Campo Grande recebe nesta semana a especialista em saúde emocional Ângela Sirino, que conduz a palestra “Tempo de Cura” e a imersão terapêutica “Acorde Agora”. Com mais de duas décadas de atuação, a pedagoga, sexóloga, escritora e Doutora Honoris Causa em Saúde Mental defende o autoconhecimento como instrumento fundamental para romper padrões de comportamento repetitivos e fortalecer a saúde mental.
Durante entrevista concedida à Rádio Massa FM Campo Grande, Ângela ressaltou que grande parte da população ainda negligencia o cuidado emocional e, por isso, reproduz modelos aprendidos na infância. Segundo a especialista, a repetição de ciclos familiares leva muitas pessoas a atribuírem dificuldades a fatores externos, quando, na verdade, se trata de comportamentos internalizados que passam de geração em geração.
A profissional é fundadora do Instituto Fazendo a Diferença, criado em meio ao isolamento social provocado pela pandemia de covid-19. Na ocasião, ela começou a realizar transmissões ao vivo nas redes sociais para discutir temas ligados à saúde emocional, iniciativa que rapidamente ganhou visibilidade e estímulo do público. Hoje, o projeto alcança mais de 40 mil alunos no Brasil e no exterior e oferece milhares de atendimentos gratuitos por meio de terapias on-line.
O instituto aposta em um processo de autoconhecimento estruturado em três frentes: encontro consigo mesmo, identificação de traumas e cura emocional. A metodologia busca que cada participante transforme primeiramente a própria vida para, em seguida, atuar como agente de apoio em seu entorno social. Para Ângela, a mudança individual tende a provocar reflexos positivos na família e na comunidade.
Entre as estratégias aplicadas está o método “Ciência e Fé”, desenvolvido pela especialista. A abordagem integra fundamentos da psicanálise com princípios judaico-cristãos, propondo uma combinação entre recursos científicos e valores espirituais. O objetivo é demonstrar que o tratamento de transtornos emocionais exige mais do que orações ou rituais religiosos; exige, também, ferramentas técnicas capazes de ajudar o indivíduo a reinterpretar vivências dolorosas.
As aulas, treinamentos e publicações do instituto utilizam referências consolidadas da psicanálise, estudos do comportamento humano e práticas de desenvolvimento pessoal. Nessas atividades, os participantes são orientados a reconhecer emoções, a analisar suas reações diante de conflitos e a estabelecer novos padrões de convivência.
Outro produto do Instituto Fazendo a Diferença é o filme “A Escolha de Ficar”, concebido para ampliar o debate sobre violência doméstica. O longa-metragem foi inspirado em histórias reais relatadas durante os atendimentos terapêuticos, que identificaram a agressão contra a mulher como uma das principais demandas. Estimativas trabalhadas pela instituição apontam que aproximadamente 60% dos lares convivem com algum tipo de violência, muitas vezes silenciada ou naturalizada dentro da rotina familiar.
O enredo do filme mostra como a violência doméstica se instala de forma gradual, passa da fase psicológica para a física e gera impactos profundos em todos os moradores da casa, especialmente crianças. A produção evidencia ainda como algumas vítimas relativizam o problema ao justificar comportamentos do agressor ou minimizar as consequências emocionais geradas em longo prazo.
Nessa mesma linha de prevenção e conscientização, a passagem de Ângela Sirino por Campo Grande inclui a palestra “Tempo de Cura”, voltada ao público em geral, e a imersão “Acorde Agora”, experiência mais aprofundada que reúne exercícios práticos, dinâmicas em grupo e acompanhamento terapêutico. As atividades combinam reflexões sobre saúde emocional, espiritualidade e responsabilidade individual na construção de relacionamentos saudáveis.
De acordo com a especialista, a imersão convida os participantes a revisitarem memórias afetivas e episodicamente traumáticas para entender como essas lembranças influenciam a vida adulta. A metodologia propõe, por exemplo, discutir por que algumas pessoas iniciam projetos e não os concluem ou permanecem em relacionamentos abusivos sem perceber o desgaste emocional envolvido.
Ao final da entrevista, Ângela reforçou a necessidade de encarar a saúde mental como parte essencial do bem-estar geral. Ela destacou que muitas pessoas recorrem a soluções paliativas, mas evitam confrontar as causas profundas de seu sofrimento emocional. A especialista recomenda que o primeiro passo seja reconhecer a importância de pedir ajuda qualificada, lembrando que mudanças significativas são possíveis em qualquer etapa da vida.









