O Ministério da Agricultura e Pecuária, em parceria com a Embrapa, aprovou a segunda etapa do Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM), instrumento que atualiza a política de gestão de riscos no campo e amplia o alcance do seguro rural. A decisão foi formalizada pelo Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, responsável por definir as diretrizes do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Na prática, o avanço do ZarcNM amplia o número de culturas contempladas, estende a cobertura a novos estados e eleva o percentual de subsídio pago pelo governo sobre o prêmio do seguro. O modelo parte do princípio de que propriedades que adotam boas práticas de manejo apresentam menor exposição a riscos climáticos e, por isso, podem receber incentivos diferenciados.
A soja, primeira cultura a receber o ZarcNM em fase piloto no Paraná, passa agora a integrar o sistema também em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para custear essa expansão, o Ministério destinou R$ 1 milhão do orçamento do PSR, recurso que deve garantir a emissão de apólices com novas faixas de subvenção.
Os percentuais de apoio público foram reajustados conforme o nível de manejo da área segurada. A partir desta fase, o produtor que se enquadrar no nível NM2 terá direito a subvenção de 30% sobre o valor do prêmio. Para o nível NM3, a participação federal sobe para 35%, enquanto áreas classificadas no nível NM4 poderão receber até 40%. Essa graduação busca recompensar quem mantém práticas de conservação de solo, rotação de culturas, análise de fertilidade e demais ações que reduzem a vulnerabilidade da lavoura.
No caso do milho de segunda safra, a novidade traz benefício ainda mais expressivo. A cultura passa a contar com o ZarcNM em Paraná e Mato Grosso do Sul, com possibilidade de subvenção de até 50% para talhões classificados nos níveis mais altos de manejo. Segundo o Comitê Gestor, esse é o maior percentual hoje disponível no âmbito do PSR, sinalizando uma aposta na expansão do cultivo com menores riscos em regiões suscetíveis a veranicos.
Outra mudança relevante é a possibilidade de classificação antecipada das áreas produtivas. O procedimento permite que produtores e seguradoras conheçam o nível de manejo antes da contratação, tornando mais previsível o valor do prêmio e facilitando a avaliação de risco. Com isso, espera-se reduzir o tempo de análise das propostas e aumentar a transparência no processo de subscrição das apólices.
O Zarc Níveis de Manejo foi concebido com base em estudos que demonstram o impacto positivo das práticas sustentáveis sobre a retenção de água no solo e a capacidade de enfrentar períodos de seca. Ao reconhecer a diferença de risco entre propriedades vizinhas, o programa procura alinhar o custo do seguro ao real perfil de cada produtor, incentivando a adoção de técnicas como plantio direto, cobertura vegetal permanente e manejo adequado de fertilidade.
Com a expansão anunciada, o governo pretende fortalecer a política de seguro rural, reduzir perdas econômicas provocadas por eventos climáticos extremos e otimizar o uso de recursos públicos. A expectativa oficial é de que a combinação de maior subvenção e critérios técnicos mais detalhados eleve a adesão dos produtores, contribua para a estabilidade da renda agropecuária e estimule ganhos de produtividade associados a práticas sustentáveis.









