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Governo de MS lança Rodar MS para renovar mil quilômetros de rodovias com menor custo

O governo de Mato Grosso do Sul apresentou o programa Rodar MS, iniciativa que pretende recuperar quase mil quilômetros da malha estadual ao mesmo tempo em que reduz despesas públicas. O modelo adota contratos de desempenho que, segundo projeções oficiais, podem gerar economia de até 38 % em relação aos métodos tradicionais de contratação de obras rodoviárias.

O investimento total estimado é de aproximadamente US$ 250 milhões, montante equivalente a R$ 1,25 bilhão na cotação atual. Desse valor, US$ 200 milhões virão de financiamento do Banco Mundial; o restante será aportado pelo próprio Estado. A estrutura financeira foi definida para assegurar recursos nas fases de projeto, execução e manutenção das estradas contempladas.

O principal diferencial do Rodar MS está no formato contratual. Em vez de licitar separadamente projeto, obras e conservação, o governo reunirá todas as etapas em um único pacote. Os pagamentos serão vinculados ao desempenho entregue, o que significa que as empresas responsáveis só receberão integralmente se cumprirem os padrões de qualidade definidos e mantiverem as rodovias em bom estado ao longo do tempo. Esse modelo, classificado como Contrato de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema), cria um incentivo direto para que a construção inicial seja executada com maior rigor técnico, reduzindo futuros custos de manutenção para o poder público e para os usuários.

Duas modalidades de contratação serão adotadas. A principal, denominada Design, Build, Maintain (DBM), abrangerá mais de 730 quilômetros de estradas. Os contratos previstos para essa fase terão duração de dez anos, período que cobre desde a elaboração dos projetos iniciais até a conservação contínua dos trechos restaurados. O desenho foi escolhido para garantir acompanhamento permanente das condições do pavimento e rápida resolução de eventuais problemas estruturais.

Na região conhecida como Bolsão, será utilizado o formato de parceria público-privada (PPP). Nessas concessões, as empresas assumirão trechos específicos por prazos que podem chegar a 30 anos, ficando encarregadas tanto das intervenções iniciais quanto da manutenção integral ao longo de todo o contrato. A escolha pelo modelo de PPP busca atrair investimentos privados e assegurar a prestação de serviços de conservação por períodos mais extensos, especialmente em áreas com menor densidade populacional ou receitas diretas limitadas.

Além de reduzir gastos públicos, o Rodar MS deve impactar positivamente o transporte de cargas. Estudos do Banco Mundial citados pelo governo indicam que, com a melhoria das condições de tráfego, os custos operacionais dos veículos podem cair até quatro vezes. O cálculo considera menor desgaste de componentes, consumo reduzido de combustível e diminuição do tempo de viagem. A expectativa é de que a competitividade logística do Estado aumente de forma significativa, beneficiando especialmente setores agroindustriais que dependem do escoamento rodoviário.

Ao todo, 22 municípios serão alcançados direta ou indiretamente pelas obras, com maior concentração de intervenções na porção leste do Estado e no chamado Vale da Celulose. A lista inclui cidades que servem de corredor para a produção agrícola, pecuária e industrial, favorecendo o acesso a mercados internos e aos portos de exportação.

O programa incorpora ainda um componente de segurança viária direcionado a áreas escolares. Vinte e quatro unidades da rede pública estadual receberão melhorias de infraestrutura no entorno, como adequação de faixas de pedestres, reordenamento de fluxo de veículos e ajustes de acessibilidade. A seleção dos locais levou em conta dados técnicos de acidentes e fluxo de pessoas, buscando reduzir riscos a estudantes e pedestres que circulam diariamente nessas vias.

Com a combinação de financiamento internacional, contratos de longa duração e foco em desempenho, o governo sul-mato-grossense pretende estabelecer um novo padrão de gestão rodoviária. A administração estadual sustenta que o modelo integrado proporciona maior previsibilidade de custos, eleva o nível de serviço prestado à população e amplia a segurança nas estradas, sem necessidade de reajustes frequentes de contratos ou licitações adicionais.

O cronograma detalhado de execução, etapas de licitação e seleção das empresas responsáveis serão publicados pelo Executivo estadual nos próximos meses. Enquanto isso, equipes técnicas finalizam estudos de engenharia e definem métricas de desempenho que servirão de referência para a fiscalização ao longo de todo o ciclo de vida dos contratos.