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Dourados ultrapassa 7,5 mil notificações de chikungunya e confirma nona morte

Dourados, no interior de Mato Grosso do Sul, mantém o estado de emergência em saúde pública após registrar 7.500 notificações de chikungunya e confirmar a nona morte provocada pela doença. O cenário, descrito no Informe Epidemiológico mais recente, aponta circulação intensa do vírus e pressiona a rede de assistência local, que tem lidado com aumento expressivo na procura por atendimento.

Dos registros contabilizados até o momento, aproximadamente 5.200 evoluíram para casos classificados como prováveis, enquanto quase 3 mil foram confirmados por critério laboratorial ou clínico-epidemiológico. A taxa de positividade de 57% é considerada alta pelos profissionais de vigilância e indica que mais da metade das amostras analisadas resulta em diagnóstico para chikungunya. Embora as últimas semanas mostrem leve redução no ritmo de notificações, o município permanece em situação de epidemia, com maior concentração de ocorrências na zona urbana.

O avanço da doença repercute diretamente na estrutura de saúde. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) passou a atender, em média, mais de 420 pacientes por dia, número superior ao padrão observado antes do atual surto. Além da sobrecarga em atendimentos ambulatoriais, 33 pessoas estão internadas em hospitais da cidade com suspeita ou confirmação de complicações associadas ao vírus. Outros três óbitos seguem em investigação para definição da causa, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A morte mais recente foi confirmada em 30 de abril. A vítima, um homem de 29 anos residente na Aldeia Bororó, apresentou os primeiros sintomas em 19 de abril, foi internada no Hospital da Vida e faleceu em 25 de abril. A conclusão do diagnóstico contou com apoio do Laboratório Central. Com esse caso, Dourados soma nove vítimas fatais da chikungunya, oito delas indígenas, evidenciando o impacto desproporcional da epidemia em populações vulneráveis.

Para conter a proliferação do Aedes aegypti, a prefeitura intensificou mutirões de limpeza, aplicação de larvicidas e visitas domiciliares de agentes de endemias. As ações incluem a remoção de objetos que possam acumular água, vistorias em pontos estratégicos, orientações porta a porta e monitoramento semanal dos índices de infestação. A administração municipal também mantém parceria com órgãos estaduais e federais para reforçar a oferta de insumos laboratoriais e ampliar a capacidade de testagem.

As autoridades de saúde reforçam a importância da participação comunitária no enfrentamento ao vírus. Recomenda-se eliminar qualquer recipiente com água parada, tampar caixas d’água, limpar calhas, verificar bandejas de ar-condicionado, manter lixeiras fechadas e permitir o acesso das equipes de vigilância aos imóveis. Moradores que apresentarem febre repentina, dores no corpo ou nas articulações devem procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação, evitando a automedicação e o agravamento do quadro clínico.

O Informe Epidemiológico 41, que serve de base para o monitoramento, será atualizado semanalmente enquanto vigorar a emergência. A persistência de um índice de positividade acima de 50% mantém a equipe técnica em alerta, pois demonstra transmissão ativa. Mesmo com discreta desaceleração de notificações, a Secretaria Municipal de Saúde considera prematuro falar em arrefecimento da epidemia e orienta que a população mantenha todas as medidas preventivas até que os indicadores regressem a níveis considerados seguros.

Além de acompanhar as internações e possíveis novos óbitos, o município segue avaliando a necessidade de ampliar leitos e estabelecendo protocolos de manejo clínico para casos graves. A expectativa das autoridades é reduzir a incidência por meio da combinação de ações de campo, sensibilização da sociedade e atendimento precoce, fatores que podem minimizar complicações e evitar novas mortes.

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