Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com crescimento no mercado de trabalho e na massa de rendimentos, mas manteve um cenário de forte concentração de renda. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que o rendimento médio domiciliar per capita do 1% mais rico alcançou R$ 18.932, montante 47 vezes superior aos R$ 403 recebidos, em média, pelos 10% mais pobres.
O estudo mostra que o número de pessoas ocupadas no estado avançou 4% entre 2024 e 2025, passando de 1,41 milhão para 1,46 milhão. A expansão levou a massa de rendimento mensal domiciliar per capita a um recorde de R$ 6,75 bilhões. Mesmo assim, a distribuição desses recursos permanece concentrada: os 10% mais ricos retêm 36,3% de toda a renda gerada no período, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,7%.
Com renda domiciliar per capita média de R$ 2.369, Mato Grosso do Sul ocupa a oitava posição entre as unidades da Federação e registra o maior patamar da série histórica local. Dentro do estado, porém, as diferenças são marcantes. O rendimento médio dos 10% mais ricos atingiu R$ 13.569. Já o recorte do 1% mais rico mostra média de R$ 31.079. No extremo oposto, o valor médio auferido pelos 10% mais pobres foi de R$ 750.
Perfil da população ocupada
Dos 1,46 milhão de trabalhadores contabilizados, 825 mil são homens e 638 mil mulheres. A maior concentração de ocupados situa-se na faixa etária de 18 a 29 anos. Quanto à escolaridade, o ensino médio completo permanece como o nível predominante, reunindo 488 mil pessoas, enquanto o ensino superior completo continua associado à maior remuneração.
As diferenças salariais entre homens e mulheres persistem. A renda média feminina ficou em R$ 3.210, contra R$ 4.127 para os homens. No recorte educacional, quem possui diploma de ensino superior recebeu, em média, R$ 6.632, valor que cai para R$ 1.824 entre trabalhadores sem instrução formal.
Rendimento por raça e cor
A pesquisa revela ainda disparidades raciais. Trabalhadores autodeclarados brancos obtiveram rendimento médio de R$ 4.527. Entre pardos, a média foi de R$ 3.187, e, entre pretos, de R$ 3.046. O resultado reforça a desigualdade de renda associada a fatores raciais no estado.
Programas de transferência de renda
Após o pico registrado em 2024, a proporção de domicílios atendidos pelo Bolsa Família diminuiu de 13% para 9,5%, equivalente a 102 mil residências, mas segue acima do nível verificado antes da pandemia. Entre beneficiários, o rendimento médio domiciliar per capita foi de R$ 930; nas casas que não recebem o benefício, a média atingiu R$ 2.595, quase três vezes maior.
O perfil educacional dos beneficiários também mudou ao longo dos anos. A participação de pessoas com ensino médio completo nesse grupo subiu de 8,2% em 2012 para 20,2% em 2025, índice que mais que dobrou no intervalo analisado.
Indicador de desigualdade
O índice de Gini, métrica internacional que varia de 0 (igualdade plena) a 1 (desigualdade máxima), ficou em 0,457 em 2025, praticamente inalterado em relação ao ano anterior. O resultado confirma a manutenção de um nível elevado de concentração de renda em Mato Grosso do Sul, apesar do aumento geral de empregos e dos ganhos salariais médios.
Em síntese, os dados do IBGE apontam para avanços no volume total de rendimentos e na participação feminina na força de trabalho, mas mostram que diferenças de renda por faixa de escolaridade, gênero e raça continuam expressivas. A distância entre o topo e a base da pirâmide de renda revela que o crescimento econômico registrado no período não foi suficiente para reduzir a desigualdade no estado.









