O Informe Epidemiológico nº 30, divulgado nesta quarta-feira (22), indica que o município de Dourados registrou 6.411 notificações relacionadas ao vírus da Chikungunya desde o início do surto. Desse total, 2.204 casos foram confirmados laboratorialmente, 4.959 são considerados prováveis, 1.462 foram descartados e 2.755 permanecem em investigação.
O avanço da doença pressionou a rede pública de saúde, que opera acima da capacidade em diversos pontos da cidade. A Secretaria Municipal de Saúde avalia a situação como crítica e reforça a necessidade de mobilização coletiva para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus.
Internações em alta nas unidades hospitalares
As complicações associadas à Chikungunya mantêm elevado o volume de internações. Nesta quarta-feira, 41 pacientes ocupavam leitos em hospitais de Dourados. A distribuição é a seguinte:
• Hospital Universitário HU-UFGD: 22 pacientes
• Hospital Regional do Governo do Estado: 7 pacientes
• Hospital Cassems: 5 pacientes
• Hospital Evangélico Mackenzie: 3 pacientes
• Hospital Indígena Porta da Esperança (Missão Caiuá): 2 pacientes
• Hospital da Vida: 2 pacientes
Além das internações, o informe confirma oito óbitos decorrentes de complicações da doença. Destes, sete ocorreram entre moradores da Reserva Indígena de Dourados, onde o impacto do surto é mais intenso.
Situação nas aldeias Bororó e Jaguapiru
Na área indígena, o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública contabiliza 2.976 notificações. Entre esses registros, 1.461 casos foram confirmados, 2.337 são classificados como prováveis, 639 foram descartados e 876 continuam sob investigação. A prevalência da doença nas aldeias Bororó e Jaguapiru representa uma parcela significativa do total municipal e exigiu a ampliação de ações de vigilância específica, incluindo visitas domiciliares e eliminação de focos do mosquito.
Campanha de vacinação começa em 27 de abril
Com objetivo de reduzir o número de casos graves, a Secretaria Municipal de Saúde lançará a campanha de vacinação contra Chikungunya na próxima segunda-feira (27). As doses serão distribuídas às salas de vacinação de todo o município, inclusive às unidades de saúde indígena, nesta sexta-feira (24). A iniciativa compõe o Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya.
O esquema prevê imunização da população de 18 a 59 anos, conforme orientações do Ministério da Saúde. Antes da aplicação, cada pessoa passará por avaliação para identificar possíveis contraindicações. O procedimento poderá tornar o ritmo de vacinação mais lento, já que profissionais de enfermagem precisam verificar histórico clínico e eventual presença de comorbidades.
Grupos com contraindicações
Não poderão receber a vacina:
• Gestantes ou lactantes;
• Usuários de medicamentos imunossupressores em altas doses, como corticoides;
• Pacientes com imunodeficiência congênita;
• Pessoas em tratamento oncológico com quimioterapia ou radioterapia;
• Transplantados de órgão sólido ou de medula óssea há menos de dois anos;
• Indivíduos com HIV/Aids;
• Portadores de doenças autoimunes, entre elas lúpus e artrite reumatoide;
• Pessoas com duas ou mais condições crônicas, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade (IMC acima de 30), doença hepática crônica ou câncer em tratamento ou remissão.
Também devem adiar a imunização pessoas que:
• Tiveram Chikungunya nos últimos 30 dias;
• Apresentam quadro febril grave no momento da vacinação;
• Receberam outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias;
• Foram imunizadas com vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.
Mobilização para controle do vetor
Paralelamente à vacinação, o município intensifica ações de combate ao Aedes aegypti. As medidas incluem mutirões de limpeza, visitas de agentes de endemias e orientações à população para remoção de recipientes que acumulem água. Segundo a Secretaria de Saúde, a participação comunitária é considerada fundamental para conter a disseminação do vírus.
O compromisso das autoridades municipais abrange ainda a capacitação contínua das equipes de saúde, a ampliação de testes diagnósticos e o monitoramento diário dos indicadores epidemiológicos. Com a vacinação, o objetivo é reduzir hospitalizações e mortes, enquanto o controle vetorial busca interromper a cadeia de transmissão.
Mesmo com a campanha prestes a começar, a prefeitura alerta que a eficácia no enfrentamento da Chikungunya depende de ações coordenadas entre poder público e população. A recomendação é que moradores eliminem pontos de água parada em residências, mantenham calhas limpas, descartem corretamente o lixo e permitam o acesso dos agentes de saúde durante as inspeções.








