O Governo de Mato Grosso do Sul exonerou o diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Rudi Fiorese, poucas horas depois da deflagração da operação Buraco Sem Fim, conduzida na manhã desta terça-feira (12) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A medida, confirmada em nota oficial, ainda não constava no Diário Oficial do Estado até a última atualização desta reportagem.
A investigação, coordenada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), da Unidade de Apoio à Investigação do MPMS e da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, apura suposta fraude em contratos de manutenção de vias públicas e serviços de tapa-buracos em Campo Grande.
Conforme o MPMS, o nome de Rudi Fiorese surgiu devido ao período em que ele chefiou a Secretaria Municipal de Obras da Capital, fase à qual se referem as suspeitas levantadas pelo Ministério Público. Embora a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) — pasta à qual a Agesul é vinculada — tenha esclarecido que não figura entre os alvos da operação, a exoneração foi adotada como providência imediata pelo governo estadual.
Durante a ofensiva, os promotores cumpriram sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em diversos endereços de Campo Grande. Nas diligências, foram recolhidos, segundo balanço preliminar, R$ 429 mil em dinheiro vivo. Desse total, R$ 186 mil estavam em um dos imóveis vasculhados, enquanto outros R$ 233 mil foram encontrados em outro endereço investigado.
O Ministério Público afirma ter identificado elementos que apontam para o funcionamento de uma organização criminosa responsável por manipular medições de serviços e liberar pagamentos apesar da execução parcial ou inexistente das obras de manutenção asfáltica. A principal empresa sob suspeita celebrou, entre 2018 e 2025, contratos e aditivos com a Prefeitura de Campo Grande que somam R$ 113,7 milhões, de acordo com levantamento do MPMS.
A nota do governo estadual ressalta que “a Seilog acompanha o desenrolar da investigação e já tomou as providências necessárias, com a exoneração do servidor”. O comunicado reforça ainda que a estrutura da secretaria não faz parte do inquérito, mas que a administração pública colaborará com os órgãos de controle sempre que solicitada.
Apesar das tentativas de contato realizadas pela reportagem, Rudi Fiorese não respondeu até o fechamento deste texto. As autoridades não divulgaram os nomes dos demais investigados, nem detalhes sobre eventuais valores bloqueados ou sequestros de bens vinculados às ordens judiciais expedidas.
A operação Buraco Sem Fim se insere em uma série de ações recentes do MPMS destinadas a reforçar o combate à corrupção em contratações públicas no estado. Os promotores responsáveis sustentam que, no caso em análise, a possível adulteração de medições resultou em pagamentos por serviços não concluídos ou sequer iniciados. Caso os indícios se confirmem, os envolvidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, peculato, fraude a licitações e falsidade ideológica.
A Agesul, autarquia responsável por licitar e fiscalizar obras estaduais de infraestrutura, vinha sendo presidida por Fiorese desde o início da atual gestão. Antes disso, ele comandou a Secretaria Municipal de Obras da capital sul-mato-grossense, posição considerada estratégica por controlar grande parte dos contratos de pavimentação e manutenção de vias urbanas.
Com a exoneração ainda pendente de publicação oficial, o governo não indicou quem assumirá interinamente a direção da agência. A expectativa é que um nome seja definido após a formalização da saída de Fiorese e que o substituto dê continuidade aos projetos em andamento, incluindo programas de pavimentação, construção de pontes e manutenção rodoviária.
Os mandados expedidos pelo Poder Judiciário foram cumpridos ao longo da manhã e início da tarde. Equipes do Gaeco e da Polícia Militar prestaram apoio logístico às buscas. Entre o material recolhido estão documentos contábeis, computadores, mídias eletrônicas e celulares que, segundo os promotores, devem auxiliar na quantificação dos prejuízos causados aos cofres públicos.
Até o momento, o MPMS não divulgou prazo para a conclusão do inquérito. A fase atual é dedicada à análise do material apreendido, tomada de depoimentos e eventual pedido de novas medidas cautelares, a depender das informações coletadas.
O Governo de Mato Grosso do Sul reforçou em nota que mantém “tolerância zero” com irregularidades na administração pública e que aguardará o desfecho das apurações para adotar outras providências cabíveis. A Seilog reiterou que continuará fornecendo documentos e informações solicitados pelo Ministério Público ou pelo Judiciário.
Os próximos passos da investigação incluirão perícia em contratos, análise de ordens de serviço e cruzamento de dados de medições com fotografias e relatórios de campo. O objetivo é confirmar a extensão do dano ao erário e identificar todos os responsáveis pela execução e pela fiscalização dos serviços questionados.









