A confirmação da presença do Haiti na Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma onda de entusiasmo entre os imigrantes haitianos que vivem em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. O país caribenho voltará a disputar o torneio após um intervalo de 52 anos, repetindo o feito histórico de 1974, quando participou pela primeira e, até então, única vez da principal competição do futebol internacional.
O retorno da seleção haitiana tornou-se ainda mais significativo para os torcedores que residem na cidade sul-mato-grossense ao saberem que o Haiti dividirá o mesmo grupo da fase inicial com o Brasil. A perspectiva de enfrentar a equipe cinco vezes campeã do mundo elevou o interesse dos imigrantes, que acompanham de perto os preparativos para o Mundial e já planejam pontos de encontro para acompanhar as partidas.
Três Lagoas abriga uma das maiores comunidades haitianas do estado. Nos últimos anos, a cidade passou a receber trabalhadores vindos do Haiti, que buscaram novas oportunidades no Brasil e se fixaram principalmente nos polos industriais e de serviços locais. Desde então, manifestações culturais haitianas tornaram-se parte do cotidiano do município, e o futebol sempre foi um elo importante entre os recém-chegados e os moradores locais.
Nesse contexto, a classificação para o Mundial de 2026 funciona como catalisador de orgulho nacional. Entre os torcedores que celebram o feito está Lucio Sthilaire, residente em Três Lagoas há 14 anos. Ele e a família acompanharam cada etapa das eliminatórias e, ao receberem a notícia da vaga garantida, não esconderam a alegria. Para Lucio, a participação de seu país na próxima Copa representa um momento histórico capaz de reforçar a imagem de força e determinação do povo haitiano diante da comunidade internacional.
De acordo com relatos de moradores, a comemoração tomou conta de diferentes bairros onde se concentram famílias haitianas. Pequenos comércios instalados por imigrantes exibem bandeiras nas vitrines, e rodas de conversa relembram a campanha de 1974, quando o Haiti marcou presença no torneio pela primeira vez. A nova classificação reacendeu lembranças passadas e abriu espaço para discussões sobre a evolução do futebol no país, bem como sobre as dificuldades enfrentadas até a conquista da vaga atual.
A expectativa para os jogos vai além do aspecto esportivo. Líderes comunitários apontam que a Copa poderá intensificar o intercâmbio cultural no município, pois brasileiros e haitianos planejam se reunir em praças, bares e centros comunitários para acompanhar as partidas. Durante esses encontros, a culinária típica, a música e as tradições dos dois países tendem a se misturar, ampliando a interação social e fortalecendo os laços de amizade entre as populações.
O grupo em que o Haiti e o Brasil se enfrentarão promete atrair grande audiência. Torcedores haitianos admitem sentir uma combinação de ansiedade e orgulho ao imaginar o duelo contra a seleção brasileira, reconhecida mundialmente por seu histórico de títulos. Ainda assim, a comunidade afirma que a lealdade ao país de origem prevalece e que as cores azul e vermelho do Haiti terão prioridade nas arquibancadas improvisadas que devem surgir em diferentes pontos da cidade.
Embora a Copa do Mundo ainda esteja a dois anos de distância, os preparativos já começaram. Grupos de amigos organizam arrecadações para adquirir televisores maiores, enquanto igrejas frequentadas por haitianos conversam sobre a possibilidade de transmitir os jogos em telões. Paralelamente, aulas de francês e crioulo haitiano oferecidas a brasileiros ganharam novo fôlego, impulsionadas pelo interesse despertado pelo torneio.
Para muitos imigrantes, a classificação tem um significado que extrapola o campo esportivo. Em meio a histórias de migração, ajustes culturais e desafios econômicos, ver o Haiti novamente entre as seleções que disputarão o título mundial simboliza esperança e superação. Pais comentam que o feito dará às crianças nascidas no Brasil uma referência positiva, mostrando que o país de origem de seus familiares continua presente no cenário internacional.
À medida que o calendário da Copa se aproxima, a comunidade haitiana de Três Lagoas permanece unida em torno do mesmo objetivo: torcer, celebrar e compartilhar com os novos conterrâneos a emoção resultante de um retorno aguardado por mais de meio século. A participação do Haiti em 2026, além de escrever um novo capítulo no esporte, reforça a identidade cultural de milhares de haitianos que encontraram em Mato Grosso do Sul um novo lar sem perder de vista as raízes que os movem.








