao lado de professores, estudantes universitários, gestores públicos e profissionais liberais. Segundo a comissão organizadora, a diversidade de perfis garante que os debates não fiquem restritos ao campo acadêmico e ajudem a traduzir pesquisas em ações práticas. Um dos objetivos centrais é promover a integração de saberes e estimular a criação de políticas intersetoriais capazes de alcançar desde o diagnóstico até a vida adulta dos autistas.

Ponta Porã foi escolhida para sediar o congresso por ser ponto de encontro de públicos do Brasil e do Paraguai. A proximidade física facilita a participação de profissionais estrangeiros e reforça a proposta de “autismo sem fronteira”, ressaltam os coordenadores. A expectativa é que a troca de experiências amplie iniciativas de cooperação bilateral em formação de professores, produção de materiais em espanhol e português e intercâmbio de protocolos clínicos entre os dois países.

Ao final do encontro, os organizadores devem divulgar uma carta de recomendações destinada a gestores públicos, universidades e entidades da sociedade civil. O documento deve compilar demandas recorrentes, resultados das discussões e propostas de encaminhamento para aprimorar o atendimento a pessoas com TEA. A carta será enviada a secretarias estaduais e municipais de Saúde, Educação e Assistência Social, além de conselhos profissionais e parlamentares que integram frentes em defesa dos direitos da pessoa com deficiência.

Com a conclusão das atividades no domingo, a comissão organizadora avaliará a possibilidade de ampliar o evento para outros estados nas próximas edições. A intenção é consolidar uma rede nacional de encontros regionais que mantenham a mesma linha de produção de conhecimento, qualificação profissional e fortalecimento das famílias, de modo a contribuir para a construção de políticas públicas sustentáveis e baseadas em evidências.

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