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Feminicídio em Mundo Novo: idosa é morta e companheiro é preso após manter corpo em casa por quatro dias

Uma idosa de 74 anos foi encontrada morta dentro de casa, na área rural de Mundo Novo, extremo sul de Mato Grosso do Sul, e o companheiro dela tornou-se o principal suspeito do crime. A Polícia Civil trata o caso como feminicídio, o 12º registrado no Estado neste ano. A vítima, identificada como Zelita Rodrigues de Souza, vivia há aproximadamente dez anos com Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41, que permaneceu quatro dias no imóvel com o corpo antes da chegada das autoridades.

A residência onde o crime foi descoberto fica na localidade conhecida como Porto Isabel. A morte veio à tona na tarde de quinta-feira, 30, depois que vizinhos, preocupados com o sumiço da moradora, decidiram entrar na casa. Eles encontraram o corpo sobre uma cama, já apresentando sinais de violência. A descoberta ocorreu por volta das 16 h, momento em que o Corpo de Bombeiros de Guaíra, no Paraná, foi acionado. Na sequência, a Polícia Militar compareceu ao endereço e isolou a área até a chegada da Polícia Civil.

Conforme informações colhidas no local, o suspeito indicou aos policiais onde o corpo estava e foi conduzido à delegacia. A análise preliminar descartou morte natural, reforçando a hipótese de homicídio. Durante o depoimento, Vicente alegou que adormeceu e, ao despertar, encontrou a companheira sem vida. Segundo a investigação, ele apresentava sinais de embriaguez no momento em que prestou esclarecimentos.

Familiares da vítima relataram histórico de agressões físicas e psicológicas. A irmã de Zelita, Léia Miranda da Silva, afirmou que o desfecho não surpreendeu a família, pois o relacionamento era marcado por humilhações e ameaças. Ainda de acordo com Léia, parentes tentaram, em várias ocasiões, convencer a idosa a interromper a convivência, mas ela retornava ao convívio com o companheiro. Dos dez anos de relação, cerca de sete foram vividos em Mundo Novo.

A última comunicação entre as duas irmãs ocorreu na segunda-feira. Depois disso, Léia não conseguiu mais contato telefônico com Zelita. O silêncio acendeu o alerta entre familiares e vizinhos, culminando na verificação da residência e na consequente localização do corpo. Testemunhas também relataram episódios de violência doméstica observados ao longo dos anos, informação que reforça a linha de investigação da Polícia Civil.

Após a remoção do corpo para exames necroscópicos, os peritos confirmaram indícios compatíveis com morte violenta, embora detalhes sobre a causa exata não tenham sido divulgados. A polícia aguarda laudos periciais para definir a dinâmica do crime e formalizar eventual indiciamento. Enquanto isso, Vicente permanece detido como suspeito.

O sepultamento de Zelita ocorreu na manhã de sexta-feira, em Guaíra, município paranaense onde parte da família reside. A cerimônia foi breve, marcada pela consternação dos presentes. Parentes cobraram providências rápidas das autoridades e demonstraram desconfiança quanto ao resultado final do processo judicial, mencionando casos anteriores em que agressores receberam penas consideradas brandas.

Com a instauração do inquérito, a Delegacia de Mundo Novo apura elementos como a convivência anterior, possíveis registros de ocorrências e a eventual presença de armas na residência. O histórico do suspeito também é analisado, inclusive eventuais passagens anteriores por violência doméstica. A investigação integra o banco de dados estadual que monitora crimes contra mulheres, iniciativa que busca subsidiar políticas públicas de prevenção.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública indicam que Mato Grosso do Sul chegou a 12 feminicídios em 2024, número que, segundo a pasta, mantém a estatística em patamar semelhante ao do ano passado no mesmo período. Especialistas apontam que a subnotificação de ameaças e agressões anteriores dificulta a intervenção precoce e a adoção de medidas protetivas.

Enquanto os laudos conclusivos não são entregues, a Polícia Civil mantém o suspeito à disposição da Justiça e deve ouvir testemunhas adicionais, entre vizinhos e familiares, nos próximos dias. O objetivo é reconstruir a cronologia dos acontecimentos entre a última vez em que Zelita foi vista com vida e o momento em que o corpo foi encontrado. A expectativa é concluir a apuração nas próximas semanas e encaminhar o relatório ao Ministério Público, que avaliará a denúncia por feminicídio.

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