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Consumo em supermercados cresce 1,92% no primeiro trimestre de 2026, aponta Abras

O volume de compras realizado pelos lares brasileiros em supermercados avançou 1,92% no acumulado de janeiro a março de 2026, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A expansão, medida pelo índice de consumo da entidade, reflete a combinação de maior disponibilidade de renda às famílias e fatores sazonais que costumam concentrar gastos no fim do primeiro trimestre.

Março impulsiona o resultado trimestral
O terceiro mês do ano foi determinante para o desempenho parcial de 2026. Frente a fevereiro, o consumo subiu 6,21%. Quando comparado a março de 2025, o avanço foi de 3,20%. A base menor do mês anterior — encurtado pelo calendário — e a preparação para a Páscoa contribuíram para deslocar parte das compras para março, ampliando o efeito estatístico sobre o trimestre.

Programas sociais e liberação de recursos sustentam a alta
Pagamentos regulares de benefícios, como Bolsa Família e abono salarial PIS/Pasep, aumentaram a circulação de dinheiro em curto intervalo de tempo. Segundo a Abras, essa injeção de recursos elevou a renda disponível da população de menor poder aquisitivo, grupo que tende a direcionar parcela relevante do orçamento à alimentação e itens de uso diário.

Pressão de preços afeta a cesta Abrasmercado
O impacto da demanda ficou visível nos preços. O Abrasmercado — cesta composta por 35 produtos de largo consumo — subiu 2,20% em março, alcançando valor médio de R$ 820,54. Entre os alimentos básicos, o feijão apresentou o maior reajuste. O leite longa vida veio na sequência, enquanto massas, margarina e farinha de mandioca mostraram altas mais moderadas.

Em sentido oposto, açúcar, café, óleo de soja e arroz recuaram, aliviando parcialmente o índice. Na categoria de proteínas, ovos e cortes bovinos ficaram mais caros, enquanto frango e pernil registraram diminuição. Produtos de higiene e limpeza, de modo geral, avançaram levemente, com exceção do sabão em pó, que teve pequena queda.

Volatilidade de hortifrutis
Os alimentos frescos apresentaram oscilações amplas. Tomate, cebola e batata lideraram as elevações, explicadas por fatores climáticos e variações na oferta. Essa instabilidade tem peso significativo sobre o orçamento das famílias, pois são itens comprados com frequência e sensíveis a variações de produção regional.

Diferentes ritmos regionais de inflação
Todas as regiões do país registraram aumento no custo da cesta, com maior intensidade no Nordeste. Questões logísticas, disponibilidade local de produtos e estruturas de distribuição explicam parte dessas diferenças. Em estados mais distantes dos principais polos agrícolas, o frete exerce pressão adicional, sobretudo sobre perecíveis.

Perspectivas para o segundo trimestre
Para os próximos meses, a Abras projeta continuidade do crescimento nas vendas. Dois fatores devem sustentar a tendência: a antecipação do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o início das restituições do Imposto de Renda. Ambos costumam reforçar o poder de compra entre abril e junho.

A entidade, contudo, alerta para riscos capazes de modificar o cenário. Custos logísticos associados ao preço do petróleo podem elevar fretes e, consequentemente, preços nas prateleiras. Além disso, eventos climáticos que comprometam safras de hortaliças ou grãos têm potencial de transferir pressões à inflação de alimentos.

Consumidor permanece sensível
Apesar do avanço nas quantidades compradas, o comportamento de consumo indica maior seletividade. A Abras observa que as famílias buscam aproveitar promoções, substituem marcas e, em alguns casos, trocam proteínas de maior valor por opções mais baratas. Esse movimento sugere cautela diante de variações de preços e incertezas sobre custos futuros.

Setor mantém expectativa positiva
Para o setor supermercadista, o desempenho do primeiro trimestre reforça a perspectiva de crescimento em 2026. O índice atual confirma retomada gradual do consumo após períodos de forte pressão inflacionária nos anos anteriores. A manutenção de políticas de transferência de renda e a estabilidade do mercado de trabalho aparecem como condicionantes para sustentar a trajetória de expansão ao longo do ano.

Por ora, a Abras não revisou sua projeção oficial para 2026, mas indicou que a tendência permanece favorável, desde que eventuais choques de oferta e custos não se intensifiquem. O acompanhamento dos próximos indicadores de preço e da disposição de compra das famílias deve orientar novos ajustes das expectativas do setor.